Imagens do Fin del Mundo

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Eu estive lá. De frente para a vida!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Ushuaia - Dias 23 e 24/12/2012

Trecho efetivamente percorrido no dia 22/12/2012.


Aí começou uma novela danada, entrar em contato com o seguro que havíamos contratado para ver como teria que ser o procedimento para remoção dela para o Brasil. Foram muitas ligações e muitos dias para que a coisa fosse solucionada, com a participação inclusive do Rafael Turra, que foi a pessoa que nos vendeu o seguro e que nos deu o maior apoio quando a coisa ficou mesmo preta.

Depois de passados um ou dois dias, eu, a Bê e o Lauro estávamos conversando sobre o ocorrido buscando compreender os sinais e onde exatamente erramos. Cheguei à conclusão que ainda não me foi dados compreender o que aconteceu, mas uma coisa é certa, varias foram as coincidências que nos prepararam para aquela situação, incluindo o próprio seguro saúde que contratamos 2 dias antes da viagem e que depois de decidido pelo plano mais simples, com uma ligação do Lauro, acabamos mudando para um plano mais caro e que incluía repatriamento, que era exatamente o que estávamos necessitando no momento.

Isso sem considerar as calças de cordura da Edite, que sempre preferiu usar calças jeans e que nesta viagem estava usando calças de cordura, o que impediu que ambos tivessem escoriações, agora reforçou ainda mais a minha insistência com a Bê para que ela nunca ande sem as roupas de proteção, mesmo quando faz muito calor.

Desta forma chegamos à conclusão de que aquele acidente parecia ter sido planejado e programado em seus mínimos detalhes. Como compreender isso? Não dá. Somos cegos para entender as nuances da vida.

Depois de muito sofrimento devido ao stress de não encontrar a solução definitiva, com a participação direta do Rafael foi possível acertar as ambulâncias e os trechos de avião para levar a Edite embora juntamente com o Lauro. Confesso que houve momento que senti inveja do Lauro estar indo embora e eu ter ficado ali com a Bê e a moto e o coração apertado com uma impressão terrível de algo muito ruim ainda poderia acontecer. Tudo bem que o medo faz parte, mas naquele momento a coisa estava um tanto forte de mais, parecia que havia uma voz gritando algo que eu não conseguia compreender.

Essa foi a parte mais complexa da viagem. Este momento, que durou uma eternidade, quando nós não sabíamos o que deveríamos fazer.

Posto da Policia Caminera em Paysandu.

Foto que o policial pediu para tirarmos na entrada do Hospital Paysandu.

Rio Uruguai em Paysandu

Avenida Costanera em Paysandu





Venda de fogos nas ruas. Normalmente vendido por jovens.

Praça central de Paysandu. Local onde começa o calçadão.

Catedral de Paysandu.



Catedral de Paysandu.

Catedral de Paysandu.
No final do dia 24, véspera de Natal, nós estávamos muito perdidos. Nem pensamos em comprar algo para a ceia. Desta forma, depois de um passeio pela cidade, realizado ao final da tarde, fomos até o hospital e entramos no quarto da Edite. O quarto estava vazio, na verdade a seção do hospital estava vazio, assim como acontece aqui no Brasil, eles preferem dar alta para os pacientes de forma que possam passar o Natal com os familiares em casa, a não ser aqueles que não tem alternativa, como era o caso da Edite.

Ficamos ali durante muito tempo, até que nos colocaram para fora. Eles estavam felizes pois na manhã do dia seguinte iriam finalmente embora. Isso era motivo de alívio.

A moto do Lauro iria ficar guardada na Policia Caminera e o Lauro retornaria para buscar a mesma e passar com ela na fronteira.

Nós com a Edite no Hospital.

Eu e a Edite. Que estava com uma carinha muito boa. Ela é um anjo.
O mais impressionante foi que uma senhora, nascida em Paysandu, com 92 anos de idade, entrou devido a um problema de uma hérnia abdominal. Pela fisionomia dela é possível ver a energia dela. A filha também uma mulher muito simpática, que estava com ela nesta noite de Natal, pois devido ao internamento da Mãe elas ficaram de fora da festa de Natal em casa onde toda a família estava reunida.

Conversamos e rimos muito, pois ambas eram de uma simpatia singular.
A senhora de 92 anos e sua filha que entraram no mesmo quarto em que a Edite se encontrava.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ushuaia - Dia 22/12/2012

Trecho planejado para o dia 22/12/2012 - 846 km.
Neste dia pretendíamos percorrer o trecho entre Rivera e Las Flores, percorrendo 846km, cruzando a fronteira entre o Uruguai e a Argentina em Paysandu. 

Amanhecemos em Rivera, no Nuovo Hotel. Tomamos nosso banho e descemos com todas as bagagens para o café da manhã. Arrumamos as bagagens e como havíamos antecipado no dia anterior o trecho entre Rosário e Rivera poderíamos sair um pouco mais tarde o que de fato aconteceu. Havíamos nos programado para sairmos às 9 da manhã e foi o que aconteceu.






Quando eu vi as Emas, que na Patagônia são chamados de Ñandus, pastando juntamente com as ovelhas, parei para que pudéssemos fotografar e dar um relaxada no meio da estrada. Tirar algumas fotos, etc. Não contávamos que até mesmo teve gente que agarrou uma moita. Hehehehe.

Ñandus pastando juntamente com as ovelhas.



Descemos pela RN5 até Tacuarembó e ali viramos para a direita entrando na RN26. Esta rodovia não estava em um estado de conservação muito bom não, sendo que em um trecho de uns 2 km de extensão tivemos que experimentar o rípio, em uma espécie de Van Premier. Embora já tivesse ouvido falar que havia rípio ali naquele trecho, pensei que já poderia ter sido asfaltado, pois estavam trabalhando, mas que nada.

Fiquei um tanto mais preocupado com o trecho de 130 km que teríamos que superar pois ali, que estava bem arrumado, havia muito material solto e a moto dançava bem quando entrava nesses bolsões de material mais solto. Mas, o principal aprendizado já estava começando.


Trecho de rípio na RN 26.


A Ruta 26 é muito bonita, embora a sua qualidade seja sofrível.

Nos trechos de asfalto também haviam trechos que estavam em estado de conservação muito ruim.


Quando chegamos ao entrocamento com a RN 3, já próximo a Paysandu, já encontramos uma rodovia em estado de conservação muito melhor. Uma rodovia como se está acostumado a andar no Uruguai.

Pedágio existente na RN 3. Motos não pagam, conforme indicação na foto.
Depois que saímos da RN26 e entramos na RN3, que nos levaria até Paysandu, já com um pavimento muito mais adequado, paramos em uma Estacion de Servicios, como eles chamam os postos de gasolina. Enchemos os tanques das motos e, como não aceitavam o cartão de credito da Edite eu paguei a gasolina de nos dois com o meu cartão.

Depois de ir ao bwc seguimos em frente com a próxima parada programada para a fronteira na entrada da Argentina.

Seguíamos em nossa velocidade cruzeiro, entre 100 e 110 km/h, quando avistei à minha esquerda uma instalação que me pareceu ser da polícia, reduzi um pouco a velocidade, como não havia ninguém reacelerei até os 100 ou 110 novamente. Eu não havia visto, mas logo à frente havia um posto da Policia Caminera, que é a similar à nossa PRF.

Vi que um guarda descia correndo os degraus da oficina com o braço esquerdo erguido e agitando o mesmo no ar e olhava para mim. Aí vi que eu não havia reduzido a velocidade para passar em frente ao posto e segurei fortemente no freio visando não passar batido na cara do guarda em flagrante excesso de velocidade, já que a velocidade em frente este postos de controle policiais rodoviários são de 40 km/h.

Estava achando que conseguiria parar logo depois do acesso ao posto quando escutei um pneu cantando, achei estranho, pois a minha moto tem ABS e não me lembrei que poderia ser o Lauro que vinha atrás, até mesmo porque ele sempre estava a uma distância segura. Infelizmente era ele que não havia visto quando eu comecei a freiar e quando viu já estava em cima.

A moto dele derrapou de traseira, primeiramente Para a direita e depois para a esquerda sendo que a moto ficou atravessada na estrada e a dianteira da moto bateu na traseira da minha. Eu senti um solavanco e olhei para a esquerda, quando vi a Edite no chão, para trás da moto, o Lauro caindo no chão de costas, primeiro com a cabeça e depois com as costas e pernas e então se virando de bruço com as pernas e braços abertos e a viseira do capacete raspando no chão. A moto ia arrastando em direção ao acostamento da pista oposta e o Lauro vinha deslizando para a frente da minha moto.

Vendo aquela cena, me lembrei de uma moto que vi certa vez na oficina do Célio, era uma 883, sendo que um amigo havia caído na frente e o segundo passou por cima dele, entortando as pedalarias da moto. Na época pensei o estrago que este atropelamento teria feito no companheiro daquela cara. Tudo isso se passou em um flasch na minha cabeça e pensei, não posso atropelar o Lauro, eu que já vinha feriando forte segurei mais ainda, com o dianteiro e traseiro no que deu. Graças a Deus, eu conseguia manter a moto afastada dele e quando sai para o acostamento e consegui finalmente parar ele também havia parado com o corpo sobre a pista e as pernas sobre o acostamento.

Neste momento o guarda que vinha correndo do posto policial chegou ao meu lado, e como se numa catarse, vomitou uma frase: - Vocês precisam retornar ao posto de combustíveis pois esqueceram os documentos de vocês lá. Cartão de crédito e documentos.

Eu olhei para o guarda, olhei para o Lauro, que começava a se mexer, a Edite estrada no meio da pista, a moto tombada junto à grama do outro lado da pista e falei ao guarda: - Vamos atender a eles primeiros, depois a fala deste assunto.

Graças a Deus, os dois estavam conscientes. A Bê foi atender à Edite e eu fui até o Lauro que se levantava e disse que estava bem. Perguntei se não estava sentindo nenhuma dor e ele me respondeu que estava bem. Aí fui até a Edite que estava sentada e perguntava: - o que aconteceu? Eu falei para ela que tinham ligado do posto dizendo que tínhamos esquecido o cartão de crédito e ela mostrou o cartão dela dizendo que estava ali.

Por varias vezes ela repetiu a pergunta sobre que havia acontecido.

O pessoal da policia Caminera muito rapidamente cuidou de controla o trânsito, evitando que ocorresse um atropelamento e a Bê comentou com a Edite que o pé dela estava um pouco estranho e poderia ser que ela tivesse quebrado o pé. Mas na hora de tirar a bota a Bê viu que não deveria retirar sob pena de agravar a situação e que o pessoal do atendimento poderia cortar a mesma, mas a Edite rapidamente retirou a bota do pé e aí também pude ver que aparecia um deslocamento estranho no alinhamento da perna denunciando uma muito provável fratura.

Rapidamente colocaram a Edite em uma maca, com colar cervical na ambulância e levaram ela para o hospital. A Bê estava nervosa porque o Lauro deveria ter ido junto com a Edite e que ela não deveria ter ido sozinha pois o Lauro também tinha que ir ao hospital.

Algumas pessoas que passavam e pararam ali levantaram a moto e a deixaram apoiada no pé, lá mesmo local onde havia parado. Novamente perguntei ao Lauro porque ele não ia juntamente com a Edite ao hospital e ele falou: - Não precisa, eu estou bem, em seguido eu vou.

Novamente ele me disse que nao estava sentindo nada. Eu não podia acreditar que não estivesse. Passei as mãos pelos braços e pernas dele e ele me confirmou que não sentia nada. Estava bem.

Ok. A Edite já havia sido encaminhada ao hospital a Bê estava muito nervosa, achei que precisava atender a ela também, abracei a Bê e ela chorou um monte. Disse que tudo ficaria bem. Mas ela chorou um bocado. Precisava aliviar a tensão daquela cena horrível que tínhamos presenciado. Um acidente é uma coisa feia mesmo. Fica marcado. No coração da gente de uma forma que não sabemos como e acaba interferindo em nossas emoções de forma incompreensível e por um bom tempo.

As pessoas estavam bem e atendidas. Aí o guarda pediu que colocássemos as motos em um local mais seguro, no estacionamento do posto. Eu olhei a minha moto, vi que estava um pouco fora de esquadro o escarpamento e as barras de proteção das bolsas laterais estavam tortas. Liguei a moto e parecia que nada estava raspando, com muita calma, olhei para todos os lados, até que não viesse ninguém e dei a volta na pista parando do outro lado, no acostamento oposto, pois vi que o Lauro também estava olhando a moto dele.

Desliguei a moto e desci para ir lá com ele. Perguntei se precisava de ajuda e ele disse que não, Tentou ligar a moto, mas não pegou. Na segunda tentativa o motor ligou e começou a sair muita fumaça de óleo queimado pelo escapamento. Até falei a ele para desligar mas ele não desligou e aos poucos o óleo foi diminuindo, diminuindo, indicando que devia ter ocorrido um vazamento de óleo para dentro do escapamento ou do cilindro, não sei.

Mas a moto não andava pois o para-lama dianteiro estava amassado e prendia o pneu dianteiro, devido a um profundo vinco que havia sobre o para-lama dianteiro que raspava no pneu. O Lauro foi forcando e aos poucos levou a moto até na frente do posto. Eu voltei na minha e fiz a mesma coisa. A Bê estava nervosa por conta da Edite que estava no hospital sem ninguém. Estacionamos ali as motos e o Comandante Diaz, que era o chefe daquela posto, colocou o pessoal dele à disposição para nos levar onde fosse necessário.

O soldado Diaz, que tinha o mesmo sobrenome, juntamente com o Martinez e outro, que havia saído correndo para nos avisar da necessidade de voltar, nos levaram até o hospital que ficava perto de onde estávamos.

Lá chegando, o Diaz nos levou até um posto da policia, creio que civil ou militar, que usa uniforme azul, que tem um escritório na entrada do hospital, onde eu e o Lauro preenchemos uma ficha. Aí o Lauro disse que estava começando a sentir uma dor no ombro esquerdo. Ele entrou para fazer uma radiografia e ser atendido.

Eu não tinha absolutamente nada, ao menos no corpo, e fui na sala de espera com a Bê. Mas o Diaz me chamou novamente para poder preencher o BO. Lá fui eu até a viatura, que agora estava estacionada sob a sombra de uma arvore do lado oposto da avenida do hospital.

Fiz o teste do bafômetro e pensei, graças a Deus que não havia bebido absolutamente nada alcoólico desde a noite anterior. E preenchi o BO sendo que me foi solicitado que dissesse o que havia acontecido. Imediatamente me lembrei do acidente do Guilherme onde aconteceu a mesma coisa e me preocupei em ser muito claro nas explicações evitando que de alguma forma algo viesse a ser mal interpretado futuramente.

Aí o Lauro teria que fazer a mesma coisa, mas ele estava lá dentro do hospital. O Diaz ainda me levou para a entrada do hospital a fim de que eu também fizesse uma avaliação medica. Disse que não precisava pois nada havia acontecido, mas ele insistiu, dizendo que mesmo assim seria bom que constasse isso de um laudo médico. Ok. Concordei e fui para a porta de entrada de emergência do hospital.

Lá dentro me pediram mais uma serie de dados e fiquei aguardando para ser atendido por algum medico, que não estava presente no momento. Vi a Bê sentada na sala de espera através do vidro de onde uma funcionaria atendia ao pessoal que chegava com suas queixas e acenei para ela. Enquanto esperava solicitei informação a um funcionário sobre onde estavam o Lauro e a Edite. Ele me disse que o a mulher estava sendo atendida e que o homem havia ido para a radiografia.

Fiquei por ali até que chegou um medico muito simpático e também novo, acho que devia ter não mais de 25 ou 26 anos e ele com a minha ficha nas mãos me perguntou o que tinha acontecido, falei para ele e aí me perguntou se havia algo comigo, disse que não pois nada havia sequer encostado nem em mim e nem e nem na minha esposa. Então ele perguntou porque o policial tinha me encaminhado, respondi que não fazia a menor ideia  mas que quem sabe Era apenas para que constasse que nada tinha acontecido comigo.

Ele achou razoável a minha inferência e perguntou se eu queria ir junto com o meu amigo e eu disse que sim. A Bê ficaria esperando ali do lado de fora mas ao menos um de nos teria como levar alguma noticia, pois eu não sabia nada sobre a Edite e isso estava me preocupando.

Quando cheguei na radiografia lá estava o Lauro em pé esperando e fiquei com ele. Aquele medico foi muito legal em permitir que isso acontecesse. Mas ele não soube me dizer nada da Edite. Quando ele saiu perguntei ao Lauro se ele sabia de algo da Edite, ele disse que ela tinha ido para o raio X também e que ainda não sabia do que teria ocorrido e na hora me falou que estava bem e que se nada tivesse ocorrido com ele e nem com a Edite ele iria dar um jeito de arrumar a moto ou de alugar uma outra e iria com a gente em frente na viagem.

Aí eu falei para ele que achava que a Edite tinha quebrado a perna, na altura do tornozelo e que possivelmente não daria para seguirmos e mais ainda, não sabia se nos seguiríamos em frente depois de uma situação como aquela que tínhamos vivido. Pois se algo ocorresse de ruim depois daquele aviso como eu poderia me perdoar?

Ele se resignou com a situação e ficou pensativo por um tempo, muito triste com o ocorrido e tentando compreender o que afinal de contas teria acontecido? Nem eu nem ele conseguíamos compreender o que tínhamos feito de errado, apenas talvez não fosse para irmos e pronto. Afinal de contas comentei com ele eu que tinha tido um sonho ruim na semana da viagem e que tinha ficado muito impressionado, mas que não sabia como interpretar aquele sentimento.

Ele foi chamado para entrar na radiografia, fez a chapa e saímos dali em direção ao local onde havíamos entrado na região do atendimento. O Hospital Escola de Paysandu é um hospital grande, tem muitos corredores e quartos e alas, lembrando um pouco o Hospital Cajuru de Curitiba. Muita gente por todos os lados, principalmente muita gente simples. Mas a maioria dos casos eram mesmo de mulheres grávidas e nascimento de bebes.

Quando chegamos ali na região da entrada nos sentamos para esperar notícias da Edite. A Bê estava sozinha lá fora mas eu não queria ir lá antes de ter notícias da Edite para poder levar para ela.

Aí o Lauro e eu fomos chamados para irmos até onde a Edite estava em uma maca, deitada em um local cercado por biombos de tecido, ela ficou feliz de nos ver e eu então nem se fala de ver ela estava realmente bem. Aí peguei a medica de lado, quando ela estava saindo dali e pedi informações sobre as condições da Edite.

Ela me explicou que a Edite estava com a perna quebrada e que teria que ser feita uma cirurgia para colocação de parafusos, pois o tipo de quebradura, embora não tenha sido nada muito grave, ainda assim necessitaria de intervenção cirúrgica. Aí ela me perguntou se tínhamos plano de saúde para fazer a cirurgia e eu respondi que teríamos que levar ela de volta o Brasil a fim de que fosse operada em Curitiba, levando-se em conta as questões relacionadas com a recuperação, família, etc. ela entendeu e eu solicitei que necessitaríamos de um relatório do atendimento dado a ela e da alta para que pudéssemos leva-lá para Montevideo a fim de pegar um avião de volta.

Retornei ao Lauro e à Edite e perguntei se eles já haviam sido informados da situação da Edite, me disseram que não, aí eu expliquei para eles o ocorrido e que teríamos que levar a Edite de volta para o Brasil pois teria que ser operada para colocação de parafusos.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ushuaia - Dia 21 12 2012

Trecho percorrido no Dia 21/12/2012 - De Curitiba 1.230km
e de Floripa 930km.

Tínhamos a ideia de sairmos no dia 20 à tarde, entretanto, somente foi possível sairmos de Floripa no dia 21. O Lauro e a Edite sairam de Curitiba às 3:30 da madrugada com o odômetro marcando 35.393km, nos encontramos às 7:15 da manhã em um posto ALE da BR-101, localizado após o viaduto da entrada pricipal de Floripa.
Nosso Café da manhã no Posto ALE na BR-101 em Floripa.
Nos encontramos com uma bela festa, pois este era o primeiro momento em conjunto da realização de um sonho de grandes proporções. Chegar ao Ushuaia de Harley Davidson, enfrentando o cansaço do caminho nos 4.800 km de distância para nós e 5.100km para o Lauro e Edite que saíram de Curitiba e ainda a considerar o trecho de rípio de 130km. Quanta emoção se podia ler em nossos olhos.

Tanques cheios e partimos pela BR-101, rumo sul.

Nosso destino neste primeiro dia seria Rosário do Sul-RS, entretanto, como o Lauro e a Edite não puderam chegar em Floripa no dia anterior, ficamos ponderando se seria possível atingir este objetivo ou se passaríamos a noite em algum local antes de Rosário.

Ciclistas de Curitiba, Bruno e Ney, pedalando até quase o Uruguai. No posto onde almoçamos em Maracajá.
Seguimos passando por Torres, Osório, Porto Alegre, almoçamos em um posto localizado depois de Porto Alegre, sendo que quando chegamos neste posto o Lauro estava com o tanque praticamente seco, ele abasteceu com 16,6 litros e a minha moto tomou 16,4. Este trecho foi difícil pelo fato de não termos encontrado postos ao longo da free way.

Nesta parada para abastecimento conversamos sobre onde pararíamos para dormir, pois imaginamos que o Lauro estaria cansado, que nada, o Lauro e a Edite disseram que a viagem estava maravilhosa e quem nem estavam se cansando, aí começamos a imaginar a possibilidade de dormirmos em Rosário mesmo. A Bê havia sugerido que dormíssemos em Rivera, 110 km após Rosário e os dois gostaram da ideia. Gostei de ver a disposição dos dois, seria um dia de 1.230 km para eles, e para nós de 930km.
Lauro e Edite na BR-101
De qualquer forma, a princípio, não levamos muito a sério a ideia de irmos até Rivera, mas quando chegamos em Rosário do Sul, ainda de dia, às 8 da noite, confirmamos o nosso novo destino, e seguimos até Rivera, desta forma cruzando a fronteira e fizemos a migração no mesmo dia, ganharíamos algum tempo e poderíamos sair mais tarde no dia seguinte.
Maravilhoso pôr-do-sol na chegada em Santana de Livramento - Rivera.
Ao invés de jantar e dormir no Hotel Uruguay-Brasil, local já bem conhecido por nós, perguntamos para a atendente da migração uruguaia onde poderíamos jantar e dormir. Ela nos indicou o Restaurante do Beto e nos deu um mapinha, rabiscado à mão. Fomos lá e comemos um belíssimo entrecot, que é como o uruguaios chamam o bife de chorizo argentino, tomamos ainda um belo vinho.

Dali decidimos seguir ao Nuovo Hotel, localizado nas imediações. Que coisa de louco, para mim estava pior que o Uruguai-Brasil, mas a Bê achou que não, achou que estava melhor. Tudo bem, ao menos o café da manhã era bem bom, quer dizer, tudo era bom, mas o hotel é muito velho, creio que tem mais de 60 anos folgado, aí a coisa fica meio estranha.

Ao menos tinha uma boa garagem para guardarmos as motos.

Em Rivera, Nuovo Hotel - Garagem
Este primeiro dia havia superado em muito as nossas expectativas e prenunciava uma viagem maravilhosa, nós estávamos muito animados, embora, houvesse uma nuvem que eu não conseguia compreender. Este sentimento já estava me acompanhando desde a manhã da terça-feira antes da viagem, mas eu não conseguia compreender do que se tratava. Mas quando não deu certo para sairmos no dia 20, achei muito bom, parecia que algo havia sido aliviado. Como a ansiedade da viagem era muito grande, eu estava atribuindo aquele sentimento a este fator. Nosso caminho neste primeiro dia havia sido muito seguro e tranquilo.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ushuaia - Antes da Saída


Viajar ao Fin del Mundo.

Um sonho que nasceu e foi sendo construído aos poucos, nem saberia dizer exatamente como aconteceu. 

Talvez tenha começado logo após a realização da nossa viagem a San Pedro de Atacama, realizada em final de Dezembro de 2009 e início de Janeiro de 2010, quando nasceu o prazer de realizar viagens de longa distância de moto. Quem faz viagens de longa distância sabe que isso é muito diferente de um passeio de final de semana, principalmente quanto às questões relacionadas ao auto-controle, resistência, persistência, capacidade de superar e testar os limites, descobrindo do que cada um realmente cada um é capaz.

Olhar o mapa e traçar o trajeto entre Florianópolis e Ushuaia é um tanto surpreendente. Aparece o trecho no planeta com seus 4.750 km e a partir de Curitiba, 5.050km.

O plano da viagem foi iniciado com um traçado feito por mim e encaminhado para o Lauro e Daniel, pois tínhamos a ideia de irmos em 3 casais, da mesma forma que fomos até Punta del Este e Montevideo em Julho de 2012.

O Daniel e a Ana Paula acabaram não confirmando que iriam junto tendo em vista que somente poderiam sair para a viagem no dia 26 e nós estávamos planejando sair no dia 21 aproveitando 5 importantes dias, tempo quase suficiente para dormir em Rio Gallegos no dia 26, local de onde partiríamos para Ushuaia.

Eu e a Bê estávamos determinados a cumprir com o plano e o Lauro e a Edite, inicialmente também disseram que não daria para eles, pois a Edite não estava querendo passar o Natal longe da família.

Seguimos em frente com a programação do trajeto, nós já havíamos viajado sozinhos para vários lugares, sendo que a maior delas foi a primeira vez que fomos para o Chile de moto e, embora muitas pessoas julguem que é perigoso temos encontrado muita gente, de diversos países do mundo, que viajam sozinhas ou em duas pessoas pela América do Sul.

Aniversário do Ivo, em Curitiba, com muitos mapas.
No encontro de aniversário do Ivo, tivemos um maravilhoso jantar marroquino e nesta noite muitos mapas estavam circulando, pois muitos dos presentes estavam planejando viagens.

Neste dia o Lauro e a Edite já haviam decidido que iriam conosco e o Fernando já havia pensado em ir e desistido pois estava planejando ir com o irmão dele em uma outra data. O Daniel estava planejando ir até Puerto Montt e Puerto Varas, Bariloche, Villa Angostura, ao Vulcão Ozorno, Santiago, Mendoza, etc. em uma viagem pela região dos lagos. Estavamos pensando em como poderíamos nos encontrar para um jantar ou por 1 ou 2 dias. Mas estava difícil de ajustar, mas a esperança sempre continua, pois quando se faz uma viagem longa encontrar pessoas conhecidas pelo caminho é sempre muito agradável.

Praticamente tudo estava organizado mas eu ainda queria saber sobre a condição das estradas que sobem de El Calafate para Ezquel, ou seja, quais as condições da Ruta 40. O mapa que o Daniel apresentou mostrava que o trecho não era asfaltado e seguir por aqueles mais de 600km sobre estradas de rípio não seria nada adequado para as nossas HDs, nem para nós. Na verdade este era um ponto de preocupação desde o início: como nos sairíamos nos 130km de rípio que teríamos que passar para chegar em Ushuaia, entre Cerro Sombrero e San Sebástian, no trecho chileno da Tierra del Fuego.

Ainda tivemos na manhã de quinta-feira, dia 20/12, uma surpresa enorme quando levantamos pela manhã. Havia uma belíssima sexta de café nos esperando que foi enviada de presente de Natal pelos meus filhos, Conrado, Guilherme e Louise. Eles são demais! Foi um excelente presente.




Tínhamos a ideia de sair no dia 20 à tarde, para adiantar um pouco a perna do primeiro dia, dormindo em algum lugar pelo caminho, possivelmente em Torres, entretanto, somente foi possível sair de Floripa no dia seguinte. O Lauro e a Edite saíram de Curitiba às 3:30 da madrugada com o odômetro marcando 35.393km. Nos encontramos às 7:15 da manhã em um posto ALE da BR-101, localizado após o viaduto da entrada principal de Floripa.

Estávamos com o seguinte Plano da Viagem:


O mapa dos locais programados, entretanto este mapa considera a subida pela RN-40. O que foi alterado.
Estávamos com a programação acima traçada entretanto não tínhamos reserva em nenhum local, logo poderíamos alterar à vontade o trajeto. Para o traçado e principalmente para a escolha dos locais, nós fizemos pesquisa na internet visando conhecer um pouco dos locais por onde passaríamos, visando ter uma ideia do que fazer nos locais ao longo do caminho.

De maneira geral estaríamos parados 1 dia a cada 3 dias, para possibilitar algum descanso. Confesso que não me agradava o fato de passarmos a véspera de Natal em Viedma, não sei porque achava que deveríamos passar em Puerto Madryn. Mas era muito longe e não conseguiríamos chegar no dia 23. Desta forma, já estava conversando com o pessoal para ver como poderíamos adiantar um pouco mais, ou até mesmo, roda no dia 24 pela manhã e desta forma chegarmos em Puerto Madryn.

De todo o trajeto a parte que me preocupava era o trecho entre J, K e L, ou seja, no mapa a subida está prevista pela RN 40, que é de rípio.

Aí liguei para o PHD Chico, que é um companheirão com muita experiência em viagens longas, ou seja, é um fazedor de chuva, como eles mesmos se denominam, e pedi a ele algumas dicas sobre este trecho. Aí é que ele me deu a dica de subir de Puerto Natales até El Calafate, via Esperanza, que é asfaltado e depois, para subir a Villa Angostura, ao lado de Bariloche, retornar à RN 3, próximo à Rio Gallego, subindo até Comodoro Rivadávia pela 3 e então derivando para Ezquel, etc. indo até Villa Angostura.

Traçado do trecho entre El Calafate e Villa Angostura, passando por Esperanza e
descendo até a RN-3 próximo a Rio Gallegos.
Fizemos ainda uma adequação do trecho superior do Chile, visando incluir as passagens por 2 passos entre a Argentina e o Chile, cruzando os Andes.

Adequação do trecho entre Villa Angostura e o Chile e o retorno à Argentina.
O PHD Chico me indicou ainda o Check List, que apresento a seguir, adaptado daquele que está apresentado na Expedição Alasca do Site www.phd-sc.com.br, onde qualquer um pode se cadastrar e utilizar as diversas informações que constam do site.

Check List adaptado:
Baseada no site www.phd-sc.com.br


O pneu dianteiro da lista não foi levado nem foi necessário. Além dos itens acima, acrescentei ainda algumas chaves de boca em polegadas, incluindo a de 5/8" que seria utilizada para uma troca de óleo obrigatório, pois eu antecipei a revisão dos 8.000km para 6.000, colocando o óleo Motul 7100, que roda até 8.000km, logo, pelo meio do caminho, teria que fazer uma troca. Procurar pelo mesmo Motul 7100 ou outro óleo, o mais adequado possível, para fazer a troca.

Estávamos com tudo preparado. Para evitar de levar 2 jaquetas, fui com uma jaqueta que eu o Lauro e o Daniel compramos no Uruguai em Julho/2012, que tem um impermeável removível e tem aberturar para ventilação. Com mais uma segunda pele (ciroula e camiseta de manga longa) e uma polar deveriam ser suficientes para as temperaturas próximas de 0ºC que deveríamos pegar e tínhamos ainda que nos preocuparmos com os 45ºC que também pegaríamos nas proximidades de Buenos Aires.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

USHUAIA 2013

Pequena alteração em detalhes.
Primeiro troca do caminho ao Norte de El Calafate e depois, a inclusão de mais um passo dos Andes. Desta forma, nós e o Lauro e a Edite, passaremos pelos 4 passos asfaltados dos Andes.
Para tanto, vamos subir de Puerto Monte, passando por Osorno e indo até Victória, ali retornando para a Argentina em direção a Neuquén.

Trecho de El Calafate até Bariloche.
Trecho incluindo o 4º passo que nos faltaria conhecer. Trecho entre Bariloche e General Acha.


Este será o nosso caminho. Um pequeno giro pela América do Sul.

Época de pesquisa, planejamento e muita concentração para a maior aventura de nossas vidas!
Estamos apreensivos mas muito confiantes de que teremos dias maravilhosos apreciando paisagens que somente quem  arrisca e ousa é capaz de viver.
Acreditamos que a vida vale apenas por estes momentos, pois senão, que dizer...
Está chegando o momento de dar asas à alma de motociclista que mora em nossos corpos e de pedir a Deus por proteção e visão para antever os perigos e sabedoria para compreender as belezas.
Ushuaia, não olhe agora, mas lá vamos nós por mais estes quase 12.000 km.
Além de Ushuaia, o litoral atlântico sul, a Patagônia, a Tierra del Fuego, o sul do Chile, muita alegria, felicidade e realização, frutos do mar e bifes de chourizo.
A VIDA VALE MUITO A PENA! PODE CRER! É SÓ FAZER ACONTECER...