Imagens do Fin del Mundo

Imagens do Fin del Mundo
Eu estive lá. De frente para a vida!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Punta e Montevideo

TRAJETO: CURITIBA – MONTEVIDEO - CURITIBA

PERÍODO: 17 a 21/04/2010

TOTAL DE QUILÔMETROS RODADOS: 3.200 km


VIAJANTES:
Harley Davidson Eletra Ultra Glide Classic: Luiz e Bê
Harley Davidson Dyna Custon: Daniel

Dia 1: 17/04/2010 – Curitiba – Rio Grande - 962 km

Levantamos cedo, as bagagens haviam sido arrumadas na noite anterior, após retornarmos de um encontro com amigos no bar Folha Seca. Voltamos para casa às 10:30 da noite e arrumamos as bagagens do jeito que deu, nem preciso citar que me esqueci de algumas coisas, como por exemplo a pala-clava, ou joana d´arc, não sei a diferença entre um e outro.

Foram:
2 calças (uma no corpo e uma sobressalente);
5 camisetas (1 para cada dia);
1 ciroula;
1 havaiana (que nem usei);
1 bermuda (que também não usei);
Meus remédios (que gostaria de não precisar usar);
higiene pessoal;
Jaqueta, luvas e bota de couro;
Roupa de chuva (que usei muito no caminho de volta);
mini note book, máquina fotográfica e o GPS;
Protetor solar, é lógico.

Eu fiquei com uma bolsa lateral e a Bê com a outra. No tour pack foram a mochila com o micro, as capas de chuva e outros pequenos detalhes (capa, GPS, rede, extensor, tyre repair, ferramentas, etc.).

Saímos sem tomar café da manhã, e fomos até o ponto de encontro, um posto de gasolina localizado próximo do final da Fagundes Varella. Havíamos marcado às 7 da manhã e saímos de lá às 7:05. Infelizmente o atraso foi por conta nossa mesmo, pois chegamos e o Daniel estava nos esperando.

Como já estávamos com o tanque cheio saímos em seguida, como nenhum de nós havía tomado café da manhã, combinamos de seguir e parar em algum local para o primeiro abastecimento e tomaríamos café da manhã lá.

Assim foi, seguimos em direção ao sul pela BR-116, andamos uns 60km e deu vontade de ir ao banheiro, estávamos em Mandirituba. Paramos em um posto, abastecemos e ao lado tinha uma boa lanchonete. Tomamos nosso café da manhã, tiramos algumas fotos, rimos um pouco e aproveitamos o dia lindo que estava fazendo. Céu azul e previsão de que teríamos sol até no dia 21 de Abril, por isso eu acredito que a ignorância é uma benção mesmo, nem imaginávamos a chuva que teríamos que enfrentar por mil, isso mesmo 1.000 km, mas isso somente na volta, neste momento estávamos admirados com o dia maravilhoso que fazia.

 Conversamos um pouco sobre a esposa do Daniel, Ana Paula, que infelizmente, por razões de saúde não pode ir junto, mas estamos ansiosos esperando que ela se recupere logo para nos acompanhar em nossas loucuras, já que no final do ano, devido aos mesmos problemas ela não pode ir com a gente até o Chile. O Daniel nos informou que ela está muito bem e que ficou meio chateada por não poder ir junto, o que é normal. A Bê disse que ficaria uma pilha se tivesse que ficar.

Posto em Mandirituba - Daniel e as Motos



Saímos de Mandirituba em direção a Porto Alegre e tínhamos combinado de parar a cada 200km, mas aconteceu que fomos além, acabamos andando mais que isso, o que fez com que a bunda ficasse um tanto dolorida. Fizemos uma parada para abastecimento e seguimos até um restaurante muito interessante que já conhecíamos da vez que fomos com o Conrado para Bento Gonçalves. Decidimos não almoçar ainda, pois poderíamos almoçar mais tarde em Vacaria, abastecemos a moto, mas apenas R$15,00 o Daniel e R$20,00 eu, pois o posto não parecia ser dos melhores e ficamos desconfiados, mas estávamos com os tanques vazios e o próximo posto ficava a mais de 40km. Abastecemos no primeiro posto de qualidade que encontramos e seguimos para Vacaria-RS.
Rio Pelotas: Nós 3 na divisa deSC e RS

 Um capítulo à parte da viagem foi a travessia do rio das Antas. Uma serra muito bonita e fizemos uma parada estratégica antes de cruzar a ponte. Nesta parada aproveitamos para tomar um copo de suco de uva, de garrafão, produto da região, pois estávamos na região da serra gaucha conhecida pela produção de uva e vinho.


Margem do Rio do Rastro - Bê feliz
Descansamos um pouco, brincamos com as senhoras que nos atenderam, pois elas estavam tricotando blusas de frio para o inverno, que lá não deve ser mole não, já que, segundo elas, o sol não costuma dar muito as caras por lá, e seguimos em frente, na direção de São Marcos. Para chegar em São Marcos passamos por uma serra muito cansativa, pois somente depois é que ficamos conhecendo a outra estrada que desvia desta serra, com muito menos curvas. Nesta hora é que a gente fica com um pouco de raiva do GPS, pois ele não nos mostra o melhor caminho. Passamos por São Marcos e por Nova Petrópolis, que fica ao lado de Gramado e Canela, e seguimos rumo a Porto Alegre.

Chegamos em Porto Alegre e nos impressionamos com os viadutos, seguimos rumo à cidade de Rio Grande, onde possivelmente dormiríamos, a outra opção era Pelotas, mas se conseguíssemos chegar a Rio Grande seria melhor, pois no dia seguinte teríamos mais tempo para conhecer Punta del Este, no Uruguai.

Paramos para abastecer em um posto legal que tinha um bom restaurante e jantamos lá. A janta estava boa, eu e a Bê comemos no Buffet por pessoa e o Daniel comeu alguns salgados e tomou uma sopa.

Tivemos que rodar um pouco à noite, mas chegamos em Rio Grande, ou seja, sucesso total no primeiro dia de viagem, todos nós estávamos cansados, mas felizes por estar rodando. Aí foi uma luta para procurar um hotel que fosse bom e barato, pois pretendíamos apenas dormir e sair no dia seguinte cedo, e cansados como estávamos, qualquer cama seria muito macia e confortável.

Acabamos ficando no Hotel Paris, que foi inaugurado em 1806, ou seja, 2 anos antes da família real se mudar para o Brasil. Mas é um bom local para dormir, pé direito de uns 5m de altura, o quarto enorme apenas uma cama de casal, uma escrivaninha, um guarda roupas e mesinha de apoio para as malas. Embora seja isso mesmo que tenha em todos os hotéis, a diferença é que neste caso o quarto ficava completamente vazio, pois o mesmo tinha algo como 8x8m, ou seja, uns 60m2 para a mobília. Ainda tinha o banheiro, que era quase do mesmo tamanho e tinha um box, uma pia pequena e um vaso sanitário, sendo que cabiam ainda umas 5 banheiras de hidromassagem e alguns sofás para encher o ambiente. hehe.


Fachada Hotel Paris - Rio Grande/RS

Hal de Entrada Hotel Paris - Rio Grande/RS


   













Hotel Paris - Acesso aos quartos no térreo
Como previsto nos deitamos e dormimos como crianças que foram a uma festa e brincaram muito, uma beleza.



Dia 2: 18/04/2010 – Rio Grande - Montevidéu - 563 km

Combinamos de acordar cedo para tomar café às 7:30h, planejando sair às 8:00h e foi o que fizemos. Neste hotel não tinha ovos mexidos, que é uma coisa que nunca como em casa mas que adoro comer quando me hospedo em hotéis, de qualquer forma o café foi bom.

Notei que o pneu traseiro da minha moto havia ficado careca, quando saímos de Curitiba ele estava até que em ordem, mas já havia ficado careca, mais uma coisa para fazermos em Montevidéu, visitar a loja da HD e trocar o pneu traseiro da minha moto que estava com quase 17.000km.

Saímos de Rio Grande e seguimos animados em direção ao Chuí. Eram apenas 242km, enchemos os tanques ali e a idéia seria a de encher o próximo tanque com gasolina de verdade, já no Uruguai. Sabíamos também que ao longo do trajeto existe uma reserva biológica e que no trecho não tem nenhum tipo de apoio.

As paisagens da região foram ficando cada vez mais bonitas. Uma planície, que o GPS indicava altitude de 12m, em muitos trechos com locais alagadiços, era o chaco ou o pampa, quando chegamos na reserva, as paisagens ficaram ainda mais bonitas, acabamos parando para tirar fotos. Coisa curiosa que notamos é que embora seja uma reserva biológica, haviam muitas cabeças de gado pastando no local, mas muitas mesmo! Uma verdadeira fazenda de criação de gado. Deve ter algum político que cria gado lá, pois outros não conseguiriam este feito.

Quando fui subir na moto, dei uma bobeada e deixei que a moto se inclinasse mais do que devia para o lado direito e pufh! tombou até o chão, nem tentei segurar pois já aprendi que quando se tenta segurar uma moto pesada como é a ultra a gente só consegue é se machucar. Aí, calmamente tentando aproveitar a experiência, pois foi a sétima vez que a moto tombou, graças a Deus sempre parada, tentei aplicar uma dica que me deram para levantar a mesma, apoiando as costas no tanque e pegando com uma mão no guidão e com a outra nas barras do mata-gato, nem preciso dizer que não consegui. Aí a Bê fez um pêndulo do outro lado e eu e o Daniel levantamos a dita. Até que assim foi fácil, finalmente encontramos uma solução para levantar a bicicletinha.

Reserva Biológica do Taim: Luiz e Daniel

Minha querida Bê

Seguimos em frente, observando a farta fauna do local. Aí resolvemos acelerar um pouco mais para render um pouco, pude confirmar que a moto realmente não atinge a velocidade máxima em sexta marcha e sim em quinta, hehe. A aventura de altas velocidades não durou muito porque temos juízo, mas que dava vontade de manter isso dava, pois andar em retas não é mole não, principalmente quando não tem movimento quase nenhum.

Chegamos ao Chuí até que relativamente rápido, passamos pela Receita Federal do Brasil, declarei o GPS apenas. Lá havia um grupo de moto, todos de Campo Mourão, interior do Paraná, um pessoal bem animado. Em seguida chegou outro pessoal de SP, também muito gente fina. Estes nós voltamos a encontrar no local onde almoçamos posteriormente, embora eles já tivessem almoçado no Chuí.
       

Chui - Fronteira Brasil/Uruguai



Depois da Receita fomos até um local onde tinha uma placa bem grande "Vende-se Carta Verde" e nós tínhamos que comprar a dita carta para poder transitar no Uruguai. Para quem não sabe, esta carta é um seguro contra terceiros, válido no Uruguai. O pior é que eu achei muito cara a dita cuja, custou R$68,00 por 3 dias apenas, coisa de louco, pois quando nós passeamos pela Argentina e Chile no final do ano, paguei mais ou menos o mesmo preço para 30 dias e válida para os dois países, mas tudo bem, faz parte, quem mandou não se programar melhor.

Compramos a nossa carta e seguimos em direção ao Uruguai, fizemos a aduana, apresentado os documentos, passaporte, documentos do veículo e a tal da Carta Verde.


   
Seguimos em frente, agora já no exterior (hehe). Rodamos um pouco, e como todos sabem, quando se anda no exterior deve-se respeitar a legislação logo, fomos respeitando as velocidades, e chegamos à Fortaleza de Santa Teresa. Entramos lá para dar uma olhada. O local é muito bonito, bem conservado e grande, uma senhora fortaleza, construída por Portugueses e depois terminada por espanhóis. Não conseguimos entender muito bem a história, pois fica relativamente longe do mar, não fica no ponto mais alto na colina? Sei lá o que tinha de especial e a que fim servia a fortaleza.

Haviam maquetes das fortalezas do Uruguai, inclusive aquela que deu origem a Montevidéu, e que hoje é a praça central da cidade onde tem um panteão em homenagem ao General Artigas, o grande herói nacional da República Oriental do Uruguai.

Fortaleza de Santa Tereza - Acesso


Portão Principal


Bê entre os canhões




e..... ninguém acreditou que ela estava sofrendo


Muito inxerida esta Bê


Maquete das Fortalezas


Daniel e Luiz em reunião


Daniel e o soldado no Paiol da Fortaleza
Ficamos por lá mais de uma hora e seguimos em direção a Maldonado, que fica na entrada de Punta del Este. Ao longo do caminho fomos vendo muitas estradas que levam ao litoral onde, no verão, deve ser muito agitado. Há também muitas fazendas de gado, onde a grande maioria da raça Hereford, também alguns que me pareceram ser holandês e Angus. Não é à toa que a carne deles é de excelente qualidade como aquela que se come na Argentina.

Daniel esticando as pernas


Maria Esther - Restaurante

Churrasqueira Uruguaia
Pudemos confirmar isso durante o almoço em um restaurante chamado Maria Esther ao lado de um posto na entrada da cidade de Castillos. De cara chamou a minha atenção o tipo da churrasqueira, que parecia uma lareira, só que mais alta, e com alguns aparatos para queimar lenha e não carvão. Aí o churrasqueiro ia puxando a brasa para debaixo das carnes que ele estava assando, muito bacana mesmo o esquema, achei bárbaro. Pedimos uma lingüiça e uma morcilha (aquela de sangue), que eu na verdade nem sou muito fã, mas como a Bê gosta muito, pedimos. Quando provei a morcilha fiquei de queixo caído, pois o sabor é fantástico, têm amendoim, uvas passas e não sei o que mais nos temperos que torna a morcilha simplesmente um manjar dos deuses, sem nenhum exagero. Quem for ao Uruguai precisa experimentar mesmo que não goste de morcilha, pois o sabor é algo inexplicável.

O Daniel que não come carne vermelha pediu um peixe, que segundo ele estava muito bom, e eu e a Bê comemos mais mocilha, a lingüiça de entrada e um bife de entrecote, que é o contrafilé ao estilo bife de chorizo da Argentina, não preciso dizer mais nada, pois quem conhece e gosta sabe do que estou falando. A minha única reclamação ficaria por conta de que a carne estava um pouco passada e embora tenhamos pedido mal passada eles têm um padrão um pouco além do que preferimos, mesmo assim estava esplêndido.

Quando estávamos terminando de almoçar, lá pelas 4 da tarde, chegaram os motoqueiros de SP e pararam lá também. Nós encerramos a conta e partimos com eles para Maldonado, mas ao longo do caminho cada grupo foi seguindo seu ritmo e ficamos sozinhos, pois afinal de contas juntar mais gente é arrumar mais divergências e nós não precisávamos de mais gente. Assim chegamos em Maldonado, com um tempo danado, onde parecia que ia chover, mais do que isto, parecia que estava armando uma tempestade daquelas, pois ventava muito e estava muito fechado.

Chegando em Maldonado paramos em um posto que depois descobrimos que a outra HD que estava parada lá era do dono, um sujeito muito bacana, pois como ainda não tínhamos achado um caixa automático para sacar dinheiro, não tínhamos dinheiro para comprar nada que não fosse pago com cartão. Pois não é que o dono, mesmo sem saber que não tínhamos dinheiro, nos ofereceu 3 cafés expressos, que era exatamente o que estávamos querendo no momento. Muito legal o cara.

Neste posto colocamos combustível e as capas de chuva, como estava anoitecendo, eram 18:00h, decidimos que iríamos para Punta del Este na próxima viagem, quando a Ana Paula estivesse junto conosco e seguimos pela rodovia Interbalneária direto para Montevideo. De fato começou a chover logo e fomos seguindo por uma estrada maravilhosa de pista dupla, com um pessoal muito educado no volante e uma estrada muito bem policiada. Foi uma viagem tranqüila, mas com chuva.

Fiquei muito surpreso ao ver o Aeroporto de Maldonado, uma obra de arquitetura e engenharia de impressionar, e em seguida acabamos passando pelo aeroporto de Montevideo, outra obra de assustar pela beleza. Aí o GPS resolveu nos mostrar certos caminhos de Montevideo que foi de lascar. Mas, faz parte, acabamos chegando ao centro e ao Hotel que o Daniel já conhecia, Hotel Embajador. O preço relativamente bom e depois vimos que poderíamos ter pago menos, mas tudo bem, estávamos em nosso destino final.

Fomos atrás de localizar os dados da loja da HD em Montevideo, para que eu pudesse trocar o pneu traseiro, além de comprar umas camisetas de lá e fomos jantar, à pé, em um restaurante chamado Bar Hispano. Comemos um "chivito", que é um bife de mignon com queijo em cima sobre uma cama de batatas fritas, o Daniel comeu outro peixe, e depois é que começou o melhor, pedimos de sobremesa um pote de creme com sorvete e morango, de tamanho descomunal. Não dá para comer aquilo nem em três, acabou sobrando um bom tanto mas valeu pelo inusitado da dica que o Daniel deu para a pedida.


   
A sobremesa. A Bê se emocionou com o tamanho mas acabamos encarando.


Voltamos à pé para o Hotel e dormimos como anjos, no dia seguinte marcamos de tomar café mais tarde um pouco, às 9:00h e ir para a HD.








Dia 3: 19/04/2010 – Montevideo

Conforme haviamos combinado, descemos para o café no raiar das 9 da madrugada, pois por mim e pela Bê dormiríamos até meio dia, mas aí seria uma burrice enorme, ir até Montevideo para ficar dormindo. Durante o café até que tivemos um papo cabeça, daqueles muito filosóficos.


Montevideo: Nosso Hotel e a Loja da HD (fechada)

    Vou tentar registrar aqui a nossa conversa e as idéias que rolaram lá naquele dia. Estávamos eu a Bê e o Daniel a tratar das questões relacionadas ao pouco respeito que os filhos desta geração tem tido pelos pais, professores, etc. O que tem levado a uma situação de estrema liberdade para eles. Nesta situação de liberdade eles não têm mais parâmetros a seguir, ou limites pré-estabecidos, como tínhamos nós nas gerações anteriores. Assim, sem limites, os jovens são simplesmente "soltos no meio do oceano", sem fronteiras claras.

Nestas condições, eles têm que realizar todas as escolhas, todas mesmo! Tais como: devo gostar de homens ou mulheres? Devo ter uma família quando crescer? Devo ter minha casa ao crescer? Devo ter filhos? etc., etc. Aí veio a pergunta fatal: onde isso nos levará? E o Daniel falou: a um líder ditador. Lembramos do Hitler e das condições existentes na Alemanha pré-nazista. Foi um papo meio maluco mas que deixou eu e a Bê muito pensativos com o tema e o pior é que até hoje não posso me esquecer das nossas conclusões e não consigo ver alternativas para compor outro fim, de tão lógico que ele me parece, pois afinal de contas, um líder como aquele (ou o Che) daria o tão desejado e tranqüilizador limite aos jovens.

A conversa passou ainda pela natureza humana, onde eu defendi meu ponto de vista de que os homens agem como agem devido à sua natureza e que não é possível mudar tal destino, como exemplo o fato de sermos governados sempre pelos "piores", ou mais maldosos e aproveitadores. Dificilmente poderemos exemplificar um governante que fosse de boa índole. Por exemplo, na Rússia, a revolução comunista, fundamentada nas idéias de Karl Max foram implantadas por Lênin e ao final o Stalin mandou matar Trotski. Tolstoi, assumiu o poder e transformou tudo em pura maldade e exploração, separando para seu grupo político uma vida de riqueza e para os que se apresentaram contra o sistema, execução. Muito parecido com as idéias comunistas do mundo todo. Em Cuba a mesma coisa, quem concorda vive quem não concorda morre ou vai preso e morre de greve de fome, como foi o caso deste Zapata que morreu de greve de fome pois estava preso a 25 anos por ter idéias diferentes das do regime. O que me deixa doido é ver como que gente instruída é tão imbecil a ponto de acreditar que algum tipo de comunismo vá terminar de forma diferente. Como se diz, "A democracia é uma merda, mas o que ela tem de melhor é a possibilidade de a gente poder dizer isso".

O Daniel discordou radicalmente de mim sobre a questão da natureza humana, pois senão teria que perder a esperança na humanidade, coisa eu já não tenho muita. Ele acredita que se a educação e os valores forem outros desde o início a humanidade poderá reagir de outra forma e resultarem mundo melhor para todos. Eu gostaria muito de concordar com ele, pois ao longo de nossa história, desde o principio, poderíamos nos reportar a Cain e Abel, isto nunca aconteceu. Nisto eu solicitei que me dessem argumentos para que eu pudesse ver como ele, pois é triste não conseguir ter esperança de que algum dia a humanidade poderá agir decentemente, não num momento de tranqüilidade e fartura, mas num momento de fome e desgraça. Pois é o que sempre digo, quer conhecer uma pessoa, veja a reação dela depois de não mais de 5 minutos de guerra, ou, para onde vai a tranqüilidade e máscaras quando a pessoa se depara com um rato ou uma barata?

Mas de tudo, o que ficou mais profundamente marcado em mim, foi o fato de que estamos cultivando o terreno para que outros “Chaves” apareçam ao redor do mundo, ou pior, uma justificativa pela qual o neo-nazismo tem se apresentado ao redor do mundo. Aí está, simplesmente estamos deixando de dar limites para os nossos filhos, e para que eles possam ter menos ansiedade e maior segurança, eles passam a precisar de um líder dessa estirpe.

Como eu falei no início foi um papo cabeça mesmo, tanto que saímos tarde do hotel, acho que devia ser umas 10:30h. Pegamos as motos, o GPS com o endereço na loja da HD em Montevideo na Av. Brasil. A cidade estava estranhamente calma, mas como a gente não conhece, tudo bem, chegamos lá e vimos uma placa indicando que a loja abre de segunda a sexta das 14 às 20h. Tudo bem, fomos até a orla para ver a avenida costaneira na foz do Prata. A largura do rio no trecho mais largo é de cerca de 200km, nem em sonho se pode ver a outra margem, é um mar mesmo.

Depois de boas voltas voltamos lá e descobrimos que era dia 19 de abril, dia de "los treinta e tres", alguma coisa a ver com o desembarque de 33 pessoas que chegaram em Montevideo para recuperar o Uruguai das mãos dos portugueses. Os argentinos não se conformavam de estar perdendo o território ao oriente do rio da Prata para Portugal, acho que daí vem o nome do país "República Oriental del Uruguay". Confesso que não consegui entender direito a história, terei que estudar o assunto. O que importa para nós é que quando passamos novamente pela loja, vimos que tinha um segurança no interior e entramos em contato com ele para saber da abertura ou se tinha algum funcionário lá. Ele nos informou que era dia dos 33 e que era feriado nacional, desta forma a loja não abriria naquele dia. Caramba! E eu com o pneu traseiro em estado de liso mesmo. Bem, o que fazer? Eu e a Bê tínhamos pagado um cititur para a tarde (15h) porque de manhã teríamos que ir trocar o pneu. Quanta bobagem turista faz, pois a loja abriria, se fosse dia útil, apenas às 2 da tarde. hehe.

Bem, voltamos para o hotel, guardamos as motos no estacionamento e fomos os três caminhar pela região próxima ao hotel que é o centro. Passamos pela praça principal da cidade, onde estão localizados alguns edifícios do governo, inclusive o prédio da Presidência da República, onde trabalha o presidente do país. Na praça entramos em um mausoléo maravilhoso que nos deixou de boca aberta, onde se encontra uma urna com as cinzas de General Artigas. Descemos uma série de degraus e sob a praça entramos em um local de granito escuro com portas de madeira pesada. Tive que esperar um pouco até que a vista acostumasse com a pouca luz, e ver um espaço enorme, coisa de 50 x 50 m, grande mesmo, com mais degraus que iam descendo em grupos de 3 ou 4, sempre respeitando a forma do quadrado. Ao centro pode-se ver dois guardas fardados com carabinas, em posição de sentido, calças brancas e jalecos vermelhos, polainas brancas e botas pretas, botões dourados, coisa bonita mesmo, uma redoma de vidro, quadrada com uma iluminação que vinha de cima muito suave e sugerindo muita significância. O General Artigas é o maior herói da nação.

Monumento - Praça da Independência

Panteon Dom José Artigas

Dali passamos pelo portal que dava entrada na antiga fortaleza, onde nasceu Montevideo, e adentramos a cidade velha. Lá vimos uma livraria que não deu para não entrar. Muito bonita, com uma escadaria enorme no fundo, um vitral maravilhoso na bifurcação da escadaria. Logo abaixo do vitral havia uma inscrição em latin que dizia "A verdade é filha da mentira". Achei interessante, pois ao final, depois de tanta mentira acabasse chegando à verdade, qualquer que seja a cara que prefiramos acreditar que ela venha a ter. Hehe.

Livraria

Atores de rua
Quando saímos da livraria, apareceram uns personagens de teatro infantil muito legais. Uma Joaninha, um meio palhaço, que ficou de graça com a Bê, depois apareceram mais dois outros personagens ainda. Acho que era um grupo de teatro que fica fazendo arte na rua. Seguimos até a praça e sentamos em uma mesa de um café para tomar uma Patrícia, cerveja excelente que tem lá, recomendo. Acabamos pedindo o cardápio e adivinhem, tinha bife de entrecote. Huummmmm. Pedimos um e "jugoso", o Daniel que não come carne vermelha, pediu um peixe que parecia estar muito bom, mas eu jamais teria coragem de esperimentar diante de um bife como aquele, só se fosse por ordem médica mesmo. Nem eu nem a Bê. O bife estava divino mesmo, coisa de louco.
















Montevideo: Brindando com a deliciosa Patrícia e nosso bifinho.

   

Depois voltamos até o hotel para esperar pelo cititur, só enquanto caminhávamos pelo trecho entre a praça e o hotel, coisa de umas 12 a 15 quadras, o Daniel, que não iria nos acompanhar no cititur, resolveu entrar num mercado e eu e a Bê seguimos o caminho para o hotel. Ela foi ficando apertada para ir ao banheiro, nestas condições, quanto mais a gente anda mais longe fica o destino, coisas da lei de Murphy mesmo. Como o hotel não chegava nunca acabamos por entrar em um restaurante que tinha um buffet por quilo, ela foi até o balcão e perguntou onde era o baño. Um china muito mau encarado, depois de relutar um pouco, indicou que era subindo as escadas. Mas o cara ficou realmente encarando eu e ela, para ver se iríamos almoçar lá ou não.

Eu dei uma olhada na churrasqueira deles, que era feita no mesmo princípio daquela outra que eu havia visto no Maria Esther, onde almoçamos na estrada de ida, e o churrasqueiro foi atrás de mim para ver o que eu queria, disse que estava apenas conhecendo o local. Como fiquei por ali, não demorou para que uma outra funcionária fosse pedir satisfação sobre o que eu estava fazendo ali, sentei em uma mesa e pedi uma coca-cola para esperar a Bê que estava no banheiro. Uma sensação muito ruim havia tomado conta de mim naquele lugar. Parecia que era um Tailandês ou coisa assim que tinha uma série de escravos tralhando ilegalmente. Clima de guerra mesmo. Quando a Bê finalmente chegou, paguei a coca e saímos dali antes que fôssemos espancados por ela ter usado o banheiro sem que fossemos almoçar lá. Quando comentei co ela o caso ela me disse a mesma coisa, também ficou se sentindo muito mal.

Finalmente chegamos ao hotel e imediatamente após, chegou a guia com o ônibus do nosso cititur, seguimos a moça e ainda encontramos o Daniel chegando no hotel com uma sacolinha de supermercado na mão.

Entramos no ônibus, que já tinha algumas pessoas, pareciam todos curitibanos, pois estavam mais quietos que um capincho, como diria o gaúcho. Mas tudo bem, lá fomos nós com a nossa alegria. Na próxima parada entra um casal de São Paulo e o cara estava usando uma camiseta da Harley. Imediatamente perguntei a ele se havia vindo rodando também. Ele nem entendeu, depois de esclarecer que nós havíamos vindo rodando, ele ficou muito tentado, mas disse que eles haviam vindo de avião mesmo. Aí ele fez um monte de perguntas, pois disse nunca ter encarado uma viagem, somente passeios por perto de SP. Conversamos um monte sobre viajar de moto. Ele e a mulher dele ficaram interessados em entrar na dança para viajar, que sabe, mais uma moto nas estradas.






Montevideo: Luiz e Bê  e o pessoal de SP com a camiseta da HD.







Bem, como sempre, um cititour é sempre um cititour, necessário para quem pretende ter uma idéia da cidade por onde está passeando sem perder muito tempo com isso, nós pelo menos gostamos de fazer um cititour sempre que vamos a algum lugar que ainda não conhecemos. O que teve de mais impressionante no passeio foram duas esculturas de um filho de jardineiro fez. A primeira escultura do José Belloni (1882 - 1965)que vimos era uma carruagem puxada por 6 cavalos. Foi uma visão impressionante, pois parece que os cavalos estão em movimento fazendo muita força para desatolar a carruagem, a segunda era do mesmo tema, só que se tratava de uma carruagem puxada por carros de boi. Realmente muito impressionante as obras do Belloni.


  
Montevideo: Esculturas do José Belloni


Existem muitas coisas que não sabemos sobre o Uruguay, ao menos que eu não sabia, como por exemplo o Presidente da República é o Zé do Caixão! Hehe. Essa foi muito interessante, pois perguntei à nossa guia o nome do Presidente e ela disse que era José Mujica, com muito orgulho por sinal. Aí o nosso amigo de camiseta da Harley falou, mas é o Zé do Caixão! Caí na risada, mas confesso que fiquei em dúvida e a Bê falou, mas o pior é que eu acho que é esse mesmo o nome dele. Depois de uma pesquisa minuciosa na internet vimos que tem apenas uma pequena diferença, a letra u no lugar do o, o Zé do Caixão é José Mojica. Essa foi muito boa, pois nunca tinha ouvido o nome do Presidente deles. Além do mais, tirando o fato de que eles ganharam de nós a copa de 50 no Maracanã e são bi-campeões mundiais de futebol não sabia mais nada de lá. Ah! Sabia também que eles tem carnes de excelente qualidade assim como na Argentina.

Aproveitei para perguntar porque era feriado dia 19 de abril, que para nós é o dia do índio, a nossa diligente guia falou que era o dia de los treinta e treis, ou seja, o dia em que 33 cavaleiros desembarcaram no Uruguay, que na época era chamado de Argentina Oriental, acho que daí vem o nome República Oriental del Uruguay, e iniciou-se a retomada do território das mãos do brasileiros, na verdade dos portugueses, pois creio que época ainda éramos colônia de Portugal, pois foi mais ou menos em 1925, ou seja, a família real portuguesa acabava de sair do Brasil retornando para Portugal em 1822 (acho!!!).

Na verdade ela não conseguiu explicar muito bem a história e todos nós no ônibus ficamos muito curiosos para conhecer melhor a história do Uruguai, ainda não pesquisei o assunto mas vou pesquisar, este assunto ficou pendente em minha cabeça.

Outro local que nos deixou muito impressionados foi o Parlamento deles, é um edifício construído aos moldes europeus, com muitos detalhes esculpidos. Todas as colunas são formadas por mulheres nos moldes das esculturas romanas ou gregas. No meio do prédio tem uma torre quadrada muito bem projetada com pelo menos 20 dessas mulheres esculpidas, além das mulheres existem muitos outros detalhes esculpidos, realmente me lembro da Espanha.


Montevideo: Prédio do Parlamento e detalhe das esculturas da torre central do edifício.   


Voltamos tarde ao hotel, já havia anoitecido e fomos chamar o Daniel para que pudéssemos sair para jantar. Neste dia fomos jantar em um restaurante chamado El Fogon. Para quem conhece Buenos Aires, do tipo do Palácio de las Papas Fritas, porém, sem aquelas papas fritas em forma de bolas ocas que tem lá. Muito bom o restaurante, eu e a Bê para variar comemos carne e o Daniel pediu um peixe, diga-se de passagem, estava muito bom também.


   
Montevideo: Restaurante El Fogon e a famosa Grappamiel Vesubio, boa mesmo...

No final do jantar pedimos uma Grappamiel, que é a bebida típica do Uruguai, conforme havíamos descoberto no dia anterior. O caixa do restaurante ficou tão orgulhoso de nos oferecer a bebida típica deles que nos ofereceu 3 cálices da bebida de graça e ainda por cima nos falou que aquela era a melhor Grappamiel do país. Era realmente muito melhor que a que tínhamos tomado no dia anterior. Depois que saímos de lá fomos até um supermercado para comprar a bebida e não é que encontramos a própria que tínhamos tomado no restaurante? Compramos 2 garrafas uma para mim e outra para o Daniel. Aproveitei e comprei também uma garrafa térmica que estava em oferta pelo preço equivalente a R$16,99, achei muito barata e de muito boa qualidade. Neste mercado compramos ainda o melhor alfajor que já comemos, era um negro, não sei o nome, mas não era nada enjoativo e a Bê que é apaixonada por Alfajores mandou ver o dela e depois o meu também, hehe, ainda bem que eu não sou muito ligado nisso, se fosse um bife a gente brigaria, hahahaha.

Fomos dormir depois de estudar os caminhos pelos quais passaríamos no dia seguinte no Bing Maps, pois o Google Maps não cruza fronteira, muito curioso isso, pensei que somente no Brasil é que não cruzasse, mas lá no computador do hotel também não cruzou.


Dia 4: 20/04/2010 – Montevideo - Farroupilha - 1.100 km

No dia seguinte, no rair das 8:30 estavamos tomando nosso café da manhã, sem ovos mexidos, novamente, e acabamos saíndo do hotel com as motos às 10:00h. É sempre interessante ver como as pessoas param na rua para ver, tirar fotos, conversar sobre as motos, realmente desperta uma sensação de liberdade que chama a atenção de todo mundo, é como eu sempre digo, se me viram por lá não sei, mas a moto! Não tenho nenhuma dúvida.


   
Montevideo: Saída do Hotel Embajador, como dá para ver, ninguém nota as motos.











Programamos o GPS, com todo o cuidado para que não fôssemos pelo mesmo caminho pelo qual viemos, já que queríamos conhecer outro caminho, passando por Mina, Treinta e Treis e depois por Rio Branco (Uy) que faz fronteira com o Brasil em Jaguarão -RS.



   
Trecho Montevideo – Jaguarão e a visão do paraíso (à direita) hehehe.











Foi um dia muito agradável, até porque acabamos chegando em uma cidade chamada Melo, que depois descobrimos que ficava completamente fora de nossa rota para Jaguarão. Era muito maior do que poderíamos imaginar tendo em vista os locais por onde vínhamos passando até o momento, resolvemos aproveitar para almoçar alí pois já estávamos completamente fora do horário, já era umas 3 da tarde. Acabamos indo a um restaurante, que parecia ser do tipo por quilo, mas que na verdade era um tipo de confeitaria e que segundo o Daniel e a Bê que foram ver, não tinha mesa e o pessoal comia em pé, acabamos encontrando na esquina seguinte um restaurante mesmo, que por sorte ainda estava servindo, embora nós tenhamos sido os últimos fregueses que conseguiram almoçar lá. Eu e a Bê, para variar, comemos uma carne e o Daniel uma torta de legumes, e que ao final, acabou que superou as nossas expectativas, pois estava muito melhor do que poderíamos esperar.

A maior curiosidade da cidade é que tinha mais moto parada ao longo do meio-fio do que gente, de um lado tinham os carros estacionados e do outro lado da rua tinham as motos encostadas ao longo da quadra toda, tão interessante que o Daniel já foi estacionando a moto dele no mesmo esquema, só que a moto dele era um bocado maior que as demais motos que estavam estacionadas ao longo da rua, ficou uma imagem e tanto, eu caí no riso, pois ficou realmente muito engraçada a cena, pena que a Bê não tirou uma foto.

Saímos de lá umas 4 e meia da tarde, já de baixo de uma chuva danada, e seguimos viagem, depois de termos conversado com o nosso atendente e ele ter explicado que acabamos por dar uma volta de mais de 50km, pois poderíamos ter seguido por outra estrada de Treinta e Treis para Rio Branco, na fronteira com o Brasil, mas aí, como disse o garçom, "vocês teriam perdido o prazer de conhecer este lugar e perderiam o prazer de ter podido almoçar ali". Bom de argumento o cara. hehe.

A partir daí foi com chuva mesmo, até Rio Branco, onde abastecemos com gasolina boa, cruzamos para Jaguarão, depois de carimbar os passaportes na Aduana, e passamos pela ponte da divisa entre os países, muito bonito o lugar. Seguimos em direção a Porto Alegre, e a chuva não dava trégua. Cada vez chovendo mais forte, e anoiteceu com uma chuvarada de assustar. Eu seguia na frente, o Daniel atrás e mais um outro motoqueiro com garupa, também foi indo junto com a gente. Quando estávamos chegando perto de Pelotas, eu confesso que já estava bem preocupado com a chuva, pois o meu pneu traseiro, que eu não consegui trocar em Montevideo, estava me fazendo falta agora, a moto estava dançando, coisa que me deixava muito preocupado e que eu tinha que ir controlando muito bem a velocidade da moto, pois ela ía dançando um pouco.

Quando passamos por um pedágio que ficava já bem próximo de Pelotas, parei e esperei o Daniel para propor a ele que ficássemos em Pelotas para dormir, pois aquela chuva estava muito perigosa, para ter uma idéia, quando parei, tinha pelo menos 2 a 3 cm de água no chão, sem exagero nenhum, os carros e caminhões passavam e erguiam um jato de água que jorrava dos pneus, como se estivessem passando por dentro de uma poça d’água. Ele concordou imediatamente, deu os óculos para a Bê carregar, pois estavam embaçados e faziam mais reflexos com os faróis, e fomos mais lentamente pois estava difícil de enxergar. Quando chegamos em Pelotas, entramos em uma avenida e a chuva já havia se transformado em uma garoa, aí o Daniel disse que por ele estava bem para a gente tocar mais para frente, eu também achei que dava para ir com a redução da chuva, a Bê também concordou e seguimos em frente.

A noite foi ficando estrelada e o chão secou completamente, a lua apareceu e seguimos, inacreditavelmente, sob a luz das estrelas até Porto Alegre. Depois que passamos por Porto Alegre, pois não pretendíamos dormir em uma cidade tão grande, fomos em direção de Caxias e Vacaria. Quando começamos a subir a serra gaúcha, a chuva começou novamente e com a mesma intensidade da anterior, com vento e tudo que tem direito. Coisa de doido mesmo, fomos seguindo até a primeira cidade que podíamos parar para dormir, que foi em Farroupilha. Achamos um hotelzinho muito interessante, embora eu tenha achado meio caro, R$100,00 o casal, mas naquela altura do campeonato, já eram 2 da manhã, nada mais a fazer, pois andar por lá atrás de outro hotel seria o fim do mundo mesmo.

Dormimos maravilhosamente bem. É impressionante como as camas são boas depois de passar um dia inteiro sobre a moto. Pensamos até em vender colchões para motoqueiros, pois qualquer colchão se torna maravilhoso.
 


Dia 5: 21/04/2010 – Farroupilha - Curitiba - 570 km

Acordamos mais tarde e combinamos de tomar café da manhã às 9:00. Como a esperança é sempre a última que morre, esperávamos que não continuasse a chover, mas o que aconteceu, foi que a chuva não parou um minuto sequer durante a madrugada e acordamos com chuva forte. Tomamos nosso café, nos preparamos para mais um dia de chuva, com sacolas plásticas nos pés, agasalhos etc. Tudo acaba não adiantando muito quando se enfrente na moto muitas horas de chuva sem trégua. O mais curioso é que contando ninguém acredita, a chuva que nós pegamos ao longo da viagem foi tão impressionante que é difícil de acreditar.

Até que quando saímos, eu falei para a Bê que ia parar em algum momento e a gente poderia descansar um pouco da chuva, mas não parou nem um segundo. E a chuva era forte o tempo todo.

Paramos em um restaurante na BR-116, muito próximo da entrada de Lages. Na verdade é um restaurante de campo que atende principalmente aos afortunados moradores de Lages. O restaurante é mesmo muito bom, embora meio caro para nós que estávamos apenas viajando e queríamos um almoço. A máquina de leitura do cartão de débito estava com problemas e acabei pagando antes de consumir, como eu não sabia quanto poderia custar o almoço, pedi que ela passasse R$100,00. Comentei com o Daniel e com a Bê que elas fariam a conta dar os exatos 100 que eu adiantei. Tudo bem que comemos bem, mas a conta deu 89, que acrescido dos 10% chegou a 98. Incrível a capacidade delas em nos enganar para fazer dar exatamente o que elas poderiam tirar de nós 3. hehe

Colocamos todas as roupas de chuva novamente, que estavam estendidas na varanda em frente ao restaurante, e peguei o guarda-chuva para levar a Bê até a moto. Foi mesmo engraçado isso, pois a chuva não dava trégua de forma alguma.

Saímos de lá e seguimos adiante pela 116 até que acabou anoitecendo e nós andando, paramos em Mandirituba, já bem perto de Curitiba, e neste local, pela primeira vez no dia, vimos garoa, que maravilha, uma garoazinha para descontrair...

Depois que comemos um lanche no posto que paramos, seguimos adiante e a chuva parou, o chão secou e a gente ficou impressionado com o quanto é bom andar com chão seco, pois havíamos rodado nada menos que 1000km de baixo de chuva brava, tipo enchente, tanto é verdade que na sequência da semana a chuva que pegamos na estrada chegou em Curitiba e deu enchente em muitos bairros, a nossa empregada foi embora na sexta, pois a casa dela estava com água na garagem e, segundo ela, a água nunca havia chegado na garagem e a nossa diarista, que vai aos sábados, não apareceu naquele sábado. Depois ficamos sabendo que a casa dela ficou debaixo d'água e ela acabou perdendo o fogão e a geladeira, as camas, coitada, foi uma tragédia na vida de muita gente em Pinhais.

Mas graças a Deus já estamos nos acostumando a ver a previsão do tempo, sair para a viagem e na hora da volta ter que andar de pedalinho. hahahahaha

F i m....

Agora estamos esperando pelas muitas próximas ..........

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