Imagens do Fin del Mundo

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Eu estive lá. De frente para a vida!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

San Pedro de Atacama II

 CERVAGENS EM SAN PEDRO DE ATACAMA 2023 - 2024

PARTE II


DIA 01/01/2024 - DIA EM SAN PEDRO DE ATACAMA 

Depois de tanta dificuldade, com a queda da Bê e a moto que teve que ser guinchada, a avaria do rolamento da minha moto e a necessidade de alugar um carro para podermos prosseguir juntamente com o restante do grupo, tivemos um dia para descansar e passear. 

O Hotel Diego de Almagro, em San Pedro de Atacama, é um lugar muito agradável. A piscina é que poderia ser aquecida, já que as águas de degelo são extremamente geladas, ao menos para nós que vivemos aqui no Brasil.

Para chegarmos ao hotel é que tivemos alguma dificuldade. Considerando que todas as ruas que dão acesso ao hotel, são contra-mão. Não tem nenhum caminho possível para acessar o hotel. Quando fui ter com o atendente, da recepção do hotel, é que ele me explicou que as leis chilenas garante a possibilidade de acesso à sua propriedade, como estávamos hospedados no hotel, teríamos direito a transitar pela contra-mão, tendo acesso à nossa casa temporária. Achei a situação um tanto inusitada, mas a partir daí, não fiquei preocupado em andar na rua de acesso. O Chile é um país, onde a polícia, tem muito pouca paciência com relação às questões trânsito.


As motos diante dos nossos quartos.

Os quartos são em grupos de chalés. Muito bonito e confortável o lugar.

Vista do acesso à recepção do hotel, que está ao fundo da imagem.

Calle Peatonal (Rua de pedestres) em San Pedro de Atacama. 

Almoçamos no restaurante Adobe, magnífico. Caro, mas muito bom. 

Nós no Adobe, para almoçar.

A Bê pediu o Pisco Sour original chileno.

O Ceviche pedido pelo Alfredo estava fantástico.

Eu e a Bê na Peatonal de San Pedro.

Depois do almoço, passeando pela peatonal, entramos em uma casa de turismo para ajustarmos um passeio ao Geiseres del Tátio, para o dia seguinte. Lá seria melhor irmos de transfer, pois os caminhos são muito difíceis para irmos de carro particular ou de moto.

Os valores não foram exorbitantes e contratamos. Eu consegui pagar através de uma transferência internacional, através do cartão Wise, o que achei ótimo de aprender. Passariam para nos pegar no hotel, entre 4:00 e 4:30 da madrugada. Logo, teríamos que dormir cedo, para acordamos muito cedo e esperar pela nossa van.

Depois fomos visitar a pequena e charmosa Igreja de San Pedro de Atacama, é o principal símbolo turístico do povoado. Foi construída em 1774 pelos jesuítas espanhóis, suas paredes são feitas com adobe, e seu teto com madeira de cacto e couro de lhama, no lugar de pregos. Branca como a neve, foi declarada Monumento Nacional em 1951. 

Mari e Walter na Igreja histórica de San Pedro.

Alfredo e Luciane na Igreja.

A Bê em um ângulo diferente da Igreja de San Pedro.

Esse é o portão lateral de acesso à Igreja, localizada ao lado da Praça Principal.

Prefeitura de San Pedro. Alfredo e Lu na foto.

Mercado de Artesanias (Artesanato) localizado defronte à praça da Prefeitura.

Bê fazendo graça no Mercado de Artesanato.

Caminhamos até a praça principal, em frente à Prefeitura Municipal de San Pedro. Passamos pela praça e depois pela Igreja Matriz. Mais adiante tem um Mercado de Artesanato bem interessante. Fomos até lá, onde compramos chás, folhas de coca, para mascar, que ajuda contra o mal de altitude, além de lembranças. Saímos do mercadinho pela porta dos fundos e fomos até o mercado. Estava um tanto abandonado, mas foi possível encontrar a barraquinha que vende Mote con Huesillo. Essa é uma iguaria muito típica do Chile. Trata-se de uma calda de açucar, onde se cozinha o huesillo, que é pêssego desidratado, reidratado no cozimento da calda, com trigo integral. Aquele que utilizamos para fazer salada de trigo. Fica uma mistura muito boa. Cada um de nós comeu seu copo. Eu, particularmente, acho muito bom.

A barraquinha onde comemos mote con huesillo. 

Nosso copinho.

Decidimos ir de moto, eu de carro com a Bê e a Lu, visitar a Laguna Salada. Uma lagoa que, por ter muito sal, fica com uma densidade tão grande, que não se consegue mergulhar. Nem se deve, pois o sal acaba sendo prejudicial aos nossos olhos. Mas como a água fica muito pesada, é muito fácil flutuar.

As estradas de acesso eram de rípio, com trechos que tinha costelas de vaca, dificultando para as motos. Até mesmo no carro, ficou um pouco desagradável nosso deslocamento, pelo desconforto por ela provocado.

Quando chegamos lá, não nos deixaram entrar. Embora tivessem algumas vans com turistas, nos informaram que apenas empresas de turismo eram permitidos naquela tarde. Uma situação que nos desagradou um pouco.

No retorno, eles se anteciparam ao carro e acabamos nos perdendo deles. Retornamos por uma estrada melhor que a utilizada na ida, mesmo sem saber que estávamos trocando a estrada. Ao final nos encontramos no posto de gasolina, graças ao celular, quando foi possível conversarmos.

Caminho para a Laguna de Sal. Não pudemos entrar, pois as empresas de 
turismo tem monopólio.

Imagem do Lican Cabur. Um vulcão muito bonito que se avista de San Pedro.

Depois que nos reencontramos no posto de gasolina, fomos até o Vale de la Luna. Queríamos assistir ao por do sol, depois de passear pelo Valle. O lugar é maravilhoso.

Chegando lá, fomos informados de que não poderíamos entrar, pois o parque fechava às 17:00. Como já havia passado do horário, não poderíamos entrar. Perguntei como poderíamos fazer para ver o por do sol, de uma colina que existe no parque, onde se via uma belíssima paisagem de final de tarde. Ela disse que não poderíamos ver. Novamente nos deparamos com a questão do Lobby das empresas de turismo. Creio que, infelizmente, as empresas de turismo monopolizaram os acessos aos pontos turísticos. Assim nós não pudemos visitar esses locais.

Muitas das vezes em que fomos até lá, tivemos acesso normalmente aos parques, indo de moto particular aos pontos de acesso mais fácil. Agora eles dizem que tem dias e horários específicos em que os particulares podem acessar. Muito chato!

Walter e Mari no Portal do Valle de la Luna.

Eu e a Bê.

Luciane e Alfredo.

Monumento na entrada do Valle de la Luna com bandeiras, do Chile e a outra nem sei de onde.

Depois de toda a volta sem sucesso, nada como relaxar na beira da piscina.

O passeio valeu muito a pena, mesmo sem que tenhamos conseguido acessar aos parques. As paisagens da região do deserto do Atacama, são magníficas e muito diferente de tudo aquilo que vemos aqui, onde estamos acostumados a viver.

Depois que retornamos do passeio, eu e o Walter nos sentamos na beira da piscina e colocamos os pés na água. A Bê e a Mari se sentaram na espreguiçadeiras para tomar sol. Foi um final de tarde maravilhoso. Aproveitei para combinar com a seguradora sobre o horário do guincho no hotel em Purmamarca, onde eu havia deixado a minha moto. Aproveitei também para renegociar com a locadora Localiza, onde eu havia locado o carro, para devolver um dia depois no aeroporto de Salta, o que facilitaria muito a minha vida.

Restaurante de massas ao lado do Hotel Diego de Almagro.




Essas bonecas se chamam Chancay, oriundas do povo pré-colombiano de mesmo nome.

As paredes eram revestidas com fibras vegetais, tipo sapê, sobre a fibra, haviam bonecos e bonecas que enfeitavam as paredes. Esses bonecos nos chamaram a atenção e perguntamos ao atendente o que simbolizavam. Ele nos explicou que elas se chamavam Chancay e eram produzidas por uma civilização de mesmo nome, que se desenvolveu na parte posterior do Império Inca. Na região do litoral do Peru, no início do século XV eles foram invadidos por outros povos, como o Chimú, e, por volta de 1450 d.C, os Incas estavam ocupando áreas. 

Acredita-se que o povo Chancay tinha uma estrutura política centralizada, formando um pequeno estado regional. Assim, essa declinou no século XV para dar lugar à expansão territorial do Império Inca. Embora vivessem em uma região desértica, mas com vales férteis, banhados por rios, sendo rica em recursos que permitiram, entre outras coisas, o desenvolvimento agrícola extensivo.

Isso nos faz ver, que a ideia romântica de que os povos americanos eram melhores que os europeus não deve ser aplicada, pois parece não ser verdade. Eles mesmos tinham interesses diferentes entre si e se exterminavam uns aos outros de forma tão terrível quantos aquelas que conhecemos da história européia. Talvez ainda piores, porque os povos deixavam de existir, significando que todos eram exterminados, ninguém possivelmente era poupado, sequer para trabalharem como escravos.

Eu, pessoalmente, nunca tinha ouvido falar nem de Chimú nem de Chancay. Parece ser um belo campo de estudos, os povos da América do Sul, que precedem à chegada dos espanhóis e dos portugueses. Deve ter muito o que estudar e pesquisar sobre o tema. Talves, até mesmo compreender porque os povos andinos  e da América Central, acabaram sendo tão mais desenvolvidos que os povos presentes no Brasil, que ainda eram praticamente caçadores e coletores, a menos do cultivo da mandioca em uma agricultura ainda insipiente e pouco evoluídos de forma geral.

A Luciane pediu um nhoque de batata que parecia maravilhoso.

E esse foi o macarrão excelente que a Mari pediu. Disse que estava uma delícia!

À noite saímos para jantar. O carro não tem muita utilidade em San Pedro, pois as ruas são, em sua maioria, restritas a pedestres. A Lu estava com um problema de inflamação no joelho direito, devido a um mal jeito na hora de subir na moto e agora, estando conosco no carro, parece que estava melhorando. Além de estar tomando anti-inflamatório e passando algumas pomadas, tipo Benguê, para ajudar a melhorar. 

Como a Lu não poderia caminhar muito, fomos a um restaurante localizado em frente ao portão de acesso do nosso Hotel. Mas, infelizmente, não tinham mais comida. Demos risada disso, pois nunca nos deparamos com um restaurante que não tinha mais comida para servir. Não um prato ou outro, não tinha mais nada. Teriam comida somente para três 3 pessoas e éramos em seis, logo não pudemos ficar.

Descendo a rua, cerca de 20 ou 30 metros havia uma pizzaria, que era também restaurante de massas, Que, ao final se mostrou, melhor do que poderíamos imaginar, pela sua aparência. Ali comemos pizzas e massas deliciosos. Eles nos disseram que estavam com muitos pedidos e que a janta demoraria muito para ser servida. — Será que nos incomodaríamos em esperar? —Nos perguntou o garçon. Ponderamos e nos preparamos para esperar muito. Entretanto em 30 minutos nos serviram. Aí descobrimos a definicão de muito tempo. Para eles é muito menos que para nós no Brasil, onde já esperamos por mais de hora ou hora e meia para sermos servidos.

DIA 02/01/2024 - DIA EM SAN PEDRO DE ATACAMA 

Levantamos às 3:30 da madrugada. Tomamos um banho para acordar e nos arrumamos para irmos visitar os Geiseres del Tátio. Estava frio. Tinha uma garrafa térmica com café, na recepção, assim tomamos um café preto. A van chegou e partimos. Pior que ela deu muitas e muitas voltas pela cidade, coletando vários turistas. Depois fomos até um local, onde o motorista e o ajudante, que era nosso guia, desceram e abriram as portas do fundo da van. A princípio não entendemos nada do que estava acontecendo. No local existia umas vinte vans, todos fazendo a mesma coisa.

Depois é que ficamos sabendo que estavam pegando o farnel para o nosso café da manhã, que estava ótimo. Dificilmente os hotéis tem um café da manhã como aquele. Os pães estavam divinos e o abacate então nem se fala. Tudo delicioso, inclusive o café.

Llamas domesticadas, pastando. As fitas servem para reconhecerem os proprietários dos animais.

Os camelídeos da América do Sul são: Guanacos, Vicunhas, Alpacas, Llamas. 
Essas da foto sãoVicunhas.

Das quatro espécies de camelídeos que hoje habitam a América do Sul, duas são animais domésticos (llama e alpaca) e as outras duas, animais selvagens (guanaco e vicunha). O seu habitat é a cordilheira andina e o seu alimento as plantas silvestres. Como a do camelo, a domesticidade dos llamas e alpacas não é absoluta. Os guanacos vivem fora das grandes altitudes das cordilheiras, e estão muito presentes, principalmente, na região da Patagônia. As vicunhas são muito bem adaptadas às altitudes, tendo coração e pulmões maiores, sendo os único animais que vivem naturalmente acima dos 4000m de altitude.

Finalmente, depois de muito rodar, dormir e acordar com os solavancos, sem ver absolutamente nada, na escuridão do deserto, sem lua, chegamos ao Gêiseres del Tátio, ao amanhecer. Estava muito frio, temperaturas abaixo de 0ºC, mas estávamos relativamente preparados para isso. Descemos na portaria para irmos ao banheiro, pois depois daquela portaria não teríamos um banheiro para utilizar. Além de darmos o dinheiro para comprar o acesso à área dos Gêiseres. O dinheiro das entradas em todas as reservas, sempre fica para os povos que ali residem, assim como as vendas de sal, nos salares, tanto da Argentina como do Chile, também ficam para aqueles povos, que vivem desse trabalho.

A imagem que tivemos já na chegada ao parque dos Gêiseres, que é o segundo maior do mundo.

Eu e a Bê, preparados para o frio. Nem foi assim tão grande.

Nossa turminha toda. Alfredo, Lu (com frio), Mari, Bê, eu e o Walter.

Super casal, Walter e Mari.

Nossa turminha toda. Alfredo, Lu (ainda com muito frio), Walter, Mari, eu e a Bê.

Casal 20!

A Bê sempre feliz e criativa, pediu para tirar essa foto.

Minha linda Bê.

A Mari em frente à placa que proíbe a gente de morrer queimado.

Segundo explicou nosso guia, as colunas que sopram vapor de água e até mesmo água fervente, se formam e desaparecem a qualquer tempo, dessa forma, aquela paisagem é sempre mutante. As pedras indicam onde não podemos entrar, formando assim uma espécie de demarcação dos locais por onde podemos caminhar.

O Campo de Gêiseres El Tátio, é o segundo maior campo de gêiseres existente no mundo, considerando o número de chaminés (se é que esse é o nome). Perdendo apenas para o Campo de Gêiseres do Parque Yellowstone, nos EUA. Sendo que lá, as águas são mais perigosas que as que temos aqui no Atacama, devido à presença de enxofre e outros minerais e matais que tornam perigoso o contato e a proximidade.

As caldeiras dos Gêiseres.

A maioria dos gêiseres apenas sopram vapores de água, entretanto, alguns lançam água a alturas varáveis. Um deles que fomos ver, lança água bulente a cerca de quatro metros de altura, com um período de mais de um minuto. Isso é muito interessante, pois a coluna de água pesa sobre a coluna do gêiser, fazendo com que a pressão interior na base de cada um cresça, até atingir e superar a pressão da coluna de água, fazendo com que a água que está na coluna seja expulsa de forma violenta. Com a redução da pressão, ocasionada por essa expulsão, a coluna de água volta a descer pela abertura até que o processo se repita.

No fundo da coluna, existe uma laje de rocha, a uma temperatura muito alta, aquecida por atividade magmática que se encontra sob ela. Dá até um pouco de medo de estar naquele local, imaginando que a qualquer momento poderia explodir tudo e uma tremenda erupção vulcânica. Mas isso é muito difícil de acontecer, no entanto, nosso guia explicou que existem muitos tremores de terra, todos os dias naquele local. Nós não sentimos por serem de baixa intensidade, mas existem.

Uma das bocas que sopram vapor de água, extremamente quente.

Os estranhos caminhos e minerais que escoam com as águas bulentes.

Nós caminhando entre os locais de interesse no Campo.

Só tinha gente linda por lá.

Para o café da manhã, a van nos levou para fora do parque de gêiseres. Quando fomos, eu e a Bê, em 2009, ele aqueciam o leite e cozinhavam ovos, na água quente de um gêiser específico que era seguro para esse fim. Mas agora a quantidade de pessoas que visitam o Parque, pelo jeito, tornou isso impossível. Daquela vez, nem eu nem a Bê conseguimos comer nada, pois havíamos vindo de Santiago e não havíamos passado por altitudes acima de 4000m, além de que não conhecíamos o auxílio propiciado pelas folhas de coca. Por não estarmos adaptados, passamos muito mal. Só depois que baixamos de 4200m de altitude que começamos a melhorar.

Tomando um solzinho enquanto esperávamos pelo café da manhã que estava sendo preparado.

Walter aguardando pelo café. A falta de ar e o cansaço não são fáceis para quem não está aclimatado.


A mesa do Café. Muito bom.


Nosso guia, montou o café juntamente com o motorista.

Nosso guia, era um cara muito bem preparado, tinha muito conhecimento da região e dos fenômenos que visitamos. Ele nos explicou que não poderíamos alimentar as gaivotas do deserto, que ficavam nos rondando em busca de alimentos. Isso porque, nunca devemos alimentar animais silvestres. Para eles é uma questão de sobrevivência, que rapidamente podem se tornar dependentes e acabam morrendo por não saber onde conseguir alimento na natureza.

A volta foi mais interessante, pois pudemos acompanhar o caminho e ver o quanto acertamos em não termos ido de moto, ou mesmo com o carro. Os caminhos eram complexos, com muitas pistas de rolamento e ainda com areais grandes e profundos, que necessitariam de um veículo 4x4 com reduzida para vencer. A prática dos motoristas que vão e retornam todos os dias, os ajuda a superar as dificuldades, mas um motorista menos experiente, facilmente ficaria atolado.

Na volta ainda pudemos conhecer uma lagoa, salgada, que se encontra em altitude maior que 4000m. Com a existência de uma fauna específica e adaptada à região, formada por flamingos, patos e gaivotas do deserto.




Lagoa salgada de altitude e sua fauna exuberante e perfeitamente adaptada.

Depois que retornamos ao hotel, decidimos almoçar no próprio hotel para conhecer o restaurante, que nos surpreendeu. Após o almoço fomos descansar, pois havíamos acordado muito cedo. Depois fomos para a piscina, o Alfredo e o Walter foram abastecer as motos para o início da nossa viagem de retorno, que começava no dia seguinte, embora ainda tivéssemos muito o que viver e fazer até que chegássemos em casa novamente.

Ficamos na piscina ao final do dia e depois retornamos a jantar no mesmo restaurante do dia anterior. Aquele da bonequinhas de Chancay. Só que dessa vez, pedimos pizza. Foi uma ótima pedida, pois a pizza também era maravilhosa.

Dia seguinte teríamos que acordar cedo para tomermos café da manhã no primeiro horário, 7:00 da matina, já com tudo arrumado para partir, fechando a conta do hotel antes do café.


DIA 03/01/2024 - DESLOCAMENTO DE SAN PEDRO DE ATACAMA - TILCARA - 437KM

Trecho até Tilcara. Eu e a Bê fomos ate'Salta e depois a Tilcara.

Tudo certo, acordamos cedo, arrumamos as bagagens nas motos e no carro, tomamos café na primeira hora para partirmos o mais cedo possível. Eu teria que estar em Purmamarca, para encontrar o cara do guincho que levaria minha moto para o mecânico em Salta, às 15:30 da tarde, sendo que tínhaos um belíssimo dia de travessia da cordilheira dos Andes, no Paso de Jama.

Na ida havíamos saído tarde devido àquela questão de alugar o carro, etc., agora, devido ao problema da minha moto, novamente estaríamos com pouco tempo para desfrutar das paisagens e fotografias. Mas é vida vem como ela tem que ser.

O caminho era lindo e estava aberto. Com o sol vindo do leste e nós indo de frente para ele.

Walter e Mari encarando o sol. Mas pensa em uma gente feliz.

Saímos com o sol batendo de frente, o que não facilita no dirigir, principalmente para as motos que não têm parassol para ajudar. A manhã estava fria, mas nada parecido com as baixas temperaturas da ida. Agora tínhamos cerca de 10ºC, que era bem mais tranquilo.

Alfredo em um breve momento de sombra.

A Lu continuava conosco no carro, o que foi bom para a recuperação do joelho dela.

Alfredo super-curtindo a paisagem e o fato de poder estar lá. 

Sem palavras!

Mari e Walter, Alfredo e Lu, suas motos e o Vulcão (ativo) Lican Cabur ao fundo.

Nós todos nos despedindo do vulcão Lican Cabur. Pena que estava dormindo. Hehehe

A paisagem que estávamos deixando para trás.

Logo que chegamos ao ponto mais alto do Paso de Jama, entramos em direção à fronteira com a Bolívia, no Paso Fronterizo Hito Cajón, que é a fronteira do Chile com a Bolívia. Todos estavam precisando ir ao banheiro e paramos lá. A Bê, a Mari, o Alfredo e a Lu estavam apertados. Eu e o Walter ficamos por ali mesmo e urinamos no chão seco, trazendo alguma umidade para ajudar a natureza.

Eles retornaram, de uma caminhada ofegantes, pois as instalações ficavam mais abaixo e como tinha fila de carro para cruzar a fronteira, não pudemos descer até a Aduana. Assim, para subir a rampa de retorno, eles sofreram um pouco. Diga-se de passagem, por esse motivo é que eu não quis descer com eles.

Depois do ponto mais alto do Paso, tem muitos trechos de altiplanos, que estão a mais de 4000m de altura. Sendo que depois do ponto mais alto, que chega a 4820m, descemos um pouco, em um trecho com algumas curvas, aí encontramos um longo trecho de estrada retilínea, a 4500m de altura. Onde tiramos as fotos abaixo. Sendo que estava ventando e havia muito redemoinhos, que eu chamo de saci pererê, já que a marca do Saci é exatamente o redemoinho nas regiões áridas. Embora na volta o vento fosse menor que o da ida, que judiou um bocado dos motociclistas, pois jogava bem as motos que estavam rodando bem inclinadas. No carro nós sentíamos o balanço provocado pelo vento e suas rajadas.

Alfredo em sua BMW 1250, a mais de 4500m de altitude.

Walter e Mari em sua BMW 1250, também a mais de 4500m de altitude.

Só para lembrar, a maior altitude do Brasil é o Pico da Neblina, que tem 2995m de altitude, ou seja, durante cerca de 6 a 8 horas, ficamos em altitudes maiores que a do Pico da Neblina, andando em planícies, que são chamadas de altiplanos.

Paisagens únicas dos altiplanos dos Andes.

Imagens do caminho do Paso de Jama.

Finalmente chegamos à fronteira e ao Controle Fronteiriço do Paso de Jama. Pouco antes das instalações da Aduana, paramos para as fotos de recordação. A falta de ar persistia, pois ainda estávamos em altitude, 4320m.s.n.m.m. (abreviatura de metros sobre o nível médio dos mares).

Todos nós na placa da fronteira internacional Chile - Argentina a 4320m de altitude.


Nós todos na fronteira, com a placa das distâncias. Já tínhamos rodado 157km.

Boituva em peso na fronteira.

A Aduana estava repleta de pessoas, pois havia chegado pouco antes de nós, um ônibus cheio de passageiros e eles estava todos em fila fazendo a migração.

A migração entre o Chile e a Argentina é meio chata e demorada, embora tenha ficado muito mais simples de uns anos para cá. Mas ainda assim é mais chata, pois o Chile não pertence ao Mercosul e isso dificulta um pouco a parte de documentação. Exigindo que a importação temporária do veículo, o SOAPEX, os documentos pessoais, preenchimentos de fichas de pertences, etc. 

Entretanto o mais demorado foi mesmo a quantidade de passageiros do ônibus que estavam na nossa frente, ainda assim, demorou pouco mais de uma hora para sairmos de lá. 

Eu e a Bê no controle da Aduana do Paso de Jama.

Assim que saímos do controle fronteiriço, entramos no posto YPF, já do lado argentino, para abastecer e também para comer qualquer coisa e tomar um café. Rapidamente partimos para nosso passeio nas Salinas Grandes.

Chegando nas Salinas Grandes - Jujuy - AR. Uma parte das Salinas ficam na Província de Salta.

A beleza é espantosa.

A Bê e eu no Gran Salar, ou Salinas Grandes. 

São 5 km de largura, onde a estrada cruza por cerca de 42km de largura. Chega a sumir de vista o final da mesma.

A Mari e o Walter, já tinham ido conosco no ano anterior, na passagem de ano 2022 para 2023. Quando fomos até Salta em companhia do Pilinski e da Cida. Um dia, saímos de Salta e fomos até as salinas para eles conhecerem um pouco dos Andes. Eles gostaram tanto que nesse ano, decidiram que valeria a pena irmos até San Pedro de Atacama.

As meninas felizes por estar em local tão incomum.

Esperando pelas tortillas de queso e jamon.


Eu, o Alfredo e as meninas. Já comendo as deliciosas tortillas assadas na brasa.

Estávamos na sombra pois o sol é muito forte e queima bastante. Lá tem muito menos atmosfera para filtrar os raios solares que nos demais locais.


Alguns dos artefatos esculpidos em sal.

Nós todos com a camiseta da nossa expedição. Idealizada e produzida pelo Alfredo.

Agora de frente. Ficou muito boa a camiseta. Feita em DryFit.

Imagem da amplitude de sal que do local.

Já em Pastos Chicos, onde comemos um lanche rápido, abastecemos novamente, antes de seguirmos para Purmamarca.

As paisagens não se cansam de mudar e de surpreender. Eu sou apaixonado por elas.

Eu e a Bê já passamos por esses locais em épocas muito mais secas. Dá para ver aqui mesmo, no Blog.

Embora tenha vegetação, pode-se notar que não estão presentes os cáctus, por exemplo, que é uma planta perene. Isso acontece porque o fato de ter chovido na região é um evento muito raro e não acontece sempre, pois nem os cáctus, que vivem em ambientes extremamente secos, conseguem existir nestes locais.

Tem até vegetação. Agora estávamos nos aproximando do final da travessia.

Os cáctus começam a aparecer, indicando que a região é mais úmida.


A primeira subida depois de Purmamarca, chamada Cuesta de Lifan, que faz lembrar os Caracoles.

O Alfredo não apareceu na foto, estava enjoado e a Bê e a Lu cansadas.

Lindas paisagens nas proximidades de Purmamarca.

Finalmente chegamos em Purmamarca, mas o guincho ainda não havia chegado. Liguei para o meu corretor, Gilson Gosh, que nos ajudou muito, tanto no evento anterior da queda da Bê, como aqui, para viabilizar e ajudar nos trâmites de agendamento e mobilização de prestadores de serviço.

Mas, para nossa alegria, pouco depois, ele chegou. Ao invés de um guincho, veio uma caminhonete Amarok V6. Depois de algum chororô por parte do guincheiro, que dizia ter sido informado de que se tratava de uma moto 250cc, ele disse que a moto caberia na caminhonete mesmo e que poderia levar. Assim, medimos o comprimento da moto e da caçamba, sendo que deu certo. Aí coloquei a moto sobre um barranco e ele encostou a caminhonete de ré. Puxou uma prancha, do tipo escada e eu subi na moto e lentamente fomos colocando ela sobre a caminhonete. Afinal, coube a moto, que ficou com a roda traseira sobre a tampa da porta basculante traseira.

Colocando a moto sobre a Amarok. Aventuras.

A moto sobre a Amarok, com a roda dobre a tampa.

Em detalhe a rampa tipo escada e a moto acomodada sobre a caminhonete.

Já a caminho de Salta, saindo de Purmamarca.

Nesse ponto, nós nos separamos. Eu e a Bê seguimos com o carro para Salta, acompanhando a caminhonete que levava a minha moto e os demais seguiram de moto para Tilcara, que seria nosso destino final do dia.

Chegamos em Salta já tarde, pois demorou cerca de 3 horas nossa viagem. A caminhonete seguia devagar, devido ao peso da moto e por estar apoiada sobre a tampa. Chegando lá na oficina Haciendo Caminos, tocamos a campainha e vieram o Alejandro e o Dario, com quem eu já havia tratado tudo.

Por sorte, havia um barranco novamente, da altura correta para propiciar o descarregamento da moto. Sequer precisamos da prancha para ligar os níveis. Só faltou mesmo eu subir na tampa para evitar que ela subisse muito rapidamente, quando o peso da moto saiu de cima da caminhonete, o que poderia ter batido a tampa em baixo da moto.

Descarregando a moto em frente a oficina Haciendo Caminos, em Salta.

Depois que colocamos a moto no galpão da oficina, o guicheiro foi embora e combinamos que o Dario veria com a HD Buenos Aires sobre a disponibilidade de rolamentos e pastilhas de freio.

Os rolamentos estavam disponíveis, mas a HD de lá não trabalha com remessa rápida, logo as peças, se compradas na HD, chegariam apenas na terça-feira em Salta. Precisaríamos partir antes disse, no sábado. Então ele comprou bons rolamentos japoneses para colocar na moto. As pastilhas de freio não tinha na Argentina. Aí mandou para um conhecido que as produz artesanalmente. 

Perguntamos onde jantar e o Alejandro, que mora na propriedade e é sócio do Dario, nos indicou a churrascaria DisTinto. Um lugar maravilhoso, onde comemos o melhor bife de chorizo da viagem. Não poderíamos deixar de ir em companhia dos demais quando retornássemos a Salta.

Depois da janta, já era mais de dez da noite, partimos de Salta em direção a Tilcara, onde tínhamos a reserva no hotel e pretendíamos dormir para acompanhar os demais até a Quebrada de Humahuaca e a visita ao Cerro de 14 Colores, no Mirador Hornocal, no dia seguinte.

A viagem foi longa porque o sono estava judiando. Mas conversando e tomando água, acabamos chegando bem, graças a Deus.

Eles como foram direto para Tilcara, acabaram chegando ao hotel, ou Hostal, passearam pela cidade e jantaram sozinhos.



Uma Llama sobre o barranco. 

Os camelídeos, comem apenas a metade das moitas da vegetação típica, possibilitando assim, a rebrota mais rápida da planta. Uma estratégia genética, desenvolvida em milhões de anos.


Cada paisagem de tirar o fôlego. Estamos acostumados ao verde, aqui é diferente.

As paisagens já mostram algum verde.

Walter e Mari, Alfredo e Lu, a caminho de Tilcara.

A vegetação vai voltando, às margens do rio Grande.

As paisagens do trecho até Ticara são inusitadas.

Construções coloniais do caminho. 

Viela de acesso ao Tilcara Rustica Hostal.

Nossos queridos companheiros de viagem, em Tilcara e nós dois em Salta, lidando com a moto.

E assim os adesivos dos Cervagens foram se espalhando pelo mundo.

Comércio em Tilcara.

Lu e Alfredo, preparados para o vinho e jantar. Os lugares são muito típicos.

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