Imagens do Fin del Mundo

Imagens do Fin del Mundo
Eu estive lá. De frente para a vida!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

E depois da Capivara ....

Antes que me pergunte: Eu não comi a Capivara. Não foi por preconceito não, mas é que não consegui trazer a dita cuja, por razões que me pareceram no momento mais do que óbvias. Nem o Luciano tinha espaço no carro para trazer e, na verdade, confesso que nem eu estava muito a fim de ver a danada na minha frente. Coitada, ela havia morrido no acidente e aí a gente vê que a vida é mesmo muito frágil, tanto a dela como a nossa.

Minhas prezadas memórias, que me acompanham ao longo da minha jornada, em alguns momentos de forma mais sutil, entretanto, em alguns outros momentos de forma muito veemente.


Assim tem sido comigo e, imagino que com todos nós, em alguns momentos temos um período um pouco mais importante. Momentos estes que julgamos, quase sempre, serem negativos. Como compreender os nossos caminhos se ao longo desta jornada tudo aquilo que a princípio parece não ser bom acaba por ser na verdade ótimo, entretanto, apenas depois do passar o tempo é que podemos compreender isso.


Por isso peço a Deus que me dê sempre paciência para esperar até que eu possa compreender o verdadeiro motivo de minhas vicissitudes, além, é claro, de sabedoria para poder compreendê-las.
Devo confessar que me falta mais sabedoria do que vicissitudes.
Hahahaha... Rir é sempre um ótimo remédio, ou pelo menos, paleativo.


Assim, em nossa viagem até o Uruguai, Punta del Este, eu e a Bê juntamente com o Luciano, Lucianinho e Cíntia (não necessariamente nesta ordem....), quando estávamos voltando, acabamos  atropelando uma capivara, na BR-116, uns 10 km ao sul de Pelotas às 22:25 horas do dia 23 de Abril de 2011. Mais precisamente, estávamos a 1,5 km ao sul da praça de pedágio na BR-116, na cabeceira de uma ponte sobre um pequeno lago artificial.


Dali, a ambulância da concessionária me levou até a Santa Casa de Pelotas e o Dr. Teixeira pediu algumas radiografias, me fez uma bota com muita competência, e me disse que não teria outro jeito, teria que fazer uma cirurgia para reconstrução de várias peças do meu pé, mais precisamente calcanho e tornozelos.


No Hotel Curi, em Pelotas. Com o pé na tala, cadeira e Cara de quem passou
a noite bem mais ou menos mesmo.

Como ficou a moto. Apenas um pequeno amassado no mata-cachorro,
pedaleira e porta-luvas.

Dá para ver que o estrago maior foi no meu pé mesmo.


Dormimos em Pelotas no Hotel Curi. Depois de uma noite nada boa para mim, que já dava o tom para os dias que se sucederiam, saímos de carro em direção a Porto Alegre.

Eu acho que eu devia estar meio ruim da cabeça pois estava achando que a idéia de seguir de carro até Curitiba não ruim. Pode uma coisa dessas?

Graças a Deus tinha mais gente no carro e até mesmo o Lucianinho sabia que eu não deveria ir de carro junto com eles até Curitiba. A Bê e o Luciano trataram de fazer contato com a irmã do Luciano, a Juliana, que trabalha em uma empresa de turismo, para que ela nos arranjasse uma passagem de avião de Porto Alegre para Curitiba. Ela acabou arranjando a passagem, graças a Deus! Mas o mais importante é que eu já estava preparado para o pior, que seria vir de carro até Curitiba, a bagatela de 1.200 km sentado no banco do meio atrás do carro com a perna esticada sobre o apoio de braço entre os bancos dianteiros da Sportage.

Não passou muito tempo, ainda nem estávamos em Porto Alegre a a minha bunda já estava reclamando da dureza do assento do meio no banco de trás.

Chegamos em Porto Alegre e eles nos deixaram no aeroporto. Arranjaram uma cadeira de rodas para mim e lá fomos nós procurar por um lugar para ficar esperando, pois ainda não eram 5 da tarde e o vôo sairia de lá umas 10 da noite. Fomos até a sala VIP da TAM e nos instalamos. O rapaz que trabalhava lá nos atendeu muito bem e se preocupou em nos acomodar. Fiquei a princípio na cadeira de rodas mesmo, mas depois que a Bê nos arranjou um lanche para "almojantar", acabamos indo para o sofá. Lá eu pude me esticar, deitei mesmo. Até que fiquei relativamente bem. O pé estava ainda amortecido embora doesse um bocado ainda, eu estava tomando remédio para a dor e tudo parecia estar indo mais ou menos bem.

A idéia era chegar em Curitiba e nem ir para casa, ir diretamente para o Hospital Vita, deveríamos chegar lá pela meia-noite para ver se conseguia um internamento. Na verdade eu não estava nem um pouco a fim de passar mais uma noite sem nenhuma infra-estrutura, em casa com o pé daquele jeito.

Foi o que fizemos. Após a consulta o médico que estava de plantão me internou e na manhã seguinte teria a consulta com o cirurgião, ele confirmou o que o médico de Pelotas já havia me dito. O meu caso era cirúrgico e não tinha alternativa. Era uma cirurgia complexa e com uma recuperação ainda mais complexa e demorada, sendo que eu teria que ter muita paciência durante a recuperação.

Lá fui eu para o quarto e, como a cama de hospital levanta a parte dos pés, foi muito melhor do que ficar em casa, ou ainda, muito melhor que a noite anterior que eu havia passado no Hotel Curi em Pelotas, menos por causa do hotel e mais por causa do meu pé mesmo. hehe.


Depois de uma noite difícil, nem tanto como a anterior, mas ainda assim muito dura, na manhã seguinte colheram sangue para exames, conversei com o médico, que me informou que a cirurgia seria às 13:00 e que eu teria que ficar em jejum completo, devido à anestesia, ainda veio uma médica anestesista que me fez um monte de perguntas, alergias, etc.


Bem, quando chegou o horário vieram ao quarto me buscar e lá fui eu de maca, deitadão, vendo aquelas luzes no teto, que os filmes mostram tão bem. Tinham me dado um sonífero no quarto e a médica anestesista havia me informado que eu iria sentir sono, pensei comigo que devia ser o "dorminide", acho que é este o nome, e fiquei atento para ver se dava sono. Sabe que não vi mais nada, nem sequer senti sono, dormi direto.


Bem, nada aconteceu até que acordei. Estava na sala de cirurgia e tinha um campo armado em forma de leque a partir de minha cintura e vindo em direção de minha cabeça, só que alto. Eu tinha visão boa, estava de lado e fiquei ali quieto escutando e sentindo o balanço do corpo provocado pelo que quer que estivessem fazendo com o meu pé. Não sentia dor alguma. Até poderia dizer que eu estava em uma situação bem confortável, mais do que eu poderia imaginar.


Aí o Dr. Bruno Moura, médico que estava me operando, falou comigo: - E aí Luiz, como é que está?, e eu respondi: - sabe que aqui está tudo bem mas eu estou curioso para saber se aí está tudo bem.
Ele riu e me disse que estava tudo bem, mas que a coisa tinha sido mais difícil do que ele inicialmente imaginava que deveria ter sido.


Deve ter sido mesmo, porque demorou para eu chegar ao quarto, cheguei somente às 7 da noite. Sabe que depois deste momento de muita lucidez, na sala de cirurgia, acho que dormi novamente pois quando voltei a ter consciência já estava no apartamento. Me lembro que eu estava me sentindo excessivamente animado, muito satisfeito, diria que quase em euforia. Provavelmente resultado da anestesia.


Assim foi durante estas primeiras horas quando a Bê estava no quarto, meu pai foi me ver, meus filhos também foram. Tudo estava muito bem. Dormi, acho que já era umas 11 da noite. Acordei com muita dor no pé à 1:30 da manhã.


Aí a coisa ficou preta. Chamei a enfermeira para pedir um remédio para dor e ela me disse que o médico tinha deixado receitado um remédio para esta situação. Fiquei mais tranquilo, já que o meu problema seria resolvido.


A enfermeira demorou uma eternidade para retornar ao quarto, devido à dor que eu sentia me pareceu que tinha passado uma semana, quando ela voltou e me aplicou uma injeção no tubo do soro que estava no meu braço, diretamente na veia.


Aguentei firme, pois não tinha o que fazer mesmo, gritar não adiantava, nada adiantava a não ser esperar que a dor passasse com o medicamento. Esperei.... Esperei muito, tinha passado já meia hora quando chamei novamente a enfermeira. Ela chegou e eu disse que estava com uma dor do cão e que o remédio que ela tinha me dado não tinha feito efeito nenhum.


Aí ela me disse que poderia aplicar outra dose apenas depois de 2 horas pois era morfina e não podia ser aplicado em menos que este tempo. Que coisa!!!!! Foi de lascar até que passaram 2 horas e ela veio me aplicar outra dose. Não adiantou nada novamente. Dor e mais dor até que novamente ela veio, depois de mais 2 horas e aplicou outra dose, eu já estava preocupado que não adiantaria nada aquelas injeções. Fiquei me mordendo de saudade da anestesista e queria chamar ela de volta, pois a anestesia funcionou que foi uma beleza durante a cirurgia. Lá pelas 8:30 da manhã a dor começou a ceder e eu consegui descansar um pouco, inclusive tomar um cafezinho, mesmo que sem muita vontade.


O médico veio me visitar, contei para ele o que tinha passado na noite, ele me disse que era assim mesmo e que eu teria que ter muita paciência durante o período de recuperação que estava começando. Me disse que eu não poderia sair da cama em hipótese alguma, para nada. Que devia mexer o pé e que estava liberado para comer o que quisesse. Bem, lá se foi o dito cujo.
Olha só o estrago. Nesta foto ainda tem os pontos.

A mancha rocha que ficou na sola do pé. A pancada foi grande.


Fiquei ali, pacientemente vivendo o que eu tinha que passar e pensando sobre o que tinha acontecido e se tinha um porque de tudo aquilo. O ser humano deve mesmo ter algum problema, pois está sempre buscando uma razão para as coisas e o que é pior, acaba achando uma razão para as coisas. heheh.


Assim foi comigo também. Eu aprendi que não deveria andar de noite em estradas com a motocicleta, isso é mesmo muito perigoso pois os animais acabam saindo muito mais durante a noite do que durante o dia, o que sem dúvida aumenta em muito a chance de ter algum acidente com eles durante a noite. Outro fator é que tem menos movimento na estrada durante a noite o que, devido ao maior silêncio na estrada, também acaba senão atraindo, pelo menos afastando menos os animais silvestres.


Além do que, durante a noite, mesmo que aquela fosse uma noite muito limpa, clara, sem movimento de veículos, estrada bem sinalizada com olhos de gato e pista em ótimo estado de conservação e ainda por cima os animais tem uma pelagem que os camufla muito bem, graças a isso eles sobrevivem em meio aos predadores. Quando eles saem da proteção da mata eles entram na estrada como se fosse um campo e, dessa forma, se sentem ameaçados por estarem em uma área aberta e correm no trecho.


Ainda bem que não vi a capivara, pois se tivesse visto, em uma fração de segundo eu poderia ter a ideia de desviar ou sei lá o que. Aí eu não sei o que teria acontecido. Pensei também que se eu estivesse com os pés nas plataformas a capivara teria batido no mata-cachorro e meu pé ficaria livre do acidente. Logo depois pensei também, como engenheiro que sou, que se meus pés estivessem em outro local a resistência do ar teria sido menor também e aí nós poderíamos ter chegado ali naquele ponto algum instante antes o que teria resultado no impacto da capivara com a roda da moto e nós poderíamos ter saído rolando pela estrada com consequências desconhecidas.


Depois de pensar muito cheguei à conclusão de que aconteceu o que tinha que ter acontecido e que as consequências do ocorrido foram mínimas, ou seja, é como se não tivesse acontecido nada, pois a Bê, que estava na garupa, não teve nenhum problema, nada nada, só bati com a perna na ponta do bico da bota dela e ela ficou sentindo um pouco a ponta dos dedos, e isso ainda nem durou muito tempo, nada mais.


Sei que durante os dias que fiquei no hospital, que foi de segunda, dia 25/04/2011, quando fiz a cirurgia, até na sexta-feira, dia 29, e ainda mais durante muitos dias que fiquei em casa e poderia dizer que até hoje, pensei e penso ainda sobre as lições que tive que aprender de forma drástica.


- Andar à noite não; 
- Andar em velocidades muito altas, não; 
- Andar de moto novamente, assim que possível. 


Estou morrendo de vontade de andar, mas ainda não sinto que meu pé esteja me dando segurança para isso, pois ainda dói muito, sendo que estou sem muletas apenas a 4 dias. Logo logo chegará o dia da primeira voltinha.


Iniciei a fisioterapia já no primeiro mês, mesmo que ainda fosse muito difícil ir até a clínica. Mas quanto antes se começa maiores e melhores os resultados. De fato foi bom, embora não pudesse apoiar o pé, fiz uma série de exercícios sem carga mas que começaram a dar mobilidade às articulações do pé.


Neste período inicial eu acabei sofrendo duas quedas, na primeira quebrei o dedo da aliança e no segundo, por muita sorte mesmo, não aconteceu nada. Aí entendi que a pior parte de recuperação quando a gente fica sem um dos pés para pisar no chão, é que a pessoa cai muito e acaba se quebrando toda, ou seja, o primeiro acidente que originou toda a história acaba sendo secundário.


Durante minha recuperação tive que ficar 66 dias sem pisar no chão, esperando que os ossos se solidificassem. Depois desses 66 dias, o médico me disse que poderia por o pé no chão. Primeiro apoiando 30% do peso, depois evoluindo para 50% do peso, ou seja, utilizar o pé e uma muleta no braço oposto. Me deu 2 guias para fisioterapia nesta linha. Ele chamou de treino de marcha com 30% da carga e depois com os 50%.


Com o início do apoio do pé no chão, mesmo que fosse apenas encostando ele no chão enquanto dava os passos com as muletas, o primeiro fato foi que parei de cair pois aumentou em muito o meu equilíbrio, mas muito mesmo, é sensível a diferença. Depois que pude apoiar o pé no chão caí somente no box do banheiro, principalmente por culpa do pé do banquinho de plástico que dobrou, e que por muita sorte também não me aconteceu nada.


Mas muito da minha recuperação e principalmente do meu alto astral, que sem dúvida me ajudou, e ainda tem me ajudado muito na recuparação, foi a presença de meus amigos, grande e sinceros amigos que a vida me deu e que mais recentemente esta maravilhosa marca de motocicletas "Harley Davidson" complementou. Estes amigos estiveram sempre presentes e próximos de mim, sempre com uma palavra de otimismo e uma história de recuperação própria ou de alguém próximo a eles.


Assim recebi convites múltiplos para participar de passeios, embora tanto eu como eles sabíamos que não daria para ir, pois ainda estaria muito cru para começar a andar com a moto, mas ainda assim faziam planos como se fosse dar certo. Sempre deixando para a próxima oportunidade, e ainda com a presença constante deles em minha casa. 


Foi realmente muito positivo isso. 


MEUS AMIGOS! 
MUITO OBRIGADO POR VOCÊS EXISTIREM E ESTAREM PRÓXIMOS A MIM NESTE MOMENTO EM QUE PRECISEI DE VOCÊS.
AMO MUITO TODOS VOCÊS!


Agora tenho ainda mais certeza de que sempre vou precisar de vocês. Estamos ligados para sempre. Podem ter certeza disso.


Teria ainda tantas coisas para contar, como as noites em que acordei me sentindo muito mal e graças a um floral chamado "Rescue", consegui superar bem aquela sensação de ansiedade resultante do trauma físico e psicológico provocado pelo acidente e de suas consequências em mim. Obrigado Daniel por ter me dado esta valiosa indicação.


A Bê merece um agradecimento especialíssimo, em ter me aguentado, pois houveram muitos dias em que eu estava com os "nervos a flor da pele" e ela teve bastante paciência comigo. Houveram momentos em que a coisa azedou um pouco, mas faz parte, acho que foi muito mais tranquilo do que seria se não nos gostássemos tanto, quer dizer, falo da minha parte, e agradeço a ela pela parte dela.
Ao final estamos felizes com o que temos vivido, mesmo considerando os acidentes de percurso, ao menos eu penso assim. hehe. Foto tirada pelo Guma no Café Dobrucki, Curitiba.


A todos em minha casa que também tiveram que se adaptar à minha presença mais constante, pois na  nunca passei muito tempo em casa com a família, pois nem sequer férias nos últimos anos pude tirar.


Foi e tem sido ainda uma experiência e tanto, espero estar cada dia podendo aprender um pouco mais para me tornar um pouco melhor a cada dia.







quarta-feira, 6 de julho de 2011

Estranho personagem esse tal de MOTOCICLISTA!

Texto de Fernando Drummond.

Difícil crer que seja possível preferir o desconforto de uma motocicleta, onde se fica instavelmente instalado sobre um banquinho minúsculo, tendo que fazer peripécias para manter o equilíbrio e torcendo para que não haja areia na estrada. Como podem achar bom transportar o passageiro, dito garupa, sem nenhum conforto ou segurança, forçando o coitado a agarrar-se à pança do motociclista, sujeitando ambos a toda sorte de desconfortos, como chuva, ou mesmo aquela "ducha" de água suja jogada pelo carro que passa sobre a poça ao lado, ou de ficarem inalando aquele malcheiroso escapamento dos caminhões em uma avenida movimentada como a marginal Tietê, por exemplo, sem falar da necessidade de se utilizar capas, casacos e capacetes, mesmo naqueles dias de calor intenso. Isso tudo enquanto convivemos numa época em que os automóveis nos oferecem toda sorte de confortos e itens de segurança. Ar-condicionado, que permite que você chegue ao trabalho sem estar fedendo e suado; "air bags", barras laterais, cintos de três pontos, etc., que conferem ao passageiro uma segurança mais do que necessária; som ambiente; possibilidade de conversar com os passageiros (OS passageiros. ..) sem ter que gritar e assim por diante.

Intrigante personagem, esse tal de motociclista.
Apesar de tudo o que disse acima, vejo sempre em seus rostos um estranho e particular sorriso, que não me lembro de haver esboçado quando em meu carro, mesmo gozando de todas as facilidades de que ele dispõe.

Passei, então, a prestar um pouco mais de atenção e percebi que, durante minhas viagens, motociclistas, independente de que máquinas possuíssem, cumprimentavam-se uns aos outros, apesar de aparentemente jamais terem se visto antes daquele fugaz momento, quando se cruzaram em uma dessas estradas da vida.
Esquisito...

Prestei mais atenção e descobri que eles frequentemente se uniam e reuniam, como se fossem amigos de longa data, daqueles que temos tão poucos e de quem gostamos tanto.
Senti a solidariedade que os une. Vi também que, por baixo de muitas daquelas roupas de couro pesadas, faixas na cabeça, luvas, botas, correntes e caveiras, havia pessoas de todos os tipos, incluindo médicos, policiais, juízes, advogados, militares, etc. que, naquele momento, em nada faziam lembrar os sisudos, formais e irrepreensíveis profissionais que eram no seu dia a dia. Descobri até alguns colegas, a quem jamais imaginei ver paramentados tão estranhamente.

Muito esquisito...
Ao conversar com alguns deles, ouvi dos indizíveis prazeres de se "ganhar a estrada" sobre duas rodas; sobre a sensação deliciosa de se fazer novos amigos por onde se passa; da alegria da redescoberta do prazer da aventura, independente da idade; e da possibilidade de se ser livre e alegre, rompendo barreiras que existem apenas e tão somente em nossas mentes tão acostumadas à mediocridade.

Vi, ouvi e meditei sobre o assunto. Mudei a minha vida...
Maravilhoso personagem, esse tal de motociclista.
Muitas motos eu tive, mas jamais fui um verdadeiro motociclista, erro que, em tempo, trato agora de desfazer.

Mais que uma nova moto, a moto dos meus sonhos.
Mais que apenas uma moto, o rompimento dos grilhões que a mim impunham o medo e o preconceito e que por tanto tempo me impediram de desfrutar de tantas aventuras e amizades.
Quem sabe o tempo que perdi e as experiências que deixei de vivenciar.
Se antes olhava-os com estranheza, mesmo sendo proprietário de uma moto (mas não um motociclista) , vejo-os agora com profunda admiração e, quando não estou junto, com uma deliciosa pontinha de inveja.

O interessante, é que conheço pessoas que jamais possuíram moto, mas que estão em perfeita sintonia com o ideal motociclista.
Algumas chegam até mesmo a participar de encontros e listas de discussão, não que isto seja imprescindível ou importante. O que importa é a filosofia envolvida.
Hoje, minha garupa e eu, montados em nossos sonhos, planejamos, ainda timidamente, lances cada vez maiores, sempre dispostos a encontrar novos velhos amigos, que certamente nos acolherão de braços abertos.
Talvez, com um pouco de sorte, encontremos algum motorista que, em seu automóvel, note e ache estranho aquele personagem que, passando em uma motocicleta, com o vento no rosto, ainda que sob chuva ou frio, mostre-se alheio a tudo e feliz, exibindo um largo e incompreensível sorriso estampado no rosto.
Quem sabe ganharemos, então, mais um irmão motociclista para o nosso grupo.
Olhe sò;esta quase no fim os apartamentos bloqueados.
Corra,pois você não vai querer ficar fora dessa,vai?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Qual o sentido da vida?

Assistindo ao filme "Nosso Lar", gostei muito do texto, atribuído ao Dr. André Luiz, o qual transcrevo aqui:
 
 
 
A Vida não cessa e a morte é um jogo escuro de ilusões
Fechar os olhos do corpo não decide os nossos destinos
É preciso navegar no próprio drama ou na própria comédia
Até quando teremos atravessado todos os caminhos da evolução espiritual
Só então encontraremos as águas do oceano Divino.

Uma existência, é um ato
Um corpo, uma veste
Um século, um dia
E a morte...
A morte é o sopro renovador

Mas não vou sofrer com a idéia da eternidade;
É sempre tempo de recomeçar;
Agora,
A voz Divina que fala no santuário da minha alma;
É só Perdão e Amor.
 
Dr. André Luiz
 

domingo, 24 de abril de 2011

Punta de Leste - Páscoa de 2011

TRAJETO: CURITIBA – PUNTA DEL ESTE - CURITIBA

PERÍODO: 20 a 24/04/2011

TOTAL DE QUILÔMETROS RODADOS: 3.200 km - ou 2.000 km (depende do ponto de vista)


VIAJANTES:
Harley Davidson Eletra Ultra Glide Classic 2010: Luiz e Bê
KIA Sportage: Luciano, Cintia e Luciano Fo. (8 meses) - Netinho


Olha a gente aí em Punta del Este.

Dia 1: 20/04/2011 – Florianópolis – Gravataí - 440 km + 300 km (Curitiba - Florianópolis)

Trecho Florianópolis - Gravataí

Nesta Semana Santa, estavamos em Florianópolis, então descemos com a nossa HD de Curitiba para lá já que pretendíamos seguir para o Uruguai no final da tarde da quarta-feira, dia 20, aproveitando que dia 21 de Abril é feriado nacional.

Ainda estávamos combinando com o Luciano e a Cíntia, nossos genro e filha, que estavam tentando se organizar para seguirem conosco neste passeio de Páscoa. Durante a semana e depois de várias tratativas, eles acabaram indo com a nossa Sportage.

Desta vez tomamos todos os cuidados relativos à documentação necessária para podermos sair do país, já que na última tentativa eu, a Bê, o Daniel e a Ana Paula, estávamos em duas Harleys, e quando chegamos na fronteira não pudemos seguir, pois tanto eu como o Daniel estávamos apenas com a carteira de motorista, coisa de louco, pois estávamos carecas de saber que não se sai do país sem um documento oficial.

Na quarta-feira, dia 20, eu e a Bê saímos de Florianópolis, já passava era 5 horas da tarde, o movimento na ponte para sair da Ilha de Santa Catarina é sempre difícil. Seguimos em direção à BR-101. Esta rodovia está em duplicação a uns 10 anos apenas, e o tráfego por lá é muito difícil e perigoso, exigindo muita atenção dos motoristas, não só atenção mas principalmente paciência. Nossa preferência para seguir ao sul sempre foi a BR-116, que passa por Mafra, Lages, Caxias do Sul, etc., embora seja pista simples é muito mais livre e menos perigosa que a 101.

Nosso destino que era algum lugar próximo de Porto Alegre, onde pretendíamos parar para dormir e esperar pela chegada do Luciano. Assim que escolhêssemos um lugar era só avisar a eles para que pudessem nos encontrar.

O Luciano acabou tendo que ir para São Paulo na quarta-feira e conseguiu retornar apenas no vôo que chegou em Curitiba às 22:00h. Ele foi para casa, tomou banho, jantou, colocaram toda a bagagem no carro e saíram de Curitiba rumo a Porto Alegre à meia-noite. Coisa de louco, pois a distância é grande, 725 km.

Eu e a Bê chegamos em Gravataí já era meia-noite, na avenida que entra para a cidade paramos em um posto Ipiranga para abastecer e, ao lado do posto, tem o Hotel Radar, nos hospedamos ali. Avisamos ao Luciano e à Cintia do local onde estávamos,  preocupados com eles que estavam na estrada, mas como o Luciano é um bom motorista, acostumado a sair de Curitiba e ir até o Rio de Janeiro em uma puxada só, ou sair em dois do Rio e ir até o nordeste praticamente sem parar no caminho, ficamos tranquilos de que tudo daria certo.


Dia 2: 21/04/2011 – Gravataí - Punta del Este -  760 km


Trecho 1, Brasil: Gravataí - Chuí - RS - 540 km

Trecho 2, Uruguai: Chuy - Punta del Este - Uruguai - 220 km.

De fato, eles chegaram em Gravataí na quinta-feira às 9:30 da manhã. Descemos para tomar café com eles e descobrimos que o café era servido somente até as 9:30h, logo, perdemos o café. Eles haviam entrado em Gravataí por outra avenida e ficaram um bom tempo procurando pelo Hotel, o uqe acabou atrasendo um pouco a chegada deles.

Saímos do Hotel Radar e fomos tomar um café da manhã na lanchonete ao lado do Posto Ipiranga, já que o Luciano disse que não iria dormir nem um pouco, pois havia parado em um posto no caminho e dormiu um sono no carro por cerca de 1 hora e que estava inteiro. Como ele estava com boa aparência, seguimos em direção a Porto Alegre após nosso café da manhã.


Luciano e Cintia no carro

Lucianinho feliz por estar saindo do país pela primeira vez. Hehe
Passamos por Porto Alegre seguindo para a Ponte sobre o rio Guaíba, pela BR-116, em direção a Pelotas. A idéia era de seguir pelo Chuí passando pela reserva do Taím. Quando paramos em um posto de gasolina para esticar as pernas e abastecer a moto, na BR-116, encontramos 3 motociclistas de São Paulo, que estavam rodando desde as 8 da noite do dia anterior, já eram umas 2 da tarde. Eles estavam fazendo o tal do iron but, que significa rodar mil milhas em 24 horas, ou seja, 1.600km em um dia, eles já haviam rodado  1.350km e estavam prestes a realizar o feito. Fiquei admirado com a disposição do pessoal, um dia, quem sabe, poderemos encarar uma destas. Nosso record é de 1.080km (de Joaquín V. Gonzales a Posadas - Argentina) em um dia, teve também outro dia que rodamos 1.050km (Curitiba a Rosário do Sul), mas começamos a rodar pela manhã e fomos até umas dez da noite.

Nós à direita (Ultra vermelha) e outras motos passando.
Passaram por nós alguns grupos de motociclistas, mas o surpreendente foi o movimento. A BR-116 estava engarrafada desde a ponte sobre o rio Guaíba e seguia assim. Ao longo da estrada foram muitos quilômetros de engarrafamento, nós estavamos de moto, o que facilita muito, mas como eles estavam de carro tínhamos que ir na mesma balada.

Mesmo assim, houve um momento em que acabamos nos distanciando e após uma praça de pedágio paramos em um posto para esperar por eles. Ficamos cuidando e nada deles. Depois de algum tempo, que julgamos mais do que suficiente para eles passarem, e nada, ligamos para a Cintia. Por sorte ela atendeu e disse que estava passando por uma Concessionária da Mercedes Benz e que não tinham passado pelo pedágio. Voltamos até o pedágio para esperar e nada. Depois de mais de meia hora, ligamos novamente e o Luciano disse que tinham acabado de passar o pedágio e que estavam passando por um posto da Polícia Rodoviária Federal e que ele iria parar no primeiro posto de combustível que encontrasse para nos esperar.

Bem, seguimos em frente, passamos pela Loja da Mercedes, que ficava logo depois do posto onde havíamos ficado esperando por eles. Aí foi que vimos o tamanho da bobagem, eles haviam passado por nós e não havíamos visto. Que coisa de louco! Seguimos, passamos pela polícia e depois um posto onde eles não estavam. Entramos à esquerda na BR-392, andamos bastante e encontramos um pedágio, passamos por ele e depois vimos um posto da PRF então entendemos onde eles deveriam estar. Seguimos procurando o primeiro posto de gasolina. Aí foi longe, porque pegamos a BR-471, onde inicia a Reserva do Taím e não tem posto de combustível. Que saco! Havíamos combinado no primeiro posto de combustíveis depois daquela PRF, bem não tinha o que pensar, era seguir até o primeiro posto, estivesse ele onde estivesse.

Reserva do Taín - Veja o tamanho das Capivaras. Coisa de louco!!! Depois conto porque desta foto.

Cintia e Lucianinho esperando por nós no posto após a Reserva do Taín.
O dia estava escurecendo e estávamos bem preocupados em anoitecer e não conseguirmos encontrar eles, de qualquer forma no Chuí a gente acabaria por se encontrar. O primeiro posto depois da PRF ficava a cerca de 100 km de distância, mas, quando chegamos, lá estavam eles parados nos esperando com o pisca-alerta ligado pois haviam nos visto chegando. Foi um grande alívio principalmente para a Bê, que como toda boa mãe e avó, estava se segurando para não perder o controle e desabar no choro.

Assim que nos encontramos, saímos, sem abastecer, e seguimos em frente. Chegando no Chuí, fomos atrás da carta-verde para o carro, pois a da moto eu tinha adquirido aqui mesmo antes de sair, mas eles não tiveram tempo de organizar este documento e compramos na fronteira.

Aí ponderamos de ficar para dormir no Chuí ou no Chuy, um no Brasil e outro no Uruguai, pois eles deviam estar pra lá de cansados, haviam passado a noite e o dia rodando. O mais tranquilo era o Lucianinho, que estava em paz, ele é de mais, pois fica apenas prestando a atenção em tudo que tem no caminho e não perde oportunidade para dar seus gritos e graças.

Depois de perguntar sobre estadia, fomos informado de que os hotéis estavam cheios, e que seria muito difícil de conseguirmos achar vaga. Aí pensamos em ir até Rocha, jantar no Maria Esther, onde já havíamos almoçado em outra viagem e ver se dormíamos por lá.

Passamos a fronteira sendo que na aduana do Uruguai tinha uma fila do tamnho de um bonde. umas 50 pessoas em nossa frente e o pior é que depois de nós não chegou mais ninguém, ou seja, a fila acabou junto conosco.

Depois de muita confusão, pois passar com 2 veículos, 4 adultos e um bebê às vezes pode ser complicado. Houveram casos que me eximo de relatar, mas finalmente saímos de lá. Como não tinha posto próximo em direção a Punta, resolvemos voltar para a fronteira para abastecer a moto e o carro no Chuy, de preferência no lado Uruguaio, aproveitando que a gasolina deles é mais cara mas é de qualidade bem superior à nossa.

No Uruguai em Castillo, estavamos atrás de algum lugar para jantar. Este local era bom mas não tinha grelha (Parrilla).
Para quem não dormiu o Luciano está com a cara ótima, não?

Seguimos, passamos pelo forte de Santa Tereza, mas como era noite não paramos, apenas vimos da estrada as muralhas iluminadas. Passamos por Castillos, onde chegamos a parar em um restaurante muito interessante, mas que não tinha grelha, ou seja, parilla, para que pudéssemos comer um entrecôte uruguaio, que é coisa de louco para quem gosta de uma boa carne. Depois de vários quilômetros chegamos em Rocha e ao lado do posto que tem na entrada para a cidade, encontramos o já famoso Parador Maria Esther.

Bê, Luciano, Cintia e Lucianinho dormindo no Bebê Conforto no Parador Maria Esther - Rocha - UY.

Eu, a Bê e o Lucianinho (acho que ele não queria o beijo...)

Nós e a Patrícia. Que Beleza!!!!! Neste Restaurante a gente come bem.
Comemos um bife de entrecote, mursilha doce (que não estava tão boa como da primeira vez que comemos) e bebemos a famosa cerveja Patrícia, que é muito suave e desce bem demais depois de muitas horas comendo estrada.

Para dormir, como bons loucos que somos, seguimos depois da janta para Maldonado/ Punta del Este. Demorou um pouco e acabamos chegando já devia ser 1 hora da manhã, imediatamente começamos a procurar hotel. Depois de passar por uns 5 e todos estarem lotados começamos a desconfiar que a cidade estava realmente lotada.

Hotel Castell Abatte que ficamos na primeira noite em Punta
Chegada no Hotel as 4 da matina.
Acabamos voltando em um hotel pequeno administrado por dois senhores com mais de 70 anos de idade e acabamos conseguindo dois quartos. Já era 4 da manhã quando nos instalamos. Depois o Luciano acabou apelidando o Hotel Castell Abatte de "El Piollito", pois a funcionária do quiosque de turismo nos disse que já havia recebido reclamação de que crianças haviam pegado piolho neste hotel. Saímos coçando a cabeça, mas não tivemos este tipo de problema, graças a Deus!

Não teve como não lembrar de uma vez que fomos os quatro juntos para Buenos Aires, uns 3 anos atrás, e pegamos um taxi no shoping Abasto, próximo à Esquina Carlos Gardel, casa que apresenta shows de tango, e um motorista porteño, dos mais mal educados, quando perguntamos como era o nome daquele bairro ele respondeu:"Abasto", mas com uma entonação que se tivesse me chingando daria exatamente na mesma. Como Abasto e Abatte soam da mesma forma, não teve como não lembrar e rir muito disso.

Dia 3: 22/04/2011 – Punta del Este

O quarto era muitíssimo simples e o banheiro também, acho que o Hotel deve ter mais de 50 anos. O café da manhã foi daqueles inesquecíveis. Umas torradas, margarina, café, leite, geléia, bolacha e um suco de laranja, tudo servido na mesa mesmo. Até que já tomamos piores.

A primeira coisa que fizemos foi dar baixa no Hotel, pagamos a conta que não foi barata, US$ 80,00 por casal, e paramos em um local de Informações Turísticas para ver se conseguíamos vaga em um Hotel melhorzinho, pois aquele era sacanagem, mas ao final não podemos reclamar muito já que a opção era de dormir na rua, ou na areia da praia, e estava bem frio para isso.


Informações Turísticas - Atrás de um Hotel melhor no sábado.
Conseguimos com a funcionária que nos atendeu mapas da cidade e dos pontos turísticos, que na verdade a Bê já havia pesquisado anteriormente na Internet, e conseguimos dois apartamentos no Hotel The Smalleast (que se escreve assim mesmo - seria "O Pequeno Este" e um trocadilho com "O Menor"). Seguimos diretamente para o novo Hotel a fim de nos instalarmos e sairmos para passear, mas pelo caminho fomos tendo uma idéia do porque este local é um dos mais elegantes balneários do mundo.

Avenida Beira Mar em Punta del Este.

Da para acreditar nisso!!!!

Luciano e Cintia com o Conrad ao fundo.

Eu e a Bê também na frente do Conrad.

Vista dos prédios na Beira Mar - Coisa muito humilde mas limpinho (Hahah)

Eita nóis em Punta!!!! Que coisa boa!
O nosso novo Hotel The Smalleast ficava localizado bem na Punta mesmo (que é um cabo) e fica em um largo onde se encontra um farol.

As HD que vimos estacionadas. Reparem como realmente são parte da paisagem. As pessoas nem reparam!!!

Largo do Farol em frente ao Hotel The Smalleast
Como sempre o GPS é rei nestas horas em que estamos nos deslocando por cidades que não conhecemos, fomos praticamente direto até o Hotel, passando pela orla mais movimentada. Encontramos 2 HD Ultra Glide estacionadas, uma preta e uma outra igual à minha, no entanto não vimos onde poderiam estar seus condutores. Acabamos por encontrá-los em um posto na rodovia em Melo, quando estavamos retornando para o Brasil, um de Pelotas e outro de Porto Alegre, se não me engano, dois casais muito simpáticos.

Após nos instalarmos no Hotel saímos para passear, apenas com o carro, deixei a moto na frente do Hotel, e chegamos em um restaurante que parecia ser ótimo, porém a fila estava de matar. Logo ao lado encontramos um outro local muito bom, chamado Boca Chica.

Nós no Boca Chica brindando com um Clericot de frutas com um Chardonay. Delícia!!!
Tivemos um almoço muito bom, eu para variar comi carne, pois no Uruguai ou na Argentina é isso que se deve comer. Saímos e fomos passear pela cidade. Queríamos encontrar um caixa automático, que eles chamam de cajeiro de extración, para sacar dinheiro para as despesas correntes, pois para quase tudo se pode utilizar o cartão de crédito.

Nota-se que Punta del Este é onde começou o balneário e que depois o mesmo foi se expandindo, mas é de impressionar o bom gosto reinante naquela região. Prédios e mansões de arquitetura requintada, de onde se tira que existe um mundo melhor, pena que é tão caro. Hahaha. Mas como a nossa moeda está muito valorizada até que é possível para nós brasileiros conhecermos este lugar.

Bê no Boca Chica - Que vista...

Cintia e Luciano na varanda do Boca Chica

Cintia e Bê no Boca Chica
 Saímos do restaurante, pegamos o carro e fomos atrás de banco e depois fomos visitar o Monumento ao Afogado. Achei o nome da escultura um tanto quanto tétrico, sei lá!

Monumento aos Afogados - Que nome de mau gosto!
O Monumento fica próximo ao lado norte da Punta. Saímos dali e seguimos em frente em direção ao norte acompanhando a costa. Vimos diversas casinhas, como a mostrada abaixo.

Exemplo de casinha indicando que existe um mundo melhor ....
Ao final chegamos à famosa ponte Leonel Vieira, claro que passamos de carro sobre ela diversas vezes, acho que umas 4 ou 5 idas e vindas. Muito legal, nos divertimos fazendo isso. Dentro do carro era um griteiro só, tanto da Cintia como da Bê.

Ponte maluca!!! Ponte Leonel Vieira. No Brasil acho que teríamos um golpe de estado se algum governante fizesse uma ponte assim.
No caminho de volta nos chamou a atenção uma torre alta e iluminada que parecia algum tipo de monumento. Como quem está passeando não tem muito o que fazer mesmo, a não ser ir conhecendo tudo que se apresenta pelo caminho, acabamos entrando no loteamento de mansões para ver se descobríamos o que era aquilo.

Nossa surpresa foi grande quando vimos que tratava de um Hotel, chamado Hotel Alberge. Um verdadeiro albergue mesmo, quase um albergue da juventude. Coisa para estudante. Parei e fui perguntar o valor da diária, até que achei razoável, poderíamos ter ficado lá. Quem sabe da próxima vez que voltarmos.

Hotel Alberge - De perto.


Hotel Alberge - De longe.

Voltamos pelo mesmo caminho, passamos por um Supermercado para comprar Alfajores, mas pena que não tinha o Negro - Punta Ballena, que na nossa opinião é o melhor alfajor do mundo. Mas, de quebra, a Cintia encontrou a Cléo Pires e registrou o fato em uma foto. Ainda bem que ela estava lá, eu muito ignorante nestes assuntos de televisão nunca havia visto a dita, depois me disseram que é filha da Gloria Pires e do Fábio Júnior (não sei nada mesmo!!!)

Cintia, Lucianinho e Cléo Pires no Supermercado. Parece que o rapaz atrás é o marido dela.
Depois do mercado, seguimos em direção ao outro lado da baía, ou seja, acompanhando a costa para o lado sul. Ao final da praia e depois do início de um morrinho, entramos para a esquerda e seguimos rumo à Punta Ballena, passamos por diversas casas muito bonitas com uma vista maravilhosa, mesmo que de noite.

Aí chegamos no monumento de entrada da Casa Pueblo que originalmente era uma casa de veraneio do artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró depois acabou se transformando em um museu de arte e um hotel. Como chegamos de noite, muito pouco deu para ver ou fotografar, aí resolvemos que voltaríamos lá no dia seguinte. Entramos no hotel e a recepcionista ficou nervosa para se ver livre de nós, ou seguíamos para o restaurante ou nos convidava para sair.

Entrada da Casa Pueblo - Punta Ballena

Casa Pueblo
Casa Pueblo
Casa Pueblo
Saímos da Casa Pueblo e retornamos em direção a Punta del Este. Como não tínhamos visto nenhuma churrascaria entre Punta del Este e Punta Ballena resolvemos que deveríamos ir a Maldonado para procurar uma boa parrilla.
Chegando no centro de Maldonado perguntamos a um senhor, que era guardador de carros, e ele nos indicou o "Lo de Ruben" como sendo a melhor churrascaria de lá, nos indicou a direção e fomos.
Luciano, Cintia e Lucianinho em frente a Parrilla Lo de Ruben, em Maldonado
Assim que chegamos deu para ver que acertamos em cheio em seguir a dica do cuidador de carros, o restaurante Lo de Ruben é realmente famoso e dos melhores que tem lá. Estava cheio de turistas e pela churrasqueira do dito, que está na foto abaixo, da para ver o quanto é interessante.

Na churrasqueira tem batata doce assada que é servida caramelizada, linguiça, mursilha doce e salgada, pimentões assados, batata inglesa e mais uma série de acompanhamentos que não estamos habituados a consumir aqui no Brasil e, diga-se de passagem, para quem gosta de comer, é da melhor qualidade.
O tipo da churrasqueira uruguaia com as batatas doce assadas, uma delícia.

Decoração do restaurante

Decoração do restaurante

Aí tinha gente feliz ...


Esse é o principal objetivo da viagem, eta carne boa!!!!
Aí está nossa mesa. O Luciano pediu carne de porco, que acompanha um pure de maçã, e os demais pedimos bife de entrecote, que na Argentina chamam de chorizo, mas é a mesma carne. Como acompanhamento pedimos uma salada verde para diminuir a culpa, eu acho, embora eu não tenha nem provado, batatas fritas, que também não comi, e batata doce assada e caramelada, que é coisa de outro mundo. Acho que o tipo da batata é outro, um pouco diferente daquela que temos aqui no Brasil que é esverdeada, a de lá é mais para o amarelo e parece que é menor também.
Depois da nossa maravilhosa janta, acompanhada de uma Pilsen desta vez, pois não tinha Patrícia, retornamos ao nosso Hotel e tiramos a foto abaixo, da Cintia e Lucianinho na entrada do mesmo.


Entrada do Hotel The Smalleast na praça do Farol

Dia 4: 23/04/2011 – Punta del Este - Pelotas - 553 km


Punta del Este - Pelotas
Acordamos no Sábado de Aleluia animados com o dia da viagem de volta. Como todos os demais dias estava claro e com sol embora na noite anterior, enquanto estávamos no "Lo de Ruben" tivesse caído uma chuva muito forte, tanto que tive que esperar um pouco para poder ir até o carro pois era uma chuva daquelas que molha totalmente em poucos segundos. 

Quarto do Lu e da Cintia (eita piazinho animado!)
Tomamos um belo café da manhã, muito melhor que o tínhamos tido no dia anterior lá no El Piollito (hehe) este tinha até cereais matinais com yogurte, suco de laranja, croissant, etc.  depois do café saímos já de mala e cuia com destino a Punta Ballena para ver a Casa Pueblo de dia e depois tomar o caminho da fronteira.
Café da manhã no Smalleast
Fomos até Punta Ballena e a entrada do Hotel Casa Pueblo estava entulhada de turistas. Não dava para entrar na rua que leva ao hotel, assim sendo seguimos direto até a ponta do cabo. Lá também tinha algum movimento de turistas e um tipo de feirinha de artesanato.

Essa meninada!!!! Sentadas no muro de pedra da Punta Bellena

Que é isso! Na frente da mãe? Povo desavergonhado....


Esse é um casal muito mais comportado! Hehehe
Como estava ventando muito forte, acho que uns 80 km/h, o mar estava tremendamente agitado e a sensação térmica não era das melhores, mas como estávamos vestidos com as roupas próprias para andar de moto estava agradável, mas o Luciano e a Cíntia, acho que passaram um pouco de frio alí.


Lucianinho triste, como se pode ver.
Da Punta Ballena se avista a Casa Pueblo conforme indicado na foto abaixo. É uma casa bem maluca mesmo, coisa de artista nada convencional.

Casa Pueblo. Hoje é Museu e Hotel, mas começou como casa de veraneio do artista plástico Vilaró
Saímos de lá em direção a Maldonado e tínhamos que passar em um supermercado para comprar alfajores, já que no dia anterior não tínhamos achado o Negro - Punta Ballena. Em Maldonado encontramos um Sams Club na avenida em que estávamos. Mas um pouco antes do mercado, em uma rotatória, tinha uma casa de carnes com restaurante que nos chamou a atenção e como era quase meio-dia resolvemos que depois do mercado deveríamos almoçar alí. No Sams Club compramos várias caixas de Alfajor Negro (só eu comprei umas 6) e tomamos um café. Pena que tivemos que jogar fora os alfajores pois acabaram mofando aqui em casa em 3 semanas.

No café do Sams resolvemos que iríamos almoçar no Novillo Feliz, que ficava na esquina, e que ao invés de voltarmos pelo Chuí iríamos voltar passando por Rio Branco e Jaguarão, assim eles poderiam conhecer outro caminho.

Almoço no Novillo Feliz em Maldonado. Painel do Vilaró ao fundo


Família feliz no Novillo Feliz

Novillo Feliz com a churraqueira ao fundo
Acertamos na escolha, pois o ambiente era muito agradável e a carne da maior qualidade embora o preço fosse um pouco salgado mas nada de mais quando comparado com os demais locais que havíamos comido por lá.
Tomamos a Patrícia de leve, afinal de contas teríamos muitos quilômetros para rodar e bebida não combina com o trecho, aí seguimos em direção de San Carlos, pela 39.

Em frente ao Novillo Feliz. Muito carinho.
De San Carlos, que fica ao lado de Maldonado seguimos pela 8 em direção Treinta e Tres e depois continuamos pela 8 até Melo. Acho que aí bobeamos, deveríamos ter pegado a 18, passando por Vergara e indo direto até Rio Branco. Não sei das condições da 18 mas a 8 que seguimos estava em muito boas condições bem como a 26 que pegamos de Melo até Rio Branco.
Pena que chegamos em Rio Branco às 19:30h e o comércio estava fechando. Não coseguimos mais entrar em nenhuma loja. diferentemente de Rivera, na divisa com Santana do Livramento, o comércio fechava cedo.
Nas cidades de fronteira do Uruguai, eles implementaram um esquema de free shop, assim pode-se comprar qualquer tipo de produto sem impostos. Algo parecido com Ciudad del Este, no Paraguai. Ficamos frustrados pois queríamos comprar um óculos para a Louise que estava fazendo aniversário neste dia. Que pena!
Quando passamos por Melo, paramos em um posto de gasolina para abastecer a moto e esticar as pernas e acabamos encontrando os dois casais que estavam com as duas ultras que haviamos fotografado em Punta del Este, pessoas muito legais, um casal de Porto Alegre e o outro de Pelotas, eles nos indicaram que deveríamos comer em Rio Branco no Restaurante Churrascaria Batuva. Não tivemos dúvida, quando chegamos lá, o comércio estava fechado e fomos atrás do restaurante que fica na região do free shop em uma rua que os carros não entram, somente para pedestres.


Jantar em Rio Branco - UY, Restaurante Grelhados Batuva


Grelhados Batuva - Vista geral
Vale a pena ir até lá só para comer esta carne. Que coisa boa.
Nós em frente a churrasqueira do Batuva. Estilo uruguaio.
Saímos do restaurante e ponderamos se deveríamos dormir alí ou se tocaríamos até Pelotas. Como estávamos a 1.200km de casa, achamos que ficaria melhor tocarmos até Pelotas, uns 210km dalí e sobraríam 1000km para serem rodados no dia seguinte.

A noite estava muito clara, cheia de estrelas e nenhuma lua embora estivesse ficando cada hora mais frio. Depois que saímos do Batuva, coloquei a calça de chuva, que é grossa e não deixa o vento passar, troquei a luva por uma mais quente e seguimos em frente, cruzando a Ponte que liga Rio Branco a Jaguarão no RS, passando por cima do rio Jaguarão que serve de divisa entre o Brasil e o Uruguai.

Seguimos para a BR-116 e fomos em direção a Pelotas.

A noite continuava sem nenhuma nuvem e com o céu qualhado de estrelas, pois na região tem poucas cidades o que torna o local escuro e a quantidade de estrelas no céu aumenta significativamente quando o local é escuro como lá.

A estrada estava muito boa e quase sem movimento nenhum na noite de sábado, quando estávamos a uns 10 quilômetros de Pelotas, às 10:25 da noite exatamente, senti uma forte pancada no pé esquerdo, que jogou minha perna para trás. Sem saber o que tinha acontecido, cruzei uma ponte e segui em busca de um local com acostamento seguro para poder estacionar.

Falei com a Bê se ela sabia o que tinha acontecido e ela não tinha visto nada também. Achamos que poderíamos ter batido em uma pedra ou algo assim e fiquei com medo de ter uma fratura exposta em minha perna esquerda. Tentei voltar o pé no estribo, onde ele estava, mas não achei o apoio. Algo tinha acontecido, eu não podia olhar para manter a minha atenção na estrada.

A velocidade foi diminuindo e pedi à Bê que não descesse da moto quando parasse no acostamento, pois eu não queria apoiar o meu pé esquerdo no chão, teria que parar com o freio dianteiro e apoiar com o pé direito.

Parei, ela ficou quieta atrás e eu não conseguia baixar o pé de apoio. Aí vi que devia ter quebrado o pé. O Luciano parou o carro logo atrás e veio ver a gente. Ele abaixou o pé da moto para mim e aí a Bê desceu. Aí perguntei a ele se ele tinha visto o que tinha acontecido e ele nos contou que havíamos atropelado uma capivara e que ela ficou girando na pista e ele acabou por passar por cima dela também. Ele disse que viu que ela entrou correndo na frente da moto, bem perto, e que quando bati na grande uma outra pequena, que estava vindo atrás, fez a volta e retornou para o mato.

Eu fiquei sentado na moto esperando para ver como o pé estava. Ponderei sobre continuar até o pedágio que estava perto, uns 2 km à frente, mas depois de uma avaliação vi que não tinha condição, pois não conseguia mover o pé para trocar as marchas.

Mais um barulho na estrada e chegou um Honda Civic parando à nossa frente e perguntando se também tínhamos atropelado a capivara. ele quebrou o para-choque do carro. Pedimos a eles que avisassem no pedágio para que mandassem uma ambulância e um guincho para a moto.

Pouco depois, bendito pedágio, a ambulância chegou os paramédicos fizeram uma tala para o meu pé e como tenho UNIMED ele me disse que me levaria na Santa Casa que tem uma ala somente da UNIMED em Pelotas. Pedi que parasse no banheiro do pedágio antes pois eu estava mesmo apertado para ir até o dito, ainda mais depois do cagasso que tinha passado.

Fomos até o Hospital e aguardamos um tanto para sermos atendidos no raio X, parece que tinha alguma emergência. Lá pela 1 da manhã tirei o raio X, o Doutor me atendeu e pediu mais algumas chapas especificamente do calcanho.

Aí ele me disse que o caso era para cirurgia e que eu havia quebrado o calcanho e o tornozelo.o tinha como não fazer uma cirurgia. Falei para ele que era de CUritiba e ele me disse que faria uma tala de gesso para que eu pudesse me deslocar para cá, de preferência da avião, e que seria melhor fazer a cirurgia aqui em Curitiba.

Saímos do Hospital às 4 da manhã, quando o Luciano foi nos buscar e eles já haviam se alojado no Hotel Curi. Muito bom o hotel, inclusive porque me deram um quarto próximo do elevador para que eu não precisasse pular muito longe. A sacanagem foi que o quarto era do tipo enorme, tinha hall de entrada, banheiro, sala de televisão e dois quartos, dá para acreditar? 2 quartos, só para eu ir pulando mais longe. Quando cheguei na cama me joguei, estava exausto, pelos pulos e pelo estresse gerado pela dor que não era pouca, mesmo com os remédios.

Dia 5: 24/04/2011 - Domingo de Páscoa - Pelotas - Porto Alegre - Curitiba

Na manhã seguinte, acordamos, a Bê levou meu café no quarto, eu quase não comi pois estava totalmente sem fome, depois de ter passado uma noite de cão por causa da dor no pé e porque não tinha posição para colocar o dito cujo de maneira que não ficasse doendo.

Saímos do hotel já devia ser meio dia, o pessoal era muito atencioso e acabaram me arranjando uma cadeira de rodas o que facilitou a minha ida para o carro. O Luciano que me levou e acabou se atrapalhando todo no elevador e quase que larga meu pé ferrado para fora da porta. Foi uma coisa de doido.

Eu com o pé na tala no Hotel Curi em Pelotas

Depois disso, acabamos saíndo de lá e fomos até o posto onde a moto estava para trancar o guidão e ver de dia como tinha ficado. Até que o estrago maior foi no meu pé mesmo pois na moto estava muito bem. A pedaleira, onde estava meu pé é que havia se deslocado para trás e meu pé de bota e tudo.

Como ficaram as marcas da capivara na moto


Marcas da capivara na moto
Esta viagem foi muito boa, mas não acabou bem não.

Acho que tem alguma coisa a ver com o Uruguai, pois todas as vezes que fomos até lá aconteceu algo. Na primeira vez, junto com o Daniel, a Ana Paula não pode ir, e na volta pegamos uma chuva de matar, que não parou, desde Jaguarão até Mandirituba, do lado de Curitiba; na segunda vez, fomos eu e a Bê sozinhos, recebemos uma multa na Argentina e na volta, depois de passar pelo Uruguai, furou o pneu trazeiro acima de Santa Maria no RS; terceira vez, eu e o Daniel esquecemos os documentos e não conseguimos entrar no Uruguai, e nesta quarta vez, me ferrei com a capivara.

Se eu fosse supersticioso acharia que tem algo de pesado neste lugar....