Imagens do Fin del Mundo

Imagens do Fin del Mundo
Eu estive lá. De frente para a vida!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Buenos Aires - Colonia del Sacramento

CURITIBA – BUENOS AIRES - COLÔNIA DEL SACRAMENTO - CURITIBA

DATAS: 03/09 A 08/09/2010
PARTICIPANTES: LUIZ E BÊ
MOTO: HD ELETRA ULTRA CLASSIC – 2008 – PRETA


Dia 1: sexta-feira - 03/09/2010 – Curitiba-PR a Barracão-PR

Em Curitiba é feriado no dia 08 de setembro, como o dia 7 caiu, neste ano, numa terça-feira, ficou um feriado maravilhoso, pois entre o sábado e a quarta-feira teríamos 5 dias corridos para fazer um passeio.

Nestas condições, pensamos em fazer uma viagem que há muito tempo estávamos interessados, ir até Buenos Aires, que por si só é um destino e tanto para um passeio de moto e, ainda por cima, em ocasiões anteriores, pensamos em passar o estuário do Prata de BukeBus, que é um senhor ferry-boat.

Decidimos, como em vezes anteriores que iríamos. Convidamos alguns amigos, meu filho, mas, no final das contas, como em diversas outras ocasiões, acabamos sozinhos para a empreitada. É claro que sempre que vamos fazer uma viagem mais longa como esta, é necessário pensar em todas as coisas, pelo menos em todas que pensamos, hehe, aí juntamos: um mínimo de roupas, tyre repair da Motul, algumas ferramentas, me esqueci do arame, que um amigo meu sugeriu e que, graças a Deus, não fez falta.

Decidimos que para ganharmos mais tempo lá em Buenos Aires, teríamos que sair na sexta-feira no final da tarde, pois gostamos de rodar à noite, já que os barbeiros normalmente não gostam, melhorando por um lado a segurança, entretanto nunca se esquecendo que viajar à noite sempre é mais perigoso nos demais quesitos.

Assim, na sexta-feira, dia 3, com toda a bagagem arrumada e devidamente acomodada nos maleiros da ultra, que são bem legais e de excelente tamanho, saímos às 5:30 da tarde em direção à Barracão, inicialmente de Curitiba em direção à Ponta Grossa e depois por Irati, passando por Guarapuava, e logo depois entrando em direção a Francisco Beltrão e finalmente Barracão.

Quando fomos ao Chile, já havíamos seguido exatamente este roteiro, o caminho é bom e desta vez ficou melhor pois carreguei no GPS – GARMIN – Zumo 660 os mapas adequados. O TRC Brasil e o MAPEAR, que sempre devem ser usados em separado, ou seja, quando se habilita um desabilita todos os demais, desta forma pudemos seguir direto até Barracão. Chegamos em Barracão depois da meia-noite, mas foi uma viagem muito boa sem nenhum contra-tempo.

Neste dia jantamos em Guarapuava. A princípio havíamos programado jantar em uma churrascaria que eu conhecia, localizada em um posto na estrada. Quando chegamos ao local a churrascaria estava fechada, não sei se pelo horário, pouco provável, ou se porque não abre para o jantar mesmo. Tudo bem seguimos adiante, paramos em um posto para colocar gasolina e peguntamos sobre onde jantar, nos indicaram outra churrascaria logo mais à frente e lá fomos nós. É muito interessante que no interior do Paraná existem apenas churrascarias para se comer, algumas pizzarias também, mas são muito menos comuns. Achamos o local e paramos lá. Jantamos muito bem e seguimos adiante.

Quando chegamos em Barracão, tive vontade de ligar para a Jô, uma amiga que mora lá, mas era muito tarde e resolvemos procurar por um hotel. O primeiro estava lotado. O segundo também. Começamos a ficar preocupados, pois não existem muitos hotéis por lá, já que se trata de uma cidade pequena, embora seja fronteira seca entre Paraná e Santa Catarina e também a Argentinha. Ali ficam localizados Barracão-PR, Dionísio Cerqueira-SC e Bernardo de Irigoyen-AR.

Acabamos indo parar, com a ajuda do frentista do posto, que graças a Deus estava aberto, no Hotel Iguaçu, localizado em Dionísio, pois acabamos cruzando alguma rua que divide os estados. Assim que chegamos fomos informados de que não havia vaga. Tive que insistir muito, para que o funcionário topasse me arranjar um quarto muito do estranho, que estava localizado em uma área do hotel que estava em construção, ou reforma, não entendi bem. O importante para nós é que tinha banheiro e uma cama muito boa.

Hotel Iguaçu - Dionísio Cerqueira



Tomamos uma água cada um e dormimos muito rápido, pois já era mais de 1 da manhã e pretendíamos não sair muito tarde na manhã seguinte para cruzar a fronteira.


Recepção Hotel Iguaçu - Dionísio

















Dia 2: Sábado - 04/09/2010 – Barracão-PR a Concórdia-AR

Entre declarar os bens (GPS, máquina fotográfica, laptop, etc.) por exigência da aduana argentina e não devido à nossa. Isso foi necessário por indicação de uma funcionária da Argentina e de um policial argentino que nos indicou ser mais seguro declarar a saída no Brasil para evitar qualquer problema futuro com a aduana Argentina, voltamos e fizemos a declaração, carimbamos os passaportes, fizemos os visa e documento do veículo, mostrei a carta-verde que havia comprado aqui em Curitiba, pois para comprar na fronteira fica muito mais caro e, neste momento, me lembrei que não havíamos jogado na Mega Sena que estava acumulada em vários milhões. Não tivemos dúvidas, voltamos para Barracão, buscamos pela casa lotérica, que estava aberta no sábado pela manhã, e fizemos nossa fezinha. Não deu resultado nenhum pois não ganhamos apenas atrasamos nossa saída.

Bem, já eram 11 da manhã quando conseguimos passar por Bernardo de Irigoyen, passamos pelo Club do Automóvel, que tem um posto de gasolina que aceita cartão, como quase todos os demais da Argentina, assim como no Brasil, e seguimos em direção ao sul, mesmo caminho pelo qual tínhamos passado no final do ano quando fomos ao Chile por este mesmo local.

Seguimos adiante, sendo que a certa altura saímos da estrada que vai até Posadas e descemos em direção a Oberá, sendo que na derivação para Oberá tem um posto, muito simples como quase tudo em Missiones, e paramos para colocar as roupas de chuva pois estava já garoando e queríamos nos molhar logo no primeiro dia e ficar com roupas molhadas na bagagem. Não estava muito frio mas estávamos bem agasalhados e não sentíamos calor.
Colocamos as roupas de chuva, usamos o banheiro, que não era limpo, e seguimos adiante em direção a Oberá. Chegamos lá já tarde para o almoço e ficamos em dúvida se encontraríamos onde comer alguma coisa.

Quando entramos em Oberá encontramos uma série de bonecos enormes e a cidade toda enfeitada e cheia de pessoas vestidas com roupas folclóricas e típicas de imigrantes.


Paramos próximo à igreja no centro de Oberá logo na frente de um calhambeque tipo Ford 29, e a Bê desceu a moto para tirar umas fotos e ver se conseguia alguma informação sobre onde poderíamos almoçar.


Aí apareceu o senhor que estava no calhambeque, com a esposa, um homem de aproximadamente 75 ou 80 anos e a esposa de mesma idade e ele veio puxar assunto comigo por causa da moto, como sempre a moto chama muito a atenção, e ele queria saber de tudo, ano, modelo, etc., eu também me interessei pelo carro dele e em saber o que estava acontecendo, aí foi que ele contou para nós que estava tendo a maior festa de imigração da Argentina naqueles dias em Oberá e que inclusive a Presidente deles, Cristina Kirchner, não sei se escrevi corretamente, iria lá. Me indicou como chegar nos pavilhões da feira e disse que lá haveria lugar para comer. Me sugeriu que a deveríamos ficar por lá naquele final de semana já que a festa era um acontecimento.
Achei interessante mas nosso destino era outro, e voltamos para a estrada, pois para ir até o pavilhão da feira seria coisa de doido. Retornamos para a estrada de onde havíamos vindo, e seguimos em frente, logo adiante encontramos uma parrilla e paramos para almoçar, ainda bem que ainda tinha comida. Sentamos e pedimos duas parrillada, que é uma prancha de ferro-fundido sobre uma cama de brasa onde é servido uma veriedade de carnes: costela de boi, linguiça de porco pimentada, choriço de sangue salgado e doce, chichulin (tripa de bezerro), rinhones (rim), coxa de frango. O chinchulin é complicado para comer, mas como já conhecíamos, mandamos ver. O cara da churrascaria nos disse que as pessoas que vinham do Brasil não comiam chichulim e que ele até achou estranho que nós comessemos.


Tomamos uma cerveja Quilmes, tiramos algumas fotos, banheiro e seguimos em frente, passando ao lado do pavilhão que já estava com certo movimento naquela hora. Seguimos em direção ao sul. Não estava mais chovendo nem garoando, mas ainda tinha muito chão molhado o que levanta sujeira e a moto e nós fomos ficando vermelhos, mais a moto do que nós.

Ao longo do caminho acabamos reconhecendo que já havíamos passado por aquelas estradas anteriormente na viagem do final do ano. Achei estranho pois eu achava que tínhamos ido mais pelo interior do que agora, no entanto, quando vi uma curva com um cruzamento da linha férrea e em seguida um posto, localizado logo após uma entrada de uma cidadezinha, que quando fomos ao Chile acabamos errando o caminho atrás de um posto para abastecer, vimos que se tratava da mesma estrada e que dentro em breve chegaríamos ao posto onde ficamos protegidos da tempestade de areia. Assim aconteceu mesmo, a diferença foi que quando passamos pelo posto que nos escondemos, a estrada se encontrava em obras e o acesso ao posto não era fácil, pois passamos pelo mesmo e nem vimos, além de que era um acesso de terra e como estava tudo molhado era perigoso tentar entrar no posto, naquele momento já estava anoitecendo, na verdade já estava bem escuro, pois desta vez saímos de Barracão de manhã e agora é inverno e não verão, o que faz muita diferença quando a gente vai se deslocando mais para o sul e para oeste.

Logo adiante do posto, viramos novamente para a esquerda e um entroncamento da estrada e fomos em direção a Buenos Aires que ainda se encontrava muito longe. Resolvemos que iríamos rodar até mais tarde e ver onde poderíamos dormir. Foi quando buscamos no GPS por algum hotel e acabamos decidindo ir até Concórdia, uma cidade localizada na divisa entre Argentina e Uruguay, pois já estávamos abaixo da fronteira do Brasil com o Uruguay. Seguimos. Quando vimos uma placa de acesso a Concórdia, não achamos pois a estrada encontra-se em duplicação, como costumo brincar, devem estar passando mais de um carro por hora, aí eles duplicam a estrada, igualzinho as nossa estradas aqui do Brasil. Seguimos em frente, na verdade eu achei que tínhamos perdido a entrada, mas logo adiante, havia outro viaduto em construção e uma outra indicação de entrada para Concórdia. Novamente não vimos a primeira entrada, mas desta vez, vimos outra entrada localizada logo depois do viaduto, sob o qual havia um carro da polícia caminera, como no viaduto anterior também tinha um.

Parei no acostamento, olhei para os dois lados e como não vinha ninguém cruzei a pista e entrei no acesso de terra, quer dizer, barro, já que tinha chovido durante boa parte do dia na região, pelo que se podia ver. No início do trecho até que estava legal, mas foi ficando cada vez pior. Ao longo de pouco mais de uns 500m, a lama foi engrossando e a moto cada vez sambando mais, até que a coisa ficou preta mesmo, tinha uns 20cm de lama e aí o samba ficou muito doido, foi uma derrapada e pimba, a moto virou de lado e deitou solene sobre o mata-cachorro e o mata-gato, como é do costume dela. Eu e a Bê nem caímos, apenas colocamos os pés no chão e descemos da moto. Olhando a bichinha descansando. Aí que vem o momento mais sério, como fazer para levantar a moto de apenas 400kg?

No passado já havíamos levantado ela algumas vezes, mas sempre com a ajuda de outras pessoas, transeuntes que sempre se oferecem para ajudar. Mas ali, naquele lugar, estávamos sozinhos e era meia-noite e meia. Aplicamos a nossa técnica que deu certo da última vez que aconteceu de termos que levantar a moto, qual seja, ela apoiou o pé na plataforma que ficou para cima e segurando com a mão no manete do acelerador (que estava para cima) fez um pêndulo e eu do outro lado fiz a força que pude. Como a lama estava lisa, eu não tinha muito apoio e a força que eu conseguia fazer era limitada.

Depois de algumas tentativas, estávamos bufando e a moto nem tinha se mexido. A Bê, muito otimista falou: “nem a pau que vamos conseguir levantar esta moto sozinhos, pode esquecer?”. Eu disse: “não poderemos ficar morando aqui, não vai dar. Teremos que ver uma solução”. Aí notei que os carros somente passavam pelo outro lado, que devia estar muito melhor que o que tentamos passar, mas como poderíamos saber disso antes?

Aí passou um carro e o cara disse da janela: “necessitam de ajuda?” quando eu disse simmm!!! ele já tinha ido. Que mierda! Mas ele foi muito legal, avisou os guardas que estavam sob o viaduto e depois de uns 5 minutos, que pareceram 2 horas, apareceu a viatura da policia caminera, eu acendi e apaguei as luzes da moto e eles vieram e pararam próximos de nós.

Foi interessante, por que ele me perguntou: ”O que aconteceu?” Pode isso? Eu olhei para a moto caída e me perguntei, Que parte ele não entendeu? Mesmo assim resisti à vontade mandar ele para aquele lugar. Ele perguntou novamente:”vocês estão machucados?”. Não! Respondi para ele. E disse que a lama estava muito lisa e que a moto tombou e, devido ao grande peso da mesma, nós dois não estávamos conseguindo levantá-la.

Aí foi legal, por que imediatamente eles saíram do carro e se dispuseram a ajudar com a maior boa vontade do mundo. Me senti até mal de ter ficado com raiva dos dois devido à pergunta idiota do cara. Mas então entendi que ele achou que estávamos machucados e que este era o motivo de não termos levantado a moto. Acho que ele nunca sonhou com uma moto que em dois não dá para levantar, ou até mesmo, que ele nunca imaginou que dois imbecis como nós poderiam sair para viajar em uma moto que os dois juntos não conseguem levantar. Hahaha. Sei lá. Mas o fato é que com eles a moto subiu rapidinho e liguei a dita e segui bem lentamente pelos 3m que me separavam do início do asfalto, mesmo que coberto com uma camada de lama que não deixava ver que era asfalto.

Agradeci veementemente aos dois camineros, que ficaram satisfeitos de poder ajudar, mesmo que tenham sujado os pés de lama, não por nós, mas acredito que mais por poder tocar na moto. Eles ficam malucos com a moto.

Seguimos em frente em direção à Concórdia (que eles pronunciam Concôrdia), a cidade que pretendíamos dormir, pois estávamos cansados à beça, a gente estava na estrada o dia todo, cansados mas felizes, mesmo com o tombo, principalmente com o tombo, pois havíamos caído e, graças a Deus, nada tinha acontecido tanto com a moto como conosco, uma grande sorte.

Fomos seguindo pela estrada, entramos na cidade, que dormia, e seguimos pela avenida que parecia levar ao centro da cidade. Concórdia é uma cidade relativamente grande, eu esperava por uma cidade menor que aquela, acabamos encontrando o Hotel Coronado, paramos e questionamos se tinha vaga. Tinha. Perguntamos se tinha garagem. Tinha. Perguntamos se aceitariam que nós, com muita lama nos sapatos poderíamos entrar. Ele disse que não tinha problema. Que bom!



Dei a volta no hotel e entrei com a moto na garagem, estacionei, peguei as bagagens e subi para o hall do hotel. Preenchemos a ficha e o atendente nos levou ao nosso apartamento, que se mostrou muito bom. Com um bom banheiro inclusive com banheira, televisão, etc.

Quando passamos na frente da porta do restaurante, que estava fechado, ele fez questão de dizer que ali era servido o café da manhã e que o mesmo estava incluso na diária. Que legal, pensei, muitas vezes temos que pagar separadamente pelo café da manhã.

Fizemos uma baita sujeira no quarto, pois tinha muita lama em nossas botas e um pouco nas calças impermeáveis de chuva que estávamos usando. A Bê falou para deixar a lama nas botas pois no dia seguinte seria mais fácil de tirar. Ok. Assim foi, se bem que eu pensei que pelo tipo da lama poderia ser que nunca mais fosse possível limpar, nem as botas nem as calças. Mas tudo bem, a vida é feita de marcas mesmo.

Coisa interessante que tinha no hotel era um sistema de calefação a gás, que lembra um aquecedor de passagem, só que o mesmo fica localizado na parte de baixo da parede e o atendente acendeu uma chama piloto e depois aumentou a chama. Perguntei sobre a queima de oxigênio, pois ignorante é assim mesmo, ele me disse que o ar queimado ia para fora. Muito interessante o sistema, o mais interessante é que estava frio pra caramba e a calefação nos pareceu uma maravilha. Eu acho que estava uns 5 a 6 oC.

Dormimos como anjos......


Dia 3: Domingo - 05/09/2010 – Concórdia-AR a Buenos Aires-AR

No dia seguinte, acordamos lá pelas 9 da matina, refeitos. Tomamos banho, nos vestimos e fomos tomar o tal café da manhã que o cara tinha falado na noite anterior. Colocamos a mesma roupa, realmente depois de bater as botas, a lama foi saindo e ficou razoável o estado das botas.
O café da manhã foi interessante. Uma moça muito educada nos indicou uma mesa para sentarmos e disse que traria o café. Ficamos esperando. A moça trouxe uma cestinha com 2 media luna pequenas, algumas torradas (pretas pois estavam passadas) e uma xícara de café para mim e café com leite para ela. Hahaha. Lembramos que o cara tinha dito que o café da manhã estava incluído na diária. Que coisa de louco.

Quando voltamos ao quarto a Bê pediu a uma arrumadeira que estava sentada, esperando que os hóspedes saíssem para arrumar os quartos, um pano para poder limpar melhor as botas. Ela deu e nós fomos ao quarto, aí sim, as botas ficaram novas em folha e as roupas também. Quando chegamos na moto com toda a bagagem, de dia, vimos que tinha muita lama na moto, mas tudo bem, ela estava ótima. Quando olhei para ela vi uma moto feliz, pois estava onde ela nasceu para estar, rodando por estradas longínquas.


Nossa fiel companheira depois do banho de lama.... ela ficou mais linda!!!!
Saímos do hotel e fomos atrás de um caixa para sacar dinheiro, pois até o momento não tinha conseguido esta proeza. Meu cartão funciona lá mas eu não funciono bem com o sistema deles e até que consiga realizar o saque acaba sendo uma odisséia e sempre com medo de ficar sem o cartão, devido a sucessivos erros de opção.

Salto Grande

Achamos o caixa e consegui sacar 600 pesos, que representavam uns 300 reais, o suficiente para o tempo que ficaríamos por lá, considerando que a maioria das contas podem ser pagas com o cartão de débito ou de crédito, a escolher. Naquela hora eu nem fazia ideia do quanto aquele dinheiro me seria útil naquele dia. Depois demos uma volta pela cidade e seguimos em direção ao norte, para ver a Barragem Salto Grande, que fica no rio Uruguay e faz divisa entre Argentina e Uruguay, onde tem uma cidade chamada Salto.

Fomos até a aduana que dá acesso à divisa, mas a única forma de passar seria fazendo a saída da Argentina e entrada no Uruguay e depois de passar por cima da barragem voltar, sair do Uruguay e entrar na Argentina novamente. Achamos que isto iria demorar muito. Desistimos. Fomos seguindo pelo parque nacional criado ao longo do lago, próximo à região da barragem, para ver se conseguíamos ver alguma coisa. Não vimos nada além do lago e um clube muito legal, com hotel e outras infraestruturas como bar, garagem para barcos, pistas de caminhada e bicicleta, em resumo, um lugar muito bonito.

Saímos de lá e seguimos de volta para a estrada. Eu só pensava na lama daquela ligação com a estrada se seria a mesma que tínhamos passado na noite anterior e que acabamos caindo. Graças a Deus, naquele local que passamos tinha muito menos lama que no local da noite anterior. Mas mesmo assim tivemos que ir com muito cuidado pois a moto ia dançando, mas de maneira mais controlada.

Chegamos na rodovia novamente e seguimos em direção ao sul, rumo de Buenos Aires. Estavamos a uns 440km de lá, ou seja, com sorte poderíamos almoçar um bife de chorizo na rua Florida.

Ao longo do caminho vimos diversas fazendas com plantação de laranjas de todo tipo, uma amareladas, como as nossas, e outras alaranjadas. Imaginamos que seriam pomelo, laranja e grape fruit que eles tem por lá e nós não temos por aqui. Ao longo do caminho, praticamente todos os caminhões que vimos estavam carregados com laranjas seguindo, como nós, em direção a Buenos Aires, que além de ser um grande centro de consumo também é onde tem o porto.

Como havia muito pouco movimento na estrada, fomos aumentando a velocidade. Teve um  momento em que estávamos a 160km/h e um Golf (eu acho, pois passou muito rápido) nos passou muito rápido, acho que ele devia estar a uns 250.

E fomos adiante. Certo momento vi que tinha um furgãozinho, tipo fiat, branco, parado logo depois de um pontilhão da estrada. Reduzi levemente a velocidade, mas não foi o suficiente, quando vi o carro mais de perto vi que eram guardas com um radar. Ferrou!!!! falei para a Bê, era radar. Embora eu tenha freiado na hora que vi, acho que estava muito em cima e não deve ter dado tempo de salvar o dia.

Dito e feito, passados uns 2 km tinha uma blitz de guardas camineros e me mandaram parar no acostamento, já não gostei, pois na Argentina eles mandar parar em cima da pista, se ele me mandou para o acostamento é porque iria demorar um pouco mais.




Me pediu os documentos meus e da moto, sem dizer nada. Eu entreguei. Depois disso ele me disse que tinha um radar lá para tráz e que ele tinha me pegado a 126 km/h. Que eu estava muito rápido para o local, acima da velocidade máxima permitida. Eu disse para ele que a estrada era muito boa, que estava com pouco movimento e que a velocidade é 110, com uma folga 120. E que, como o motor da moto é muito bom, eu devo ter me descuidado um pouquinho e acabei passando para os 126. Que eu iria cuidar mais, usando o piloto automático, desta forma não aconteceria de novo.

Ele então me perguntou se eu reconhecia que havia cometido uma infração. Eu pensei e disse que se o radar havia registrado aquela velocidade devia estar correto. Eu na verdade estava dando graças a Deus por ele não registrado os 160, que com certeza seria muito mais complicado para explicar, se é que me pediriam explicação ou me levariam preso de vez.
Aí que ele me falou que na Argentina, no caso de cometermos uma infração e reconhecer que foi cometida, poderíamos pagar a infração a vista no local, lavrando a multa, e que poderíamos seguir viagem. Caso eu não tivesse recursos em dinheiro para pagar a multa, o veículo seria apreendido e eu teria que me apresentar na polícia para retirá-lo posteriormente.

CARACA!!!! Pensei. Quato é a multa? E ele me disse que eram $875,25 e que aceitavam dolar, peso, real, qualquer moeda, mas teria que pagar na hora.

Comecei a juntar os R$190,00 que eu tinha no bolso, que representavam $380,00, faltavam ainda uns $500,00, como eu tinha sacado $600,00 no bendito caixa eletrônico, Yupiii!! escapamos de ficar à pé no meio do nada, do nada mesmo, pois estávamos longe de qualquer lugar. Tive que ficar esperando que o outro guarda estava multando um outro cara, argentino, ufa, não só eu, tinham argentinos também que estavam, assim como eu, pagando pela bobagem.

Quando chegou a minha vez, o guarda me olhou e disse o valor que tinha que pagar e se eu reconhecia a infração. Como antes disse que sim e que havia bobeado. Ele preencheu a multa e me falou: “Você é doido de estar em um país estrangeiro e abusar das leis. Você deveria respeitar as leis quando está no esterior”. Caramba! Que chamada o cara me deu, e o pior, com razão. Expliquei para ele que o motor muito forte e que devo ter bobeado pois a estrada é muito boa e tinha pouco movimento, e que por algum instante devo ter passado mesmo do limite. Novamente disse que utilizaria mais o piloto automático evitando que este problema voltasse a acontecer.

A questão é que quando eu e a Bê fomos ao Chile, passamos por muitos quilômetros pela Argentina e não vimos nenhum radar, desta forma, julguei que isto não era comum na Argentina. Errado eu. Pois depois que seguimos viagem, agora com muito mais cuidado do que antes, pois eu não tinha outros $875,25 para pagar novamente uma multa, logo se me pegassem novamente eu estaria ferrado de verdade.

Quando chegamos a um trecho onde a pista duplicada já estava pronta, eis que vejo novamente um furgãozinho branco parado no canteiro central. Adivinha o que era? Uma fresta da porta traseira aberta e um radar lá dentro. Ainda bem que desta vez eu estava atrás de um caminhão a menos de 60km/h. Aí sim é que aumentei ainda mais a atenção com a velocidade. Pelo jeito quanto mais perto de Buenos Aires chegava maior a fiscalização.

Conforme fomos nos aproximando de Buenos Aires a quantidade de pistas da via ia aumentando, igual aqui no Brasil, não é? Daqui a pouco tinham 3 pistas, depois 5 e depois 7 pistas. Havia uma placa informando “Rodovias Urbanas Argentinas”, achei interessante, pricipalmente porque já devíamos estar na região metropolitana de Buenos Aires. O curioso é que lá a velocidade máxima, na pista da esquerda era 130km/h, depois 120, 110 e assim por diante até que nas últimas faixas era de 60 a 90 km/h.




Como era domingo à tarde, tinha bastante movimento de pessoal voltando para a cidade. Assim, conforme íamos chegando mais perto da cidade maior era o movimento, mas em momento nenhum ficou um movimento excessivo. Logo depois uma placa enorme informando: “Você está no perímetro urbano. Velocidade máxima 40 km/h”. Interessante, pouco importa em que tamanho de avenida você transita, a vlocidade máxima é sempre a mesma, 40 por hora. Logo acaba ficando seguro, pois a esta velocidade é difícil não desviar das besteiras que eles fazem, pois realmente ligam o pisca de um lado da via e vão cruzando todas as pistas, e muitos ficam buzinando enquanto isso acontece, bem interessante. Achei fácil de dirigir na cidade, sendo que entrramos pela 9 de Julho, fomos até o obelisco, fizemos o retorno e fomos até o Hotel Colon, na frente do Teatro de mesmo nome. Estava lotado. Ao lado dele tem o Hotel Panamericano, um baita de um hotel, muito bom e imagino que caro também. Lotado. Aí começamos a descobrir que quase todos os brasileiros estavam lá também devido ao feriado.

Assim resolvemos entrar pelas ruas menores entre a 9 de julho e Florida. Achamos vaga em um Hotel muito ruim e resolvemos seguir em frente para encontrar um melhor. Achamos vaga no Hotel XXXX, bem localizado, na Av. Corrientes uma esquina antes da rua Florida, um ótimo lugar, mas, não sei porque, resolvemos continuar a procurar. A Bê estava com muita fome e começou a reclamar, o que não é comum nela. Continuamos por mais uns 10 hotéis, entre eles o Regal, mas nenhum tinha vaga.

Aí a Bê realmente perdeu a paciência e ficou puta comigo. Nem entendi porque, na verdade por mim eu teria ficado no hotel da Corrientes, mas achei que ela não tinha gostado do mesmo. Bem, mais do que depressa voltei para aquele hotel a fim de nos hospedarmos. Mas o caso é que virei uma rua antes e parei na esquina da Florida e disse para ela que poderia subir à pé uma quadra, já que ela estava reclamando que ficar subindo e descendo da moto estav dando dor no quadril dela. Bem, lá fui eu para a dar a volta para chegar ao hotel, virando uma rua mais para cima que aquela que eu tinha virado antes.

Neste momento eu pensei, estou sozinho e ela ficou lá, caminhando. Se acontecer um acidente comigo, ou com a moto ou comigo mesmo, acho que nunca mais nos acharemos, pois o nosso celular, que é Vivo, não funciona na Argentina, nem no Uruguay, e fiquei preocupado com a possibilidade de acabar não encontrando ela. Depois ela me contou que andou uma quadra, e pensando na mesma coisa que eu, notou que o hotel não ficava na primeira mas sim na terceira esquina, aí ela ficou em dúvida se eu realmente seria capaz de encontrar o hotel. Ela chegou no hotel antes de mim.
Desci na garagem do hotel para guardar a moto e subi com as bagagens. A Bê foi lá em baixo para me ajudar a carregar as bolsas, capacetes, etc. Fizemos o check in, nos deram um apartamento do apart hotel, pois ali funcionavam o Hotel e o Apart Hotel, juntos nas mesmas instalações, achei curioso isso. Levamos as nossas coisas para o quarto e fomos caminhando até o Puerto Madero, agora sim iria começar a parte boa da viagem, comer os bifes de chorizo que eles tem por lá. Quem conhece e gosta de carne sabe do que estou falando.
Puerto Madeiro - Buenos Aires
Fomos à pé descendo pela Corrientes, passamos na frente do famoso número 348, que foi tema do tango do Carlos Gardel, e seguimos abaixo. Chegamos ao Puerto Madero e fomos caminhando pela calçada do lado das docas, como tem muitos restaurantes, fomos indo para escolher um deles.  O primeiro que olhamos tinha o bife a $100,00, achei um absurdo, pois das outras vezes que fomos pagamos $42,00 não poderia ter subido tanto assim. Seguimos em frente e encontramos o restaurante que o João Henrique e a Juliana disseram que haviam jantado quando foram para lá.

Maravilha, era isso mesmo que procurávamos, vimos os preços e eram muito mais razoávei $48,00 pelo bife. Ok, vamos assim mesmo.

Estrebaria

Pedimos vinho, que por lá é relativamente barato, tomamos um Catena Malbec. Estava muito bom, pedimos morcilha doce e os bifes de chorizo, que tem apenas 500 gramas de puro prazer. Claro que antes já tinha passado na farmácia para poder comprar o bicarbonato de sódio e garantir que depois da janta seria possível dormir. Hehe. A hérnia de iato me judia mas vamos lá eu e ela nos suportando, às vezes acho que ela sofre mais do que eu. Haha

A janta foi uma delícia, depois saímos e voltamos para o hotel para dormir porque estávamos que era um caco, de tão cansados.

Chegamos e dormimos novamente, como crianças que brincaram o dia todo com muita energia.....

Dia 4: Segunda-feira - 06/09/2010 – Buenos Aires -AR

Na manhã seguinte, acordamos às 9 da matina novamente, como de costume, tomamos um banho e descemos para o café da manhã, que não estava incluso na diária, eram $70,00 para nós dois. Achei caro, mas achamos que valia a pena já que tinha pomelo (fruta natural), suco natural de pomelo, ovos mexidos e vários tipos de pães e frios, até que era uma beleza de café da manhã. Tomamos um belo café, pagamos já na porta de saída, pois a moça queria nos cobrar na entrada e eu acabei pagando na saída.

Saímos passeando à pé em direção à rua Florida. Vendo vitrines como sempre quando se está acompanhado de uma mulher, quando, em uma loja de calçados, de repente uma pessoa diz: “essa eu conheço!”

Pois não é que era um casal de harleiros que conhecemos aqui em Curitiba quando fomos almoçar na Casa Portuguesa em Itapema? Incrível a coincidência, mas também, eu comecei a achar que a maioria das pessoas de Curitiba estavam em Buenos Aires, porque não estariam este casal também?

Eles falaram que na terça-feira iriam até a loja da Harley em Buenos Aires para comprar camisetas, claro que fiz as encomendas de camisetas para mim e para a Bê, já que nas segundas-feiras as lojas da Harley não abrem. Infelizmente até o presente momento não encontrei mais com eles aqui em Curitiba para ver se compraram as camisetas ou não para nós. Que pena!


Depois de caminhar um tanto pela Florida, comprar poucas coisas, entre elas, uma bota bem legal para a Bê andar de moto, uma capa de gabardini para a mãe dela (que no final mal coube na Juliana, nossa afilhada que é bem magrinha), e algumas cuecas para mim (que infelizmente ficaram muito grandes, pois o vendedor achou que eu era muito mais gordo do que realmente sou, acabamos chegando na Lavalle. Lugar que não podemos deixar de ir quando estamos em Buenos Aires, lá tem as batatas fritas cortadas em forma oval e que quando fritas elas incham e ficam como bolinhas, muito bom, claro que o objetivo principal é que elas acompanham o bife de chorizo de 500 g mal passado. “ hummmmm!!!!!” é bom demais.....

Famoso "El Palacio de La Papa Frita"
Galerias Pacífico
Na parte da tarde continuamos passeando por lá, fomos ao shopping "Galerias Pacífico" na Florida com a Cordoba (eu acho), estávamos procurando por um presente para o Lucianinho, claro que para vovôs só importa o neto para comprar um presentinho, mesmo quando se viaja de moto, para o neto cabe. Hehehe.

Quando já estávamos desistindo, pois parece que os argentinos não tem muito bom gosto para roupas de criança, acabamos encontrando uma loja, no subsolo, que tinha roupas muito legais e começamos a procurar, até que achamos um conjuntinho de roupa que ficou muito radical, o tamanho parecia adequado, compramos e fomos embora, eu diria que fiquei extremamente satisfeito com o presente, pois já vi o moleque vestido com a roupinha e na minha imaginação ele ficou realmente muito bem. Depois que chegamos e demos o presente a Cintia disse que a roupinha não serviu. Confesso que fiquei muito triste com a notícia, não pude ver ele vestido nenhuma vez sequer com a roupinha. Que pena.

Andamos muito ainda pelo centro da cidade. Quando já era final de tarde, na verdade já estava anoitecendo, fomos até a estação do Buque Bus para ver se aprendíamos como se faz para viajar no ferry boat, pretendíamos ir até Colônia de Sacramento na manhã seguinte. Descemos pela Corrientes até o Puerto Madero, prestando muito a atenção nas ruas que davam mão, para que na manhã seguinte fosse possível nós chegarmos lá de moto.


Chegamos no local da estação, que é muito bacana, e compramos os tickets para nós dois e para a moto, perguntamos os detalhes de como teríamos que fazer na manhã seguinte, por onde entrava a moto e a gente, etc.

Voltamos para o hotel e na manhã seguinte, novamente tivemos que pagar pelo café da manhã, pois não estava novamente incluso na diária do hotel, depois entendemos que na noite anterior estávamos no apart hotel e não no hotel. Ambos ficam no mesmíssimo lugar. Coisa meio estranha, mas funciona até que relativamente bem.


Dia 5: Terça-feira - 07/09/2010 – Buenos Aires-AR a Santa Maria-RS

Depois do café, com toda a bagagem em mãos, voltamos a encontrar a moto no estacionamento, ela ficou bem feliz de nos ver e retornar para a liberdade......


Saímos pelo caminho que havíamos andado à pé na noite anterior, entramos no estacionamento dos veículos da estação do Buque Bus e fomos até a área do check in, enfrentamos a fila, saímos de lá, passamos pela alfândega, carimbamos os passaportes, seguimos em frente até um ponto onde os motoristas desciam pelas escadas e os pedestres seguiam em frente para embarcar.

Eu desci, cheguei até a moto, mostrei os documentos da moto, passaporte, para pelo menos dois ou três funcionários da Polícia Federal deles e finalmente pude seguir para dentro do porão do navio. Me indicaram onde eu deveria estacionar a moto e um marinheiro veio amarrar nos quatro canto para evitar que ao longo da travessia a moto se mexesse de lugar.


Subi para a área de passageiros e encontrei a Bê. Fiquei impressionado com o lugar, vária filas de bancos, na verdade poltronas, como de avião, só que muito maior que o avião. Na verdade acho que devia caber umas 8 vezes mais que em um avião de grande porte, tipo para viagens internacionais.

Tinham vários cafés e um free shop bem bacana. Procurei a vodka Absolut de Pimenta, que a Pat e o Zani nos serviram em uma caipira em Londrina e que nunca mais tomei nem encontrei para vender, minha esperança era bem grande de encontrar lá, mas nada feito, não tinha. Tinha Absolute de uns 6 sabores diferentes, mas a de pimenta que eu queria, esta não tinha. Tudo bem, comprei uma barrinha de chocolate mesmo.

A travessia foi muito interessante, os 70 ou 80km de distância que separa Buenos Aires de Colônia de Sacramento – UY, foram percorridas em aproximadamente uma hora. Muio rápido para um barco do tamanho daquele. A única coisa que me deixou triste foi não poder ir para o lado de fora, no deck do barco, teria sido muito legal poder ir lá para fora. Pena.

A travessia foi tranqüila, não deixei de comer um sanduiche e tomar um café e uma água. Foi legal.

Chegamos no Uruguay e desembarcamos, passando pela alfândega, os guardas ficaram muito impressionados com a moto e vieram ver e comentar, assim acabamos ficando por último para sair da área de controle. Enchemos o tanque da moto e perguntei no posto onde ficava a área histórica da cidade. Ele me mostrou e seguimos para lá. Era bem perto de onde estávamos. Notei que os motociclistas estavam dirigindo sem capacete, parei em uma esquina e perguntei ao guarda que estava lá se era obrigatório o uso de capacete, pois muitos estavam sem e como o uruguaio é muito respeitador de leis assim não seria se fosse proibido.
O guarda me recomendou que usasse para minha segurança, mas que apenas no mês de outubro que passaria a ser obrigatório o uso. Como estava muito calor, tirei o meu capacete e fui sem o mesmo. Que delícia, um calor danado e sem capacete foi muito legal. A Bê não quis tirar o dela e sabe que é interessante que a gente se acostuma de tal forma com o uso do capacete que quanto tira o dito fica com uma sensação de insegurança do cão. Ao menos no começo, logo depois a gente vai relaxando, mas na verdade, o hábito faz o monge.

Quando chegamos na parte mais antiga da cidade foi uma visão muito bacana. Carros antigos por todos os lados, caminhões antigos também, casas e ruas com calçamentos muito antigos, deninciando que a cidade teria mais de 200 ou 300 anos. Uma vila muito antiga e uma parilla, o principal é isso, uma parilla. Hehe. No Uruguay o chorizo é tão bom ou melhor que o da Argentina, que já é um absurdo de bom. (que saudade!!!).
Depois do almoço, saímos em direção a Curitiba, só que as direções ainda eram outras. De cara saímos em direção a Montevideo, pela estrada imperial (acho que este é o nome), ladeada de palmeiras maravilhosas, uma a cada 20m, por uns 50km, pelo menos. É realmente impressionante, principalmente se considerarmos que estas palmeiras, pela quantidade de anéis e pela altura, deviam ter mais de 100 anos, ou seja, naquela época eles estavam preocupados com este tipo de coisa. Acho que chegaram lá muito antes de nós brasileiros.

A viagem pelas estradas do Uruguay são sempre muito agradáveis, o tempo estava maravilhoso com muito sol e céu azul, desta forma fomos seguindo rumo leste, até um posto de combustíveis em San Jose de Mayo, onde tinha a escultura de um motociclista.
Além de abastecer a moto, tomar uma água e um café, então fomos até a estátua para render homenagem à nossa família. Hehe

Seguimos em frente, sendo que neste ponto trocamos de rodovia e seguimos rumo norte, saindo da via que nos levaria até Montevideo e seguindo pela em Ruta 3 em direção ao Brasil, não que esta fosse a melhor opção, mas sim apenas porque nos levaria de volta para casa enquanto a vontade é sempre de seguir em frente.

Passamos por um local chamado Durazno (pêssego) e achamos muito legal quando passamos por Paso de Los Toros, cidade onde a mais de 100 anos foi produzido o refrigerante de pomelo que recebeu este nome em homenagem à cidade e que adoramos tomar sempre que estamos na Argentina ou no Uruguai. Pena que no Brasil não tem, às vezes penso que seria um bom negócio importar para vender aqui.

Passamos ainda por Tacuarembó, que segundo os Uruguaios é a cidade onde nasceu Carlos Gardel. Esta é uma história muito mal contada, como diz a Bê, filho feio não tem pai, mas neste caso, todos querem ser o pai. Já ouvi até meu pai contar que Carlos Gardel nasceu na França, veio junto com a mãe dele para o Uruguai e que somente depois ele se mudou para a Argentina onde acabou se tornando um cantor famoso. Sei lá. Os uruguaios dizem que ele era de lá. Inclusive quando passamos pela cidade tinha uma placa de chamada para a cidade natal de Carlos Gardel.

E seguimos sempre no rumo norte. Em algum local, ainda era de dia, encontramos um motociclista brasileiro e sua companheira, parados em uma blitz de policiais. Ainda bem que alguns motoristas que cruzaram por nós deram sinal de luz e, principalmente um ciclista, acenou com a mão avisando para reduzir a velocidade. Obedeci e passei bem devagar pelos guardas que estavam, assim como sempre fazem aqui, escondidos sob a sombra de uma árvore. O motociclista brasileiro estava lá a se explicar e passei por eles.

Depois fiquei me perguntando se não deveríamos ter parado para ver se eles precisavam de ajuda, pois, como quando fui parado na Argentina, se eu não tivesse o dinheiro para pagar a multa à vista e na hora, acabaria ficando com a moto presa. Esta preocupassão foi me seguindo até que vários quilômetros à frente o cara me passou, e eu poderia afirmar que bem embalado, ele deu uma buzinada e passou, bem quando a gente saia da pista para entrar em um posto de combustíveis.

Já era noite quando chegamos na fronteira, mas, antes de sair do Uruguai e entrar no Brasil, precisávamos jantar. Claro que nosso interesse era achar uma “parilla” . Procuramos no GPS e seguimos os caminhos por ele indicados em Rivera, que faz divisa com Santana do Livramento. Acabamos indo parar em uma rua sem saída e ficamos um tanto preocupados, até mesmo porque um grupo de pessoas apareceram de traz de um muro quando paramos a moto em frente de um grupo de prédios de quatro andares, do tipo popular. Parecia um lugar de classe média mas em locais de fronteira, que costumas ser perigosos, era uma situação de risco.

Saímos dali rapidamente, fazendo a volta e retornando para a estrada de onde viemos, uns 500m antes, havíamos passado por um sinaleiro de onde derivava uma avenida, que, parecia ser o acesso principal da cidade. Retornamos e entramos nela. Deu certo e chegamos mesmo em uma avenida bem movimentada, com uma quantidade grande de bares e restaurantes, hotéis, etc.  Finalmente achamos um hotel que tinha uma churrascaria em baixo, muito bem arrumada e cheia de gente comendo.

Fui direto para ver como era a churrasqueira e me certifiquei de que era do tipo uruguaia. Ufa! Não era brasileira a churracaria, logo, teríamos a nossa última e gloriosa refeição à base do bife de chorizo, que no Uruguai se chama entrecote. Claro que pedimos também a lingüiça de sangue doce. A janta foi maravilhosa, como sempre quando se escolhe uma carne no Uruguai.

Depois da janta resolvemos seguir em frente e cruzamos a fronteira, ou seja, cruzamos a avenida. Uma avenida com canteiro no meio que serve de fronteira entre o Brasil e o Uruguai, as duas pistas tem mão dupla, sendo um lado a avenida num país e o outro lado no outro. Colocamos gasolina no lado brasileiro e fomos seguindo em busca de um hotel. Acabamos encontrando a estrada e fomos indo, indo, indo e acabamos dormindo em Santa Maria, que fica uns 230km de Santana do Livramento. Só nós mesmo, para fazer este tipo de doidera. Chegamos em Santa Maria já passava da meia noite. Achamos um Hotel  na avenida de entrada da cidade, tinha garagem e um quarto de casal, não tivemos dúvida, ficamos por lá mesmo.



Dia 6: Quarta-feira - 08/09/2010 – Santa Maria-RS a Curitiba-PR

Na manhã seguinte, tomamos café, como sempre lá pelas 9 da matina. Pedimos ovos mexidos e ela nos trouxe. Conversa vai conversa vem, a Bê acabou ganhando dela umas sementes de pimenteira para plantar aqui em casa. Ela trouxe e plantou, o que é mais interessante, brotou na floreira. Agora estamos acompanhando o crescimento dela para ver se fazremos ou não um molho de pimenta desta pimenteira, mas elas ainda terão que crescer muito.

Depois do café, o dia continuava lindo e ensolarado, levamos as bagagens para moto e continuamos seguindo para o norte. O GPS nos indicou um caminho praticamente reto para Curitiba, achei o caminho muito bom, seguimos por ele. Primeiro em direção Cruz Alta.


No caminho para Cruz Alta, saímos para ultrapassar um caminhão que levava carga especial, e a moto deu uma derrapada estranha, reduzi a velocidade e balancei o guidão, a moto dançou um pouco, falei para a Bê: que sacanagem, o nosso pneu traseiro furou.

Seguimos um pouco mais, buscando por um local seguro para estacionar no acostamento. Como não aparecia local nenhum e moto continuava sambando, parei no acostamento mesmo. A Bê desceu, lutei para baixar o pé de apoio pois a moto estava muito baixa. Quando olhamos o pneu estava baixo, mas graças à tecnologia do mesmo, ele não abaixa totalmente e protege o aro, permitindo que se continue por alguns quilômetros.

Peguei o tubo do tyre repair, que sempre carrego junto quando viajamos de moto e pensei se arriscaria colocar no pneu ou se seria melhor seguir até um borracheiro com o pneu furado mesmo. O problema é que cada vez o pneu estava mais baixo e achei que valeria a pena tentar consertar o pneu.

Chacoalhei a lata e rosquiei a ponta da mangueirinha dela no pino da roda. Rezei um pouquinho e apertei o botão com a lata em pé. Milagre! A Bê começou a dançar atrás da moto, festejando que o pneu estava subindo, ela festejou muito mesmo, fiquei rindo enquanto, deitado no chão, via ela pulando e o pneu subindo. O problema que começou a me preocupar é que eu ouvia o ar vazando do pneu, ou seja, o furo era grande mesmo. Quando a vazão do gás da lata começou a parar de sair, vi que vazava mais do que entrava no pneu, me levantei e falei para a Bê, vamos depressa para que a roda rode e o produto esquente e gire no pneu para vedar o furo.

Eu não sabia se tinha que ter tirado o prego para colocar o produto, que é à base de látex, ou se não poderia tirar, a lata não dava explicações a este respeito, apenas dizia que poderia ser utilizado em pneus com ou sem câmara de ar, o que foi muito confortador, pois esta era uma de minhas dúvidas.

Seguimos até o próximo posto, que estava a 34 km de distância, parecia que a moto estava estável, logo, o pneu deveria estar cheio. Nem quis parar para ver, vai que ele acabaria esvaziando. Quando chegamos no posto, 34km depois, pedimos pelo borracheiro e o atendente disse que ele morava em uma curva da estrada uns 5 km para trás. Poderíamos ir até a casa dele ou ele chamaria o borracheiro para nos atender, mas aí ficaria mais caro, pois ele teria que se deslocar.

Que saco! Perguntei se tinha calibrador, pelo menos para ver como estava o pneu. Ele me disse que ficava trancado com as coisa do borracheiro e que não dava para usar. Que merda de posto aquele, até que tinha boa aparência, mas era uma merda.

Segui em frente, vi que o pneu estava aparentemente cheio, e fomos até o Próximo posto que ficava longe pra caramba, mais uns 42km adiante.

Quando chegamos lá, era um posto bem melhor. Tinha borracharia e restaurante ate de ducha rápida.

Coloquei gasolina e calibrei o pneu que estava com 21 lb. Coloquei 40 e fomos informados pelo frentista que o borracheiro estava almoçando e voltaria às 2 horas. Aproveitamos para almoçar ali mesmo. O restaurante estava cheio de gente e a comida parecia boa. Comemos e quando saímos o borracheiro já estava aberto. Fui até lá e a primeira coisa que ele me disse foi. Não arrumamos pneu de moto. Eita!!! Eu argumentei que era pneu sem camara e que a Bê havia visto onde o furo se encontrava, seria apenas colocar aquela minhoca de reparo e pronto. Nem seria necessário tirar o roda nem nada. A pressão do pneu já havia diminuído para 32 lb, o que indicava que o pneu estava esvaziando mesmo.


Colocamos o bico em baixo como estava quando eu coloquei o tyre repair e a Bê mostrou ao rapaz onde ela tinha visto a espuma branca que vazou pelo furo, antes de ela subir na moto lá no local onde tinha furado. O rapaz localizou o furo e consertou. Ok o trabalho ficou uma merda, porque no final tive que trocar o pneu, mas que viemos até Curitiba com ele viemos.


Nossa próma parada foi em Passo Fundo, em um posto no meio da cidade, onde abastecemos e tomamos um cafezinho. Seguimos em frente, cruzamos o rio Uruguai, passamos do lado de Fraiburgo, terra da maçã, que um dia gostaríamos de conhecer, passamos ao lado da entrada para Ouro e Capinzal, terra em que nasceu o meu cunhado Alcidir, depois por Lebon Régis e acabamos por cair na BR-116, velha conhecida, e depois de muito movimento na chegada de Curitiba, quando se passa por Fazenda Rio Grande principalmente, chegamos em casa, até que nem era tão tarde, pois naquele dia, havíamos pegado uma puxada de 830 km, ou seja, acabamos vindo de Colonia Del Sacramiento em dois tiros de pouco mais de 800 km cada. Foi muito tranqüilo.


Fim..... e até a próxima....

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Punta e Montevideo

TRAJETO: CURITIBA – MONTEVIDEO - CURITIBA

PERÍODO: 17 a 21/04/2010

TOTAL DE QUILÔMETROS RODADOS: 3.200 km


VIAJANTES:
Harley Davidson Eletra Ultra Glide Classic: Luiz e Bê
Harley Davidson Dyna Custon: Daniel

Dia 1: 17/04/2010 – Curitiba – Rio Grande - 962 km

Levantamos cedo, as bagagens haviam sido arrumadas na noite anterior, após retornarmos de um encontro com amigos no bar Folha Seca. Voltamos para casa às 10:30 da noite e arrumamos as bagagens do jeito que deu, nem preciso citar que me esqueci de algumas coisas, como por exemplo a pala-clava, ou joana d´arc, não sei a diferença entre um e outro.

Foram:
2 calças (uma no corpo e uma sobressalente);
5 camisetas (1 para cada dia);
1 ciroula;
1 havaiana (que nem usei);
1 bermuda (que também não usei);
Meus remédios (que gostaria de não precisar usar);
higiene pessoal;
Jaqueta, luvas e bota de couro;
Roupa de chuva (que usei muito no caminho de volta);
mini note book, máquina fotográfica e o GPS;
Protetor solar, é lógico.

Eu fiquei com uma bolsa lateral e a Bê com a outra. No tour pack foram a mochila com o micro, as capas de chuva e outros pequenos detalhes (capa, GPS, rede, extensor, tyre repair, ferramentas, etc.).

Saímos sem tomar café da manhã, e fomos até o ponto de encontro, um posto de gasolina localizado próximo do final da Fagundes Varella. Havíamos marcado às 7 da manhã e saímos de lá às 7:05. Infelizmente o atraso foi por conta nossa mesmo, pois chegamos e o Daniel estava nos esperando.

Como já estávamos com o tanque cheio saímos em seguida, como nenhum de nós havía tomado café da manhã, combinamos de seguir e parar em algum local para o primeiro abastecimento e tomaríamos café da manhã lá.

Assim foi, seguimos em direção ao sul pela BR-116, andamos uns 60km e deu vontade de ir ao banheiro, estávamos em Mandirituba. Paramos em um posto, abastecemos e ao lado tinha uma boa lanchonete. Tomamos nosso café da manhã, tiramos algumas fotos, rimos um pouco e aproveitamos o dia lindo que estava fazendo. Céu azul e previsão de que teríamos sol até no dia 21 de Abril, por isso eu acredito que a ignorância é uma benção mesmo, nem imaginávamos a chuva que teríamos que enfrentar por mil, isso mesmo 1.000 km, mas isso somente na volta, neste momento estávamos admirados com o dia maravilhoso que fazia.

 Conversamos um pouco sobre a esposa do Daniel, Ana Paula, que infelizmente, por razões de saúde não pode ir junto, mas estamos ansiosos esperando que ela se recupere logo para nos acompanhar em nossas loucuras, já que no final do ano, devido aos mesmos problemas ela não pode ir com a gente até o Chile. O Daniel nos informou que ela está muito bem e que ficou meio chateada por não poder ir junto, o que é normal. A Bê disse que ficaria uma pilha se tivesse que ficar.

Posto em Mandirituba - Daniel e as Motos



Saímos de Mandirituba em direção a Porto Alegre e tínhamos combinado de parar a cada 200km, mas aconteceu que fomos além, acabamos andando mais que isso, o que fez com que a bunda ficasse um tanto dolorida. Fizemos uma parada para abastecimento e seguimos até um restaurante muito interessante que já conhecíamos da vez que fomos com o Conrado para Bento Gonçalves. Decidimos não almoçar ainda, pois poderíamos almoçar mais tarde em Vacaria, abastecemos a moto, mas apenas R$15,00 o Daniel e R$20,00 eu, pois o posto não parecia ser dos melhores e ficamos desconfiados, mas estávamos com os tanques vazios e o próximo posto ficava a mais de 40km. Abastecemos no primeiro posto de qualidade que encontramos e seguimos para Vacaria-RS.
Rio Pelotas: Nós 3 na divisa deSC e RS

 Um capítulo à parte da viagem foi a travessia do rio das Antas. Uma serra muito bonita e fizemos uma parada estratégica antes de cruzar a ponte. Nesta parada aproveitamos para tomar um copo de suco de uva, de garrafão, produto da região, pois estávamos na região da serra gaucha conhecida pela produção de uva e vinho.


Margem do Rio do Rastro - Bê feliz
Descansamos um pouco, brincamos com as senhoras que nos atenderam, pois elas estavam tricotando blusas de frio para o inverno, que lá não deve ser mole não, já que, segundo elas, o sol não costuma dar muito as caras por lá, e seguimos em frente, na direção de São Marcos. Para chegar em São Marcos passamos por uma serra muito cansativa, pois somente depois é que ficamos conhecendo a outra estrada que desvia desta serra, com muito menos curvas. Nesta hora é que a gente fica com um pouco de raiva do GPS, pois ele não nos mostra o melhor caminho. Passamos por São Marcos e por Nova Petrópolis, que fica ao lado de Gramado e Canela, e seguimos rumo a Porto Alegre.

Chegamos em Porto Alegre e nos impressionamos com os viadutos, seguimos rumo à cidade de Rio Grande, onde possivelmente dormiríamos, a outra opção era Pelotas, mas se conseguíssemos chegar a Rio Grande seria melhor, pois no dia seguinte teríamos mais tempo para conhecer Punta del Este, no Uruguai.

Paramos para abastecer em um posto legal que tinha um bom restaurante e jantamos lá. A janta estava boa, eu e a Bê comemos no Buffet por pessoa e o Daniel comeu alguns salgados e tomou uma sopa.

Tivemos que rodar um pouco à noite, mas chegamos em Rio Grande, ou seja, sucesso total no primeiro dia de viagem, todos nós estávamos cansados, mas felizes por estar rodando. Aí foi uma luta para procurar um hotel que fosse bom e barato, pois pretendíamos apenas dormir e sair no dia seguinte cedo, e cansados como estávamos, qualquer cama seria muito macia e confortável.

Acabamos ficando no Hotel Paris, que foi inaugurado em 1806, ou seja, 2 anos antes da família real se mudar para o Brasil. Mas é um bom local para dormir, pé direito de uns 5m de altura, o quarto enorme apenas uma cama de casal, uma escrivaninha, um guarda roupas e mesinha de apoio para as malas. Embora seja isso mesmo que tenha em todos os hotéis, a diferença é que neste caso o quarto ficava completamente vazio, pois o mesmo tinha algo como 8x8m, ou seja, uns 60m2 para a mobília. Ainda tinha o banheiro, que era quase do mesmo tamanho e tinha um box, uma pia pequena e um vaso sanitário, sendo que cabiam ainda umas 5 banheiras de hidromassagem e alguns sofás para encher o ambiente. hehe.


Fachada Hotel Paris - Rio Grande/RS

Hal de Entrada Hotel Paris - Rio Grande/RS


   













Hotel Paris - Acesso aos quartos no térreo
Como previsto nos deitamos e dormimos como crianças que foram a uma festa e brincaram muito, uma beleza.



Dia 2: 18/04/2010 – Rio Grande - Montevidéu - 563 km

Combinamos de acordar cedo para tomar café às 7:30h, planejando sair às 8:00h e foi o que fizemos. Neste hotel não tinha ovos mexidos, que é uma coisa que nunca como em casa mas que adoro comer quando me hospedo em hotéis, de qualquer forma o café foi bom.

Notei que o pneu traseiro da minha moto havia ficado careca, quando saímos de Curitiba ele estava até que em ordem, mas já havia ficado careca, mais uma coisa para fazermos em Montevidéu, visitar a loja da HD e trocar o pneu traseiro da minha moto que estava com quase 17.000km.

Saímos de Rio Grande e seguimos animados em direção ao Chuí. Eram apenas 242km, enchemos os tanques ali e a idéia seria a de encher o próximo tanque com gasolina de verdade, já no Uruguai. Sabíamos também que ao longo do trajeto existe uma reserva biológica e que no trecho não tem nenhum tipo de apoio.

As paisagens da região foram ficando cada vez mais bonitas. Uma planície, que o GPS indicava altitude de 12m, em muitos trechos com locais alagadiços, era o chaco ou o pampa, quando chegamos na reserva, as paisagens ficaram ainda mais bonitas, acabamos parando para tirar fotos. Coisa curiosa que notamos é que embora seja uma reserva biológica, haviam muitas cabeças de gado pastando no local, mas muitas mesmo! Uma verdadeira fazenda de criação de gado. Deve ter algum político que cria gado lá, pois outros não conseguiriam este feito.

Quando fui subir na moto, dei uma bobeada e deixei que a moto se inclinasse mais do que devia para o lado direito e pufh! tombou até o chão, nem tentei segurar pois já aprendi que quando se tenta segurar uma moto pesada como é a ultra a gente só consegue é se machucar. Aí, calmamente tentando aproveitar a experiência, pois foi a sétima vez que a moto tombou, graças a Deus sempre parada, tentei aplicar uma dica que me deram para levantar a mesma, apoiando as costas no tanque e pegando com uma mão no guidão e com a outra nas barras do mata-gato, nem preciso dizer que não consegui. Aí a Bê fez um pêndulo do outro lado e eu e o Daniel levantamos a dita. Até que assim foi fácil, finalmente encontramos uma solução para levantar a bicicletinha.

Reserva Biológica do Taim: Luiz e Daniel

Minha querida Bê

Seguimos em frente, observando a farta fauna do local. Aí resolvemos acelerar um pouco mais para render um pouco, pude confirmar que a moto realmente não atinge a velocidade máxima em sexta marcha e sim em quinta, hehe. A aventura de altas velocidades não durou muito porque temos juízo, mas que dava vontade de manter isso dava, pois andar em retas não é mole não, principalmente quando não tem movimento quase nenhum.

Chegamos ao Chuí até que relativamente rápido, passamos pela Receita Federal do Brasil, declarei o GPS apenas. Lá havia um grupo de moto, todos de Campo Mourão, interior do Paraná, um pessoal bem animado. Em seguida chegou outro pessoal de SP, também muito gente fina. Estes nós voltamos a encontrar no local onde almoçamos posteriormente, embora eles já tivessem almoçado no Chuí.
       

Chui - Fronteira Brasil/Uruguai



Depois da Receita fomos até um local onde tinha uma placa bem grande "Vende-se Carta Verde" e nós tínhamos que comprar a dita carta para poder transitar no Uruguai. Para quem não sabe, esta carta é um seguro contra terceiros, válido no Uruguai. O pior é que eu achei muito cara a dita cuja, custou R$68,00 por 3 dias apenas, coisa de louco, pois quando nós passeamos pela Argentina e Chile no final do ano, paguei mais ou menos o mesmo preço para 30 dias e válida para os dois países, mas tudo bem, faz parte, quem mandou não se programar melhor.

Compramos a nossa carta e seguimos em direção ao Uruguai, fizemos a aduana, apresentado os documentos, passaporte, documentos do veículo e a tal da Carta Verde.


   
Seguimos em frente, agora já no exterior (hehe). Rodamos um pouco, e como todos sabem, quando se anda no exterior deve-se respeitar a legislação logo, fomos respeitando as velocidades, e chegamos à Fortaleza de Santa Teresa. Entramos lá para dar uma olhada. O local é muito bonito, bem conservado e grande, uma senhora fortaleza, construída por Portugueses e depois terminada por espanhóis. Não conseguimos entender muito bem a história, pois fica relativamente longe do mar, não fica no ponto mais alto na colina? Sei lá o que tinha de especial e a que fim servia a fortaleza.

Haviam maquetes das fortalezas do Uruguai, inclusive aquela que deu origem a Montevidéu, e que hoje é a praça central da cidade onde tem um panteão em homenagem ao General Artigas, o grande herói nacional da República Oriental do Uruguai.

Fortaleza de Santa Tereza - Acesso


Portão Principal


Bê entre os canhões




e..... ninguém acreditou que ela estava sofrendo


Muito inxerida esta Bê


Maquete das Fortalezas


Daniel e Luiz em reunião


Daniel e o soldado no Paiol da Fortaleza
Ficamos por lá mais de uma hora e seguimos em direção a Maldonado, que fica na entrada de Punta del Este. Ao longo do caminho fomos vendo muitas estradas que levam ao litoral onde, no verão, deve ser muito agitado. Há também muitas fazendas de gado, onde a grande maioria da raça Hereford, também alguns que me pareceram ser holandês e Angus. Não é à toa que a carne deles é de excelente qualidade como aquela que se come na Argentina.

Daniel esticando as pernas


Maria Esther - Restaurante

Churrasqueira Uruguaia
Pudemos confirmar isso durante o almoço em um restaurante chamado Maria Esther ao lado de um posto na entrada da cidade de Castillos. De cara chamou a minha atenção o tipo da churrasqueira, que parecia uma lareira, só que mais alta, e com alguns aparatos para queimar lenha e não carvão. Aí o churrasqueiro ia puxando a brasa para debaixo das carnes que ele estava assando, muito bacana mesmo o esquema, achei bárbaro. Pedimos uma lingüiça e uma morcilha (aquela de sangue), que eu na verdade nem sou muito fã, mas como a Bê gosta muito, pedimos. Quando provei a morcilha fiquei de queixo caído, pois o sabor é fantástico, têm amendoim, uvas passas e não sei o que mais nos temperos que torna a morcilha simplesmente um manjar dos deuses, sem nenhum exagero. Quem for ao Uruguai precisa experimentar mesmo que não goste de morcilha, pois o sabor é algo inexplicável.

O Daniel que não come carne vermelha pediu um peixe, que segundo ele estava muito bom, e eu e a Bê comemos mais mocilha, a lingüiça de entrada e um bife de entrecote, que é o contrafilé ao estilo bife de chorizo da Argentina, não preciso dizer mais nada, pois quem conhece e gosta sabe do que estou falando. A minha única reclamação ficaria por conta de que a carne estava um pouco passada e embora tenhamos pedido mal passada eles têm um padrão um pouco além do que preferimos, mesmo assim estava esplêndido.

Quando estávamos terminando de almoçar, lá pelas 4 da tarde, chegaram os motoqueiros de SP e pararam lá também. Nós encerramos a conta e partimos com eles para Maldonado, mas ao longo do caminho cada grupo foi seguindo seu ritmo e ficamos sozinhos, pois afinal de contas juntar mais gente é arrumar mais divergências e nós não precisávamos de mais gente. Assim chegamos em Maldonado, com um tempo danado, onde parecia que ia chover, mais do que isto, parecia que estava armando uma tempestade daquelas, pois ventava muito e estava muito fechado.

Chegando em Maldonado paramos em um posto que depois descobrimos que a outra HD que estava parada lá era do dono, um sujeito muito bacana, pois como ainda não tínhamos achado um caixa automático para sacar dinheiro, não tínhamos dinheiro para comprar nada que não fosse pago com cartão. Pois não é que o dono, mesmo sem saber que não tínhamos dinheiro, nos ofereceu 3 cafés expressos, que era exatamente o que estávamos querendo no momento. Muito legal o cara.

Neste posto colocamos combustível e as capas de chuva, como estava anoitecendo, eram 18:00h, decidimos que iríamos para Punta del Este na próxima viagem, quando a Ana Paula estivesse junto conosco e seguimos pela rodovia Interbalneária direto para Montevideo. De fato começou a chover logo e fomos seguindo por uma estrada maravilhosa de pista dupla, com um pessoal muito educado no volante e uma estrada muito bem policiada. Foi uma viagem tranqüila, mas com chuva.

Fiquei muito surpreso ao ver o Aeroporto de Maldonado, uma obra de arquitetura e engenharia de impressionar, e em seguida acabamos passando pelo aeroporto de Montevideo, outra obra de assustar pela beleza. Aí o GPS resolveu nos mostrar certos caminhos de Montevideo que foi de lascar. Mas, faz parte, acabamos chegando ao centro e ao Hotel que o Daniel já conhecia, Hotel Embajador. O preço relativamente bom e depois vimos que poderíamos ter pago menos, mas tudo bem, estávamos em nosso destino final.

Fomos atrás de localizar os dados da loja da HD em Montevideo, para que eu pudesse trocar o pneu traseiro, além de comprar umas camisetas de lá e fomos jantar, à pé, em um restaurante chamado Bar Hispano. Comemos um "chivito", que é um bife de mignon com queijo em cima sobre uma cama de batatas fritas, o Daniel comeu outro peixe, e depois é que começou o melhor, pedimos de sobremesa um pote de creme com sorvete e morango, de tamanho descomunal. Não dá para comer aquilo nem em três, acabou sobrando um bom tanto mas valeu pelo inusitado da dica que o Daniel deu para a pedida.


   
A sobremesa. A Bê se emocionou com o tamanho mas acabamos encarando.


Voltamos à pé para o Hotel e dormimos como anjos, no dia seguinte marcamos de tomar café mais tarde um pouco, às 9:00h e ir para a HD.








Dia 3: 19/04/2010 – Montevideo

Conforme haviamos combinado, descemos para o café no raiar das 9 da madrugada, pois por mim e pela Bê dormiríamos até meio dia, mas aí seria uma burrice enorme, ir até Montevideo para ficar dormindo. Durante o café até que tivemos um papo cabeça, daqueles muito filosóficos.


Montevideo: Nosso Hotel e a Loja da HD (fechada)

    Vou tentar registrar aqui a nossa conversa e as idéias que rolaram lá naquele dia. Estávamos eu a Bê e o Daniel a tratar das questões relacionadas ao pouco respeito que os filhos desta geração tem tido pelos pais, professores, etc. O que tem levado a uma situação de estrema liberdade para eles. Nesta situação de liberdade eles não têm mais parâmetros a seguir, ou limites pré-estabecidos, como tínhamos nós nas gerações anteriores. Assim, sem limites, os jovens são simplesmente "soltos no meio do oceano", sem fronteiras claras.

Nestas condições, eles têm que realizar todas as escolhas, todas mesmo! Tais como: devo gostar de homens ou mulheres? Devo ter uma família quando crescer? Devo ter minha casa ao crescer? Devo ter filhos? etc., etc. Aí veio a pergunta fatal: onde isso nos levará? E o Daniel falou: a um líder ditador. Lembramos do Hitler e das condições existentes na Alemanha pré-nazista. Foi um papo meio maluco mas que deixou eu e a Bê muito pensativos com o tema e o pior é que até hoje não posso me esquecer das nossas conclusões e não consigo ver alternativas para compor outro fim, de tão lógico que ele me parece, pois afinal de contas, um líder como aquele (ou o Che) daria o tão desejado e tranqüilizador limite aos jovens.

A conversa passou ainda pela natureza humana, onde eu defendi meu ponto de vista de que os homens agem como agem devido à sua natureza e que não é possível mudar tal destino, como exemplo o fato de sermos governados sempre pelos "piores", ou mais maldosos e aproveitadores. Dificilmente poderemos exemplificar um governante que fosse de boa índole. Por exemplo, na Rússia, a revolução comunista, fundamentada nas idéias de Karl Max foram implantadas por Lênin e ao final o Stalin mandou matar Trotski. Tolstoi, assumiu o poder e transformou tudo em pura maldade e exploração, separando para seu grupo político uma vida de riqueza e para os que se apresentaram contra o sistema, execução. Muito parecido com as idéias comunistas do mundo todo. Em Cuba a mesma coisa, quem concorda vive quem não concorda morre ou vai preso e morre de greve de fome, como foi o caso deste Zapata que morreu de greve de fome pois estava preso a 25 anos por ter idéias diferentes das do regime. O que me deixa doido é ver como que gente instruída é tão imbecil a ponto de acreditar que algum tipo de comunismo vá terminar de forma diferente. Como se diz, "A democracia é uma merda, mas o que ela tem de melhor é a possibilidade de a gente poder dizer isso".

O Daniel discordou radicalmente de mim sobre a questão da natureza humana, pois senão teria que perder a esperança na humanidade, coisa eu já não tenho muita. Ele acredita que se a educação e os valores forem outros desde o início a humanidade poderá reagir de outra forma e resultarem mundo melhor para todos. Eu gostaria muito de concordar com ele, pois ao longo de nossa história, desde o principio, poderíamos nos reportar a Cain e Abel, isto nunca aconteceu. Nisto eu solicitei que me dessem argumentos para que eu pudesse ver como ele, pois é triste não conseguir ter esperança de que algum dia a humanidade poderá agir decentemente, não num momento de tranqüilidade e fartura, mas num momento de fome e desgraça. Pois é o que sempre digo, quer conhecer uma pessoa, veja a reação dela depois de não mais de 5 minutos de guerra, ou, para onde vai a tranqüilidade e máscaras quando a pessoa se depara com um rato ou uma barata?

Mas de tudo, o que ficou mais profundamente marcado em mim, foi o fato de que estamos cultivando o terreno para que outros “Chaves” apareçam ao redor do mundo, ou pior, uma justificativa pela qual o neo-nazismo tem se apresentado ao redor do mundo. Aí está, simplesmente estamos deixando de dar limites para os nossos filhos, e para que eles possam ter menos ansiedade e maior segurança, eles passam a precisar de um líder dessa estirpe.

Como eu falei no início foi um papo cabeça mesmo, tanto que saímos tarde do hotel, acho que devia ser umas 10:30h. Pegamos as motos, o GPS com o endereço na loja da HD em Montevideo na Av. Brasil. A cidade estava estranhamente calma, mas como a gente não conhece, tudo bem, chegamos lá e vimos uma placa indicando que a loja abre de segunda a sexta das 14 às 20h. Tudo bem, fomos até a orla para ver a avenida costaneira na foz do Prata. A largura do rio no trecho mais largo é de cerca de 200km, nem em sonho se pode ver a outra margem, é um mar mesmo.

Depois de boas voltas voltamos lá e descobrimos que era dia 19 de abril, dia de "los treinta e tres", alguma coisa a ver com o desembarque de 33 pessoas que chegaram em Montevideo para recuperar o Uruguai das mãos dos portugueses. Os argentinos não se conformavam de estar perdendo o território ao oriente do rio da Prata para Portugal, acho que daí vem o nome do país "República Oriental del Uruguay". Confesso que não consegui entender direito a história, terei que estudar o assunto. O que importa para nós é que quando passamos novamente pela loja, vimos que tinha um segurança no interior e entramos em contato com ele para saber da abertura ou se tinha algum funcionário lá. Ele nos informou que era dia dos 33 e que era feriado nacional, desta forma a loja não abriria naquele dia. Caramba! E eu com o pneu traseiro em estado de liso mesmo. Bem, o que fazer? Eu e a Bê tínhamos pagado um cititur para a tarde (15h) porque de manhã teríamos que ir trocar o pneu. Quanta bobagem turista faz, pois a loja abriria, se fosse dia útil, apenas às 2 da tarde. hehe.

Bem, voltamos para o hotel, guardamos as motos no estacionamento e fomos os três caminhar pela região próxima ao hotel que é o centro. Passamos pela praça principal da cidade, onde estão localizados alguns edifícios do governo, inclusive o prédio da Presidência da República, onde trabalha o presidente do país. Na praça entramos em um mausoléo maravilhoso que nos deixou de boca aberta, onde se encontra uma urna com as cinzas de General Artigas. Descemos uma série de degraus e sob a praça entramos em um local de granito escuro com portas de madeira pesada. Tive que esperar um pouco até que a vista acostumasse com a pouca luz, e ver um espaço enorme, coisa de 50 x 50 m, grande mesmo, com mais degraus que iam descendo em grupos de 3 ou 4, sempre respeitando a forma do quadrado. Ao centro pode-se ver dois guardas fardados com carabinas, em posição de sentido, calças brancas e jalecos vermelhos, polainas brancas e botas pretas, botões dourados, coisa bonita mesmo, uma redoma de vidro, quadrada com uma iluminação que vinha de cima muito suave e sugerindo muita significância. O General Artigas é o maior herói da nação.

Monumento - Praça da Independência

Panteon Dom José Artigas

Dali passamos pelo portal que dava entrada na antiga fortaleza, onde nasceu Montevideo, e adentramos a cidade velha. Lá vimos uma livraria que não deu para não entrar. Muito bonita, com uma escadaria enorme no fundo, um vitral maravilhoso na bifurcação da escadaria. Logo abaixo do vitral havia uma inscrição em latin que dizia "A verdade é filha da mentira". Achei interessante, pois ao final, depois de tanta mentira acabasse chegando à verdade, qualquer que seja a cara que prefiramos acreditar que ela venha a ter. Hehe.

Livraria

Atores de rua
Quando saímos da livraria, apareceram uns personagens de teatro infantil muito legais. Uma Joaninha, um meio palhaço, que ficou de graça com a Bê, depois apareceram mais dois outros personagens ainda. Acho que era um grupo de teatro que fica fazendo arte na rua. Seguimos até a praça e sentamos em uma mesa de um café para tomar uma Patrícia, cerveja excelente que tem lá, recomendo. Acabamos pedindo o cardápio e adivinhem, tinha bife de entrecote. Huummmmm. Pedimos um e "jugoso", o Daniel que não come carne vermelha, pediu um peixe que parecia estar muito bom, mas eu jamais teria coragem de esperimentar diante de um bife como aquele, só se fosse por ordem médica mesmo. Nem eu nem a Bê. O bife estava divino mesmo, coisa de louco.
















Montevideo: Brindando com a deliciosa Patrícia e nosso bifinho.

   

Depois voltamos até o hotel para esperar pelo cititur, só enquanto caminhávamos pelo trecho entre a praça e o hotel, coisa de umas 12 a 15 quadras, o Daniel, que não iria nos acompanhar no cititur, resolveu entrar num mercado e eu e a Bê seguimos o caminho para o hotel. Ela foi ficando apertada para ir ao banheiro, nestas condições, quanto mais a gente anda mais longe fica o destino, coisas da lei de Murphy mesmo. Como o hotel não chegava nunca acabamos por entrar em um restaurante que tinha um buffet por quilo, ela foi até o balcão e perguntou onde era o baño. Um china muito mau encarado, depois de relutar um pouco, indicou que era subindo as escadas. Mas o cara ficou realmente encarando eu e ela, para ver se iríamos almoçar lá ou não.

Eu dei uma olhada na churrasqueira deles, que era feita no mesmo princípio daquela outra que eu havia visto no Maria Esther, onde almoçamos na estrada de ida, e o churrasqueiro foi atrás de mim para ver o que eu queria, disse que estava apenas conhecendo o local. Como fiquei por ali, não demorou para que uma outra funcionária fosse pedir satisfação sobre o que eu estava fazendo ali, sentei em uma mesa e pedi uma coca-cola para esperar a Bê que estava no banheiro. Uma sensação muito ruim havia tomado conta de mim naquele lugar. Parecia que era um Tailandês ou coisa assim que tinha uma série de escravos tralhando ilegalmente. Clima de guerra mesmo. Quando a Bê finalmente chegou, paguei a coca e saímos dali antes que fôssemos espancados por ela ter usado o banheiro sem que fossemos almoçar lá. Quando comentei co ela o caso ela me disse a mesma coisa, também ficou se sentindo muito mal.

Finalmente chegamos ao hotel e imediatamente após, chegou a guia com o ônibus do nosso cititur, seguimos a moça e ainda encontramos o Daniel chegando no hotel com uma sacolinha de supermercado na mão.

Entramos no ônibus, que já tinha algumas pessoas, pareciam todos curitibanos, pois estavam mais quietos que um capincho, como diria o gaúcho. Mas tudo bem, lá fomos nós com a nossa alegria. Na próxima parada entra um casal de São Paulo e o cara estava usando uma camiseta da Harley. Imediatamente perguntei a ele se havia vindo rodando também. Ele nem entendeu, depois de esclarecer que nós havíamos vindo rodando, ele ficou muito tentado, mas disse que eles haviam vindo de avião mesmo. Aí ele fez um monte de perguntas, pois disse nunca ter encarado uma viagem, somente passeios por perto de SP. Conversamos um monte sobre viajar de moto. Ele e a mulher dele ficaram interessados em entrar na dança para viajar, que sabe, mais uma moto nas estradas.






Montevideo: Luiz e Bê  e o pessoal de SP com a camiseta da HD.







Bem, como sempre, um cititour é sempre um cititour, necessário para quem pretende ter uma idéia da cidade por onde está passeando sem perder muito tempo com isso, nós pelo menos gostamos de fazer um cititour sempre que vamos a algum lugar que ainda não conhecemos. O que teve de mais impressionante no passeio foram duas esculturas de um filho de jardineiro fez. A primeira escultura do José Belloni (1882 - 1965)que vimos era uma carruagem puxada por 6 cavalos. Foi uma visão impressionante, pois parece que os cavalos estão em movimento fazendo muita força para desatolar a carruagem, a segunda era do mesmo tema, só que se tratava de uma carruagem puxada por carros de boi. Realmente muito impressionante as obras do Belloni.


  
Montevideo: Esculturas do José Belloni


Existem muitas coisas que não sabemos sobre o Uruguay, ao menos que eu não sabia, como por exemplo o Presidente da República é o Zé do Caixão! Hehe. Essa foi muito interessante, pois perguntei à nossa guia o nome do Presidente e ela disse que era José Mujica, com muito orgulho por sinal. Aí o nosso amigo de camiseta da Harley falou, mas é o Zé do Caixão! Caí na risada, mas confesso que fiquei em dúvida e a Bê falou, mas o pior é que eu acho que é esse mesmo o nome dele. Depois de uma pesquisa minuciosa na internet vimos que tem apenas uma pequena diferença, a letra u no lugar do o, o Zé do Caixão é José Mojica. Essa foi muito boa, pois nunca tinha ouvido o nome do Presidente deles. Além do mais, tirando o fato de que eles ganharam de nós a copa de 50 no Maracanã e são bi-campeões mundiais de futebol não sabia mais nada de lá. Ah! Sabia também que eles tem carnes de excelente qualidade assim como na Argentina.

Aproveitei para perguntar porque era feriado dia 19 de abril, que para nós é o dia do índio, a nossa diligente guia falou que era o dia de los treinta e treis, ou seja, o dia em que 33 cavaleiros desembarcaram no Uruguay, que na época era chamado de Argentina Oriental, acho que daí vem o nome República Oriental del Uruguay, e iniciou-se a retomada do território das mãos do brasileiros, na verdade dos portugueses, pois creio que época ainda éramos colônia de Portugal, pois foi mais ou menos em 1925, ou seja, a família real portuguesa acabava de sair do Brasil retornando para Portugal em 1822 (acho!!!).

Na verdade ela não conseguiu explicar muito bem a história e todos nós no ônibus ficamos muito curiosos para conhecer melhor a história do Uruguai, ainda não pesquisei o assunto mas vou pesquisar, este assunto ficou pendente em minha cabeça.

Outro local que nos deixou muito impressionados foi o Parlamento deles, é um edifício construído aos moldes europeus, com muitos detalhes esculpidos. Todas as colunas são formadas por mulheres nos moldes das esculturas romanas ou gregas. No meio do prédio tem uma torre quadrada muito bem projetada com pelo menos 20 dessas mulheres esculpidas, além das mulheres existem muitos outros detalhes esculpidos, realmente me lembro da Espanha.


Montevideo: Prédio do Parlamento e detalhe das esculturas da torre central do edifício.   


Voltamos tarde ao hotel, já havia anoitecido e fomos chamar o Daniel para que pudéssemos sair para jantar. Neste dia fomos jantar em um restaurante chamado El Fogon. Para quem conhece Buenos Aires, do tipo do Palácio de las Papas Fritas, porém, sem aquelas papas fritas em forma de bolas ocas que tem lá. Muito bom o restaurante, eu e a Bê para variar comemos carne e o Daniel pediu um peixe, diga-se de passagem, estava muito bom também.


   
Montevideo: Restaurante El Fogon e a famosa Grappamiel Vesubio, boa mesmo...

No final do jantar pedimos uma Grappamiel, que é a bebida típica do Uruguai, conforme havíamos descoberto no dia anterior. O caixa do restaurante ficou tão orgulhoso de nos oferecer a bebida típica deles que nos ofereceu 3 cálices da bebida de graça e ainda por cima nos falou que aquela era a melhor Grappamiel do país. Era realmente muito melhor que a que tínhamos tomado no dia anterior. Depois que saímos de lá fomos até um supermercado para comprar a bebida e não é que encontramos a própria que tínhamos tomado no restaurante? Compramos 2 garrafas uma para mim e outra para o Daniel. Aproveitei e comprei também uma garrafa térmica que estava em oferta pelo preço equivalente a R$16,99, achei muito barata e de muito boa qualidade. Neste mercado compramos ainda o melhor alfajor que já comemos, era um negro, não sei o nome, mas não era nada enjoativo e a Bê que é apaixonada por Alfajores mandou ver o dela e depois o meu também, hehe, ainda bem que eu não sou muito ligado nisso, se fosse um bife a gente brigaria, hahahaha.

Fomos dormir depois de estudar os caminhos pelos quais passaríamos no dia seguinte no Bing Maps, pois o Google Maps não cruza fronteira, muito curioso isso, pensei que somente no Brasil é que não cruzasse, mas lá no computador do hotel também não cruzou.


Dia 4: 20/04/2010 – Montevideo - Farroupilha - 1.100 km

No dia seguinte, no rair das 8:30 estavamos tomando nosso café da manhã, sem ovos mexidos, novamente, e acabamos saíndo do hotel com as motos às 10:00h. É sempre interessante ver como as pessoas param na rua para ver, tirar fotos, conversar sobre as motos, realmente desperta uma sensação de liberdade que chama a atenção de todo mundo, é como eu sempre digo, se me viram por lá não sei, mas a moto! Não tenho nenhuma dúvida.


   
Montevideo: Saída do Hotel Embajador, como dá para ver, ninguém nota as motos.











Programamos o GPS, com todo o cuidado para que não fôssemos pelo mesmo caminho pelo qual viemos, já que queríamos conhecer outro caminho, passando por Mina, Treinta e Treis e depois por Rio Branco (Uy) que faz fronteira com o Brasil em Jaguarão -RS.



   
Trecho Montevideo – Jaguarão e a visão do paraíso (à direita) hehehe.











Foi um dia muito agradável, até porque acabamos chegando em uma cidade chamada Melo, que depois descobrimos que ficava completamente fora de nossa rota para Jaguarão. Era muito maior do que poderíamos imaginar tendo em vista os locais por onde vínhamos passando até o momento, resolvemos aproveitar para almoçar alí pois já estávamos completamente fora do horário, já era umas 3 da tarde. Acabamos indo a um restaurante, que parecia ser do tipo por quilo, mas que na verdade era um tipo de confeitaria e que segundo o Daniel e a Bê que foram ver, não tinha mesa e o pessoal comia em pé, acabamos encontrando na esquina seguinte um restaurante mesmo, que por sorte ainda estava servindo, embora nós tenhamos sido os últimos fregueses que conseguiram almoçar lá. Eu e a Bê, para variar, comemos uma carne e o Daniel uma torta de legumes, e que ao final, acabou que superou as nossas expectativas, pois estava muito melhor do que poderíamos esperar.

A maior curiosidade da cidade é que tinha mais moto parada ao longo do meio-fio do que gente, de um lado tinham os carros estacionados e do outro lado da rua tinham as motos encostadas ao longo da quadra toda, tão interessante que o Daniel já foi estacionando a moto dele no mesmo esquema, só que a moto dele era um bocado maior que as demais motos que estavam estacionadas ao longo da rua, ficou uma imagem e tanto, eu caí no riso, pois ficou realmente muito engraçada a cena, pena que a Bê não tirou uma foto.

Saímos de lá umas 4 e meia da tarde, já de baixo de uma chuva danada, e seguimos viagem, depois de termos conversado com o nosso atendente e ele ter explicado que acabamos por dar uma volta de mais de 50km, pois poderíamos ter seguido por outra estrada de Treinta e Treis para Rio Branco, na fronteira com o Brasil, mas aí, como disse o garçom, "vocês teriam perdido o prazer de conhecer este lugar e perderiam o prazer de ter podido almoçar ali". Bom de argumento o cara. hehe.

A partir daí foi com chuva mesmo, até Rio Branco, onde abastecemos com gasolina boa, cruzamos para Jaguarão, depois de carimbar os passaportes na Aduana, e passamos pela ponte da divisa entre os países, muito bonito o lugar. Seguimos em direção a Porto Alegre, e a chuva não dava trégua. Cada vez chovendo mais forte, e anoiteceu com uma chuvarada de assustar. Eu seguia na frente, o Daniel atrás e mais um outro motoqueiro com garupa, também foi indo junto com a gente. Quando estávamos chegando perto de Pelotas, eu confesso que já estava bem preocupado com a chuva, pois o meu pneu traseiro, que eu não consegui trocar em Montevideo, estava me fazendo falta agora, a moto estava dançando, coisa que me deixava muito preocupado e que eu tinha que ir controlando muito bem a velocidade da moto, pois ela ía dançando um pouco.

Quando passamos por um pedágio que ficava já bem próximo de Pelotas, parei e esperei o Daniel para propor a ele que ficássemos em Pelotas para dormir, pois aquela chuva estava muito perigosa, para ter uma idéia, quando parei, tinha pelo menos 2 a 3 cm de água no chão, sem exagero nenhum, os carros e caminhões passavam e erguiam um jato de água que jorrava dos pneus, como se estivessem passando por dentro de uma poça d’água. Ele concordou imediatamente, deu os óculos para a Bê carregar, pois estavam embaçados e faziam mais reflexos com os faróis, e fomos mais lentamente pois estava difícil de enxergar. Quando chegamos em Pelotas, entramos em uma avenida e a chuva já havia se transformado em uma garoa, aí o Daniel disse que por ele estava bem para a gente tocar mais para frente, eu também achei que dava para ir com a redução da chuva, a Bê também concordou e seguimos em frente.

A noite foi ficando estrelada e o chão secou completamente, a lua apareceu e seguimos, inacreditavelmente, sob a luz das estrelas até Porto Alegre. Depois que passamos por Porto Alegre, pois não pretendíamos dormir em uma cidade tão grande, fomos em direção de Caxias e Vacaria. Quando começamos a subir a serra gaúcha, a chuva começou novamente e com a mesma intensidade da anterior, com vento e tudo que tem direito. Coisa de doido mesmo, fomos seguindo até a primeira cidade que podíamos parar para dormir, que foi em Farroupilha. Achamos um hotelzinho muito interessante, embora eu tenha achado meio caro, R$100,00 o casal, mas naquela altura do campeonato, já eram 2 da manhã, nada mais a fazer, pois andar por lá atrás de outro hotel seria o fim do mundo mesmo.

Dormimos maravilhosamente bem. É impressionante como as camas são boas depois de passar um dia inteiro sobre a moto. Pensamos até em vender colchões para motoqueiros, pois qualquer colchão se torna maravilhoso.
 


Dia 5: 21/04/2010 – Farroupilha - Curitiba - 570 km

Acordamos mais tarde e combinamos de tomar café da manhã às 9:00. Como a esperança é sempre a última que morre, esperávamos que não continuasse a chover, mas o que aconteceu, foi que a chuva não parou um minuto sequer durante a madrugada e acordamos com chuva forte. Tomamos nosso café, nos preparamos para mais um dia de chuva, com sacolas plásticas nos pés, agasalhos etc. Tudo acaba não adiantando muito quando se enfrente na moto muitas horas de chuva sem trégua. O mais curioso é que contando ninguém acredita, a chuva que nós pegamos ao longo da viagem foi tão impressionante que é difícil de acreditar.

Até que quando saímos, eu falei para a Bê que ia parar em algum momento e a gente poderia descansar um pouco da chuva, mas não parou nem um segundo. E a chuva era forte o tempo todo.

Paramos em um restaurante na BR-116, muito próximo da entrada de Lages. Na verdade é um restaurante de campo que atende principalmente aos afortunados moradores de Lages. O restaurante é mesmo muito bom, embora meio caro para nós que estávamos apenas viajando e queríamos um almoço. A máquina de leitura do cartão de débito estava com problemas e acabei pagando antes de consumir, como eu não sabia quanto poderia custar o almoço, pedi que ela passasse R$100,00. Comentei com o Daniel e com a Bê que elas fariam a conta dar os exatos 100 que eu adiantei. Tudo bem que comemos bem, mas a conta deu 89, que acrescido dos 10% chegou a 98. Incrível a capacidade delas em nos enganar para fazer dar exatamente o que elas poderiam tirar de nós 3. hehe

Colocamos todas as roupas de chuva novamente, que estavam estendidas na varanda em frente ao restaurante, e peguei o guarda-chuva para levar a Bê até a moto. Foi mesmo engraçado isso, pois a chuva não dava trégua de forma alguma.

Saímos de lá e seguimos adiante pela 116 até que acabou anoitecendo e nós andando, paramos em Mandirituba, já bem perto de Curitiba, e neste local, pela primeira vez no dia, vimos garoa, que maravilha, uma garoazinha para descontrair...

Depois que comemos um lanche no posto que paramos, seguimos adiante e a chuva parou, o chão secou e a gente ficou impressionado com o quanto é bom andar com chão seco, pois havíamos rodado nada menos que 1000km de baixo de chuva brava, tipo enchente, tanto é verdade que na sequência da semana a chuva que pegamos na estrada chegou em Curitiba e deu enchente em muitos bairros, a nossa empregada foi embora na sexta, pois a casa dela estava com água na garagem e, segundo ela, a água nunca havia chegado na garagem e a nossa diarista, que vai aos sábados, não apareceu naquele sábado. Depois ficamos sabendo que a casa dela ficou debaixo d'água e ela acabou perdendo o fogão e a geladeira, as camas, coitada, foi uma tragédia na vida de muita gente em Pinhais.

Mas graças a Deus já estamos nos acostumando a ver a previsão do tempo, sair para a viagem e na hora da volta ter que andar de pedalinho. hahahahaha

F i m....

Agora estamos esperando pelas muitas próximas ..........